As primeiras videoaulas para estudantes da rede municipal de Salvador, transmitidas em canais abertos de televisão, ocorreram nesta terça-feira (30) e teve resultado bastante positivo para a Secretaria Municipal de Educação (Smed). As transmissões, que ocorrem nos canais digitais 4.2 e 4.3, fazem parte do projeto da pasta de retomada das atividades pedagógicas, que por enquanto continuarão suspensas. 

“Não esperava uma repercussão tão boa. Tivemos uma audiência significativa e um retorno da rede a da sociedade positivo, de forma geral”, comentou Bruno Barral, secretário municipal de Educação. Os dados de audiência ainda não foram divulgados. 

Segundo Barral, a divisão de horário e de conteúdos aconteceu como o planejado, o que deu “consistência” ao trabalho desenvolvido pelos educadores e gestores.

Essa também é a visão de Ida Guimarães, gestora da prefeitura na área da Educação há dez anos, e atual diretora da Escola Municipal Hildete Lomanto, no Garcia. Para ela, o planejamento montado pela prefeitura atua de “forma inclusiva, levando em consideração o perfil dos alunos da rede municipal”.

Ida lembra que, apesar das famílias possuírem aparelhos celulares, muitas não possuem condições de acessar um pacote de dados de qualidade, que permita uma interação através da internet, e enxergou a transmissão pela TV aberta como a melhor solução.

“O que tenho recebido dos pais e alunos, na maioria, são retornos bons, de que eles estão felizes de poder ter esse acesso ao conteúdo pedagógico em meio a pandemia”, comentou Ida. 

Mas aulas pela televisão são o terceiro passo do projeto feito pela Smed. Outras ações como a distribuição de cestas básicas para os alunos cadastrados na rede também incorporam a ção da secretaria. A aproximação dos estudantes com os conteúdos da escola vem acontecendo desde o infantil, onde as crianças, de dois a cinco anos, “mantêm contato com a escola através de vídeos curtos para se socializar e não se afastar pedagogicamente”, explicou Barral. 

As atividades do ensino fundamental acontecem através de apostilas entregues aos pais nas escolas, que levam as atividades para as crianças. Os exercícios de leitura e escrita são devolvidos após a realização destas e levados para a unidade para que a instituição possa avaliar o desempenho dos estudantes, e entender a área que deve ser reforçada durante o ensino.

Barral explica que para o ensino fundamental II foram elaboradas as videoaulas abertas na televisão, que complementam material disponível na plataforma do Escola Mais. “Mas como nem todos conseguem essa interação pela internet, porque não há acesso à rede, entregamos 33 mil chips com internet e banda larga, para que tenham acesso de forma integral a essa plataforma”, explicou o secretário.

Foto: Jornal CORREIO

Novidades durante a prática
E os novos formatos virtuais apresentados também são novidades para os professores. No caso de Viviane Pádua, 40, professora de língua portuguesa do colégio Teodoro Sampaio, que fica na Santa Cruz, a principal dificuldade é a falta da interação presencial. Ela definia como “o grande combustível”. 

Para que as gravações da aula sejam efetivas para os alunos, ela explica que utiliza uma linguagem mais simples e tentar ‘conversar’ com quem está do outro lado da tela. “Tenho buscado ser clara e objetiva, para que seja compreensível ´para todos e nesse sentido a gente tem que nivelar tomando como base aqueles que não têm total domínio da matéria português”, explicou Viviane, que ao final de cada aula revisa o assunto dado, para fixar a compreensão.

No caso de Lindiane Costa Nascimento, mãe de Joseane, que tem 13 anos, a principal preocupação é o compromisso em aprender. “A gente sabe que os adolescentes hoje tem facilidade com a internet, então tento estar por perto sempre para que ela não pesquise e faça aquele famoso ‘crtl c crtl v’”, brincou. 

Ela completa lembrando que ainda é preciso melhorar, mas que a ação da prefeitura já auxilia os alunos, que antes não tinham conteúdo nenhum. A busca pela melhora também foi reforçada pelo secretário Bruno Barral, que vê grande qualidade no corpo docente do município. “É uma metodologia nova, que não substitui o presencial, mas largamos na frente com esse projeto político pedagógico, e temos uma ótima interação dos pais com os professores e gestores. É muito bacana ver isso”, finalizou.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela.

Fonte: Correio