Pandemia, Independência e Morte

“Nunca mais o despotismo,

Regerá nossas ações,

Com tiranos não combinam,

Brasileiros corações.”

2 de Julho de 1823 representa para nós baianos, o gosto da vitória de forma clara e insofismável diante do colonizador português. Vitória conquistada nos campos de batalha da tão sonhada independência do Brasil. Nada contra o simbolismo do sete de setembro, às margens do Ypiranga, representando a conciliação de sempre, feita pelas elites de lá (Portugal) e de cá (Colônia Brasil). Mas, a festa cívica que o povo da Bahia, organiza e realiza pelas ruas de 11 municípios baianos, com destaque para Cachoeira, Santo Amaro, Caetité e Salvador, é única no país e a única que tem na participação popular sua razão de existir. É verdadeiramente uma festa cívica e popular.

Neste ano que celebraremos o 197º aniversário desse gesto que consolidou a nação brasileira, mais uma vez o povo está sendo convocado e muitas vezes provocado, a assegurar, a liberdade, a independência e a democracia, como ferramentas essenciais para não sucumbir diante dos mercadores da morte de plantão.

Refiro-me ao enfrentamento da Pandemia, tendo que lidar a um só tempo com a insensatez do Governo Federal no combate ao Coronavirus, fato este que, que tem acarretado milhares de mortes país afora, e uma crise política sem precedentes, onde a própria Presidência da Republica está ameaçando os princípios democráticos e o próprio Estado Democrático de Direito, tão duramente conquistado ao longo de nossa história.

Desse modo, o sentido patriótico do 2 de Julho, Dia da Independência do Brasil, na Bahia se faz mais do que necessário. O momento exige além de coragem e resiliência, para resistir aos arroubos autoritários da extrema direita, criar as condições de unidade política dos setores democráticos do país, para a defesa intransigente da Democracia e a plenitude do Estado Democrático de Direito.

Portanto, combater a Pandemia, defender a Democracia e proteger a Vida, devem ser as nossas bandeiras de luta, se quisermos dar consequência ao heroísmo do nosso povo, em 1823. Respeitar o

isolamento social onde for possível, adotar os procedimentos e equipamentos de proteção em todo e qualquer lugar e, sobretudo cuidar do próximo em nome do bem comum, não podem ser tratados como artigos de luxo e de privilégios de poucos, pois são na verdade, o nosso compromisso com a civilidade e a civilização.

Toca a zabumba que a terra e nossa!

Zulu Araújo é arquiteto e diretor da Fundação Pedro Calmon

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Fonte: Correio