Porque vidas de mulheres importam

Um aumento de 150% nos casos de feminicídio na Bahia foi registado em maio deste ano, em relação ao mesmo período de 2019. Em maio do ano passado, seis mulheres foram mortas no estado, enquanto esse ano, o mês registrou 15 assassinatos, 12 no interior e três em Salvador, todos cometidos por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Os dados são da Secretaria de Política para as Mulheres. 

Na contramão do crescimento dos feminicídios, houve a diminuição no registro de ocorrências de violência doméstica. De março a junho deste ano, houve queda de 78,6% nas denúncias de tentativa de feminicídio em relação ao mesmo período de 2019. As queixas por lesão corporal caíram 31,1% no mesmo período, comparando com 2019.

Março foi o mês que a quarentena começou. Os primeiros decretos fechando o comércio são da segunda quinzena de março. De lá para cá, boa parte da população está confinada em casa para não contrair a covid-19 e  não piorar a crise de saúde pública. Ora, se as pessoas estão em casa resguardadas do vírus, significa que as mulheres estão confinadas com seus agressores. Como elas vão denunciar tentativas de assassinato ou de lesão corporal se estão justamente sob o mesmo teto de quem comete esses crimes?

Campanha do CNJ e da AMB contra a violência doméstica durante a pandemia (Foto: Divulgação)

A Secretaria de Políticas para a Mulheres defende a tese de que a subnotificação seria o real motivo da queda nas denúncias. O aumento dos feminicídios, por sua vez,  endossa a teoria, pois as mulheres continuam correndo riscos e agora, eles são ampliados pelo isolamento social. Quebrar a quarentena é se colocar na mira do coronavírus, ninguém sensato vai fazer isso. Mas, no caso das mulheres com risco de sofrerem agressões ou serem mortas, ficar em casa  é arriscado.

As vidas das mulheres precisam ter importância. Um apelo das autoridades tem sido o de que vizinhos que escutarem pedidos de socorro ou sons que demonstrem que uma mulher está sendo agredida, liguem para o 180, e façam a denúncia. É um gesto de solidariedade necessário diante do drama da pandemia e do drama ainda maior da violência doméstica. 

Chega de omissão e de perpetuar o ditado machista e mofado de que em ‘briga de marido e mulher não se mete a colher’. É para meter a colher, sim! Chamar a polícia, pressionar pela punição dos agressores.

O Conselho Nacional de Justiça e a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) lançou  campanha nas farmácias do país na tentativa de ajudar potenciais vítimas silenciadas pela quarentena. Cartazes orientam que se uma mulher chegar ao balcão da farmácia com um xis vermelho marcado na palma da mão, significa que ela está sofrendo violência ou sob risco de ser assassinada e que o atendente deve pedir ajuda para ela. 

As vidas das mulheres precisam importar mais do que apenas virarem  estatística.

Fragmentos de cerâmicas estão entre os achados (Foto: Conder/GOVBA)

Vestígios da vida em outro tempo no Santo Antônio

Arqueólogos encontraram objetos do século XIX em um trecho em obras no Largo do Santo Antônio, no Centro Histórico de Salvador, na segunda-feira, 29. Os achados incluem fragmentos de cerâmicas, faianças finas, vidros, metais e porcelanas, possivelmente associados ao uso doméstico. O bairro de Santo Antônio, que integra conjunto arquitetônico considerado patrimônio da humanidade pela Unesco, passa atualmente por uma obra de requalificação das suas principais vias: Rua Direita, Ladeira do Boqueirão e o Largo.

Cabocla é um dos símbolos da devoção popular no Dois de Julho (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Lives-aula ensinam sobre história do Dois de Julho

Na quinta-feira foram comemorados os 197 anos da Independência da Bahia, a festa do Dois de Julho, e para lembrar a data, que este ano por conta da pandemia não teve o tradicional desfile cívico-popular, o CORREIO promoveu lives-aula com historiadores e pesquisadores da festa. 

Foram quatro lives: com o historiador Marcelo Siquara, especialista em história política, econômica, social e cultural do Brasil; com o jornalista, publicitário e escritor Nelson Cadena, colunista do CORREIO, que falou sobre a participação e a  influência da imprensa na cobertura da Guerra da Independência; o professor e historiador Rafael Dantas, que é pesquisador na área da Cultura Material e Iconografia;   e,  com  o artista plástico, restaurador e professor José Dirson Argolo, que falou sobre a importância das figuras simbólicas do Caboclo e da Cabocla. 

Todas as lives foram apresentadas pela jornalista baiana Clarissa Pacheco, que é também  subeditora do CORREIO e graduanda em História pela Ufba. 
Para assistir acesse aqui; ou veja no IGTV do CORREIO no Instagram @correio24horas.

Mel Lisboa foi chamada de ‘arrogante’ por internautas após exibir prints de conversa com professora (Foto: Divulgação)

Frase:

“Acho que nós, como mulheres, deveríamos não continuar reproduzindo machismos que tanto afetam a sociedade como um todo” (Mel Lisboa)

A atriz dividiu opiniões na internet, essa semana, e chegou a figurar nos trending topics do Twitter depois de publicar os prints de uma discussão com a professora de sua filha. A discussão ocorreu depois que a professora enviou uma solicitação em um grupo das aulas se dirigindo somente às mães, pedindo ajuda em uma lição. A atriz, então, criticou a postura da professora, alegando que os pais também têm o dever de cuidar da vida escolar das crianças. Quem criticou a atriz disse que apesar de ela estar correta sobre cobrar responsabilidade masculina, foi arrogante com a professora e errou ao expor a conversa privada.

Outros destaques da semana

*Investigação prorrogada

O inquérito das fake news, que apura as ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a distribuição de conteúdo falso na internet, foi prorrogado por mais seis meses, anunciou essa semana o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, relator do inquérito. A prorrogação passará a valer a partir do dia 15 de julho, quando termina o prazo anterior. Em junho, o Supremo confirmou a validade da investigação, que foi iniciada em março de 2019 e, de lá para cá, já atingiu políticos, empresários e blogueiros que apoiam o presidente Jair Bolsonaro.  

*Abandono de incapaz

A primeira-dama de Tamandaré, no litoral Sul de Pernambuco, Sari Gaspar Corte Real, foi indiciada por abandono de incapaz no inquérito sobre a morte do menino Miguel Otávio, de apenas 5 anos, que caiu de uma altura de 35 metros, no prédio de luxo onde Sari Gaspar mora, após ser deixado no elevador do nono andar sozinho por ela, que é a ex-patroa da mãe do garoto, Mirtes Renata. O inquérito foi concluído na quarta-feira, 01, e, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Sari cometeu um ‘crime preterdoloso’, quando o acusado pratica um crime diferente daquele que pretendia inicialmente cometer. A pena varia de quatro a 12 anos.

Queimadas recordes em junho

O número de queimadas na Amazônia em junho foi o maior registrado para o mês em 13 anos, segundo dados divulgados na terça-feira, 30, pelo Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados são gerados com base em imagens de satélite. O aumento é de 19,6% em comparação ao mesmo período em 2019. Em números absolutos, foram 2.248 focos ativos este ano, contra 1.880, no ano passado. O Inpe revelou que a média histórica de queimadas para o mês de junho é de 2.724. No mês passado, o índice ficou 17% abaixo da média dos últimos 21 anos, mas desde 2007, os focos ativos não passavam de dois mil.

Fonte: Correio