O que é quarentena? Entenda quando ela acaba, como cuidar da saúde mental e mais

Desde março, com a chegada e intensificação da pandemia do novo coronavírus no país, o brasileiro precisou se acostumar com um nova realidade nunca vista por esta geração e, com isso, adotar novas palavras e termos ao seu cotidiano.

1- Quarentena

2- Isolamento social 

5- Distanciamento social (restrito e ampliado)

4- Lockdown

Com significados muito parecidos, mas que na prática possuem diferenças, essas palavras são determinações e medidas de contenção da propagação do vírus. Elas estão na boca do povo, mas ainda geram dúvidas não apenas sobre o que significam, mas também sobre o que exigem e até quanto tempo podem durar. Entenda abaixo um pouco mais sobre esses termos.

O que é quarentena?

O termo quarentena é utilizado para definir o isolamento de certas pessoas, lugares ou animais que podem acarretar perigo de infecção.

O período de quarentena é relativo e depende do tempo necessário para proteção contra a propagação de uma determinada doença. Isso significa que o tempo de quarentena pode variar e nem sempre compreende o período de 40 dias, podendo ser menor ou maior. No entanto, adota-se o termo de forma genérica, e, durante esta pandemia, ele vem sendo utilizado com pouca precisão. 

Na quarentena, geralmente ocorre o distanciamento social, que pode ser brando ou mais extremo e é classificado em dois grupos: o Distanciamento Social Ampliado (DSA) e o Distanciamento Social Seletivo (DSS). 

Distanciamento Social Ampliado

No contexto da pandemia de Covid-19, o Distanciamento Social Ampliado foi o utilizado como medida. Ele determina o fechamento de escolas e estabelecimentos, e a paralisação de serviços e atividade econômicas não essenciais. Nessa medida, é recomendado às pessoas que fiquem em casa e só saiam para o necessário.

Distanciamento Social Seletivo

Nesse caso, há uma seleção das pessoas que deverão adotar a medida. Na pandemia de coronavírus, por exemplo, seriam escolhidas pessoas que estão no grupo de maior risco para sintomas graves. Muitos defendem essa medida, por teoricamente ser menos danosa para as atividades econômicas e menos traumática para a população. 

No entanto, ela é menos eficiente, e especialistas alertam para o risco de sua aplicação sem as condicionantes mínimas de funcionamento do sistema de saúde (leitos, ventiladores mecânicos e EPIs disponíveis, por exemplo), pois os grupos de risco continuariam tendo contato com pessoas infectadas, tornando mais difícil o controle da transmissão do vírus.

Quando acaba a quarentena?

Essa é a pergunta que todos fazem, mas não há uma resposta definitiva. A OMS recomenda que se inicie a flexibilização quando a curva do pico de transmissão comece a cair, mas em alguns lugares no país a curva ainda não atingiu o pico. Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Saúde prevê que isso ocorra na segunda semana deste mês (julho).

Isolamento social

O termo, também muito utilizado de forma genérica durante a pandemia, é o entendimento clássico de quarentena. É utilizado para isolar alguma pessoa ou grupos de pessoas doentes e assintomáticas do restante da população não doente, para que haja o controle da disseminação do vírus.

O isolamento pode ocorrer em domicílio ou em ambiente hospitalar, conforme o estado clínico da pessoa. Essa ação pode ser prescrita por médico ou agente de vigilância epidemiológica e tem prazo máximo de 14 dias, no caso da Covid-19.

Lockdown na quarentena

Assim como o Distanciamento Social, o lockdown também é uma determinação estatal que visa diminuir o contato entre pessoas para, dessa forma, controlar a propagação do vírus. A diferença entre os dois termos está na intensidade de suas ações. 

Enquanto no distanciamento as pessoas são recomendadas a não saírem de casa para atividades não essenciais, no lockdown essa ação passa a ser obrigatória e há um maior controle da circulação de pessoas. Basicamente passam a funcionar apenas supermercados, farmácias e hospitais.

Em geral, inclui também o fechamento de vias e proíbe deslocamentos e viagens não essenciais.

Brasil, Minas e BH

No Brasil, os governos de Estados e prefeituras possuem autonomia para quais medidas devem adotar conforme o contexto que se encontram. Mesmo com o crescente número de casos da doença, em grande parte do país, a flexibilização do distanciamento já começou, e o lockdown foi decretado em poucos lugares. 

No caso de Minas, o governo do Estado adotou um plano de abertura chamado Minas Consciente dividido em três ondas: verde, branca,  amarela e vermelha. 

  • Nos municípios que se enquadram na onda verde, devem funcionar apenas serviços essenciais. 
  • Na onda branca, a primeira fase de flexibilização, algumas outras atividades são incluídas na lista de abertura 
  • Na onda amarela, é a segunda fase de flexibilização, e a vermelha, é a terceira e última, para municípios em que os casos estejam mais controlados e o número de leitos ocupados sejam baixos.

Quarentena em BH

Belo Horizonte, que não participa do Minas Consciente, atualmente está com um decreto em que apenas os serviços considerados essenciais podem funcionar. O município chegou a adotar medidas de flexibilização e caminhou até a segunda fase da abertura.

No entanto, com a crescente do número de casos e as UTIs trabalhando no limite de sua ocupação, o prefeito Alexandre Kalil regrediu ao estágio zero do distanciamento social. BH também cumpre os requisitos para adotar lockdown, mas a prefeitura ainda estuda a possibilidade.

Saúde física e mental na quarentena 

As medidas de controle são extremamente necessárias no contexto de uma pandemia. Especialistas afirmam que, enquanto não há um tratamento eficaz e uma vacina, o distanciamento é a medida mais efetiva para o combate.

No entanto, mesmo sendo positivas no sentido de combate, as medidas geram impactos negativos sobre a vida das pessoas, que passam por questões econômicas bem como problemas emocionais e físicos. O contexto de isolamento social, as incertezas sobre o futuro e o medo de contaminação podem ser, para algumas pessoas, o estopim para desencadear uma crise de ansiedade e outros distúrbios mentais.

Uma pesquisa recente realizada pelo professor Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro, feita com 1.460 pessoas em 23 Estados do Brasil em março e abril, apontou que as ocorrências de ansiedade e estresse aumentaram 80% entre os entrevistados nesse período.

Para evitar o aparecimento e agravamento desse distúrbio durante este período, especialistas em saúde mental indicam uma série de medidas a serem adotadas individualmente.

Tríade do bem estar

O acompanhamento psicoterapêutico, a alimentação saudável e a prática de exercícios físicos formam a tríade capaz de dar esse bem-estar à mente, segundo a pesquisa do professor Alberto Filgueiras. “O mais importante talvez seja a consulta a psicólogos por via virtual. Esse atendimento é preventivo, e a gente tem evidências sólidas nesse sentido”, diz. 

“O segundo aspecto é a prática regular de exercícios, entre três e cinco dias da semana, de intensidade leve a moderada. A alimentação saudável baseada em fibras e proteínas também é bastante significativa, pelo que a gente encontrou”, relata  o professor.

Evite o excesso de álcool 

Na quarentena, é normal que as pessoas busquem escapes para aflição e isso pode levar ao consumo abusivo de bebida alcóolica. No entanto, o efeito pode ser prejudicial para a saúde física e também intensificar os sintomas de ansiedade.

Contato virtual
Outra dica importante dos especialistas é burlar a solidão imposta pelo distanciamento por meio de ferramentas virtuais. A solidão é um fator determinante para o desencadeamento de uma crise de ansiedade e depressão.

Fonte: Agencia Brasil