Cine Holliúdy está de volta com muito humor e poesia

A série Cine Holliúdy está de volta nas noites de terça-feira na programação da Globo/TV Bahia. Com muita poesia e humor, a produção conta a história do cinemista Francisgleydisson (Edmilson Filho) e sua luta para manter viva a arte do cinema em Pitombas, cidade fictícia no interior do Ceará, depois que um aparelho de TV chega à cidade. 

Cine Holliúdy é uma série de Marcio Wilson e Claudio Paiva, baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Golmes. Na história, Francis, dono da única sala de filmes da região, vê o faturamento cair quando a novidade tecnológica cai no gosto popular. A iniciativa do prefeito Olegário (Matheus Nachtergaele) para atender às vontades da primeira-dama, Maria do Socorro (Heloisa Perissé), lota a praça de pessoas que querem assistir à novela no novo equipamento. 

Enquanto se desdobra para tornar seu cinema mais atrativo, Francis se encanta pela enteada de Olegário, Marylin (Letícia Colin), que chega de São Paulo a contragosto, mas logo encontra uma razão para ficar. Ao lado de Francis, a paulistana vai viver dias de muitas aventuras com muito sotaque cearensês. “Recebi a notícia da reexibição de  Cine Holliúdy com muita alegria, muito orgulho. Eu aprendi demais nessa série que tanto tem a ensinar a gente. A Marylin é uma personagem que é salva pela arte, pelo cinema. E ela descobre que pode se desenvolver nesse ofício que é atuar. E a gente vê nessa história a força resistente do cinema, que é muito atual”, descreve Leticia Colin.  
 
O ator Matheus Nachtergaele também comemorou o retorno da produção à tela da Globo. “É para ser assistida pela família inteira, é uma série para o Brasil fazer as pazes consigo. Ela vai ser um grande alívio, vai animar as nossas vidas e nos fazer sorrir”, afirma Matheus. 
 
Gravada em 2017 na cidade de Areias, no interior de São Paulo, Cine Holliúdy se passa em um Ceará da década de 70. Para isso, o município de cerca de 4 mil habitantes recebeu, por três meses, um verdadeiro mutirão para transformar as fachadas de prédios e da praça central e deixá-las mais coloridas e conectadas às referências da época.      
 
Com dez episódios, a série faz uma homenagem à sétima arte e conta com participações especiais de Ney Latorraca, Chico Diaz, Ingrid Guimarães, Miguel Falabella, Rafael Infante, Falcão, Bruno Garcia, entre outros. Seis dos dez episódios da trama ressaltam o trabalho de pesquisa em relação ao gêneros do cinema. Filmes de ficção científica, romance, terror, ação, faroeste, artes marciais e até filme bíblico fazem parte das histórias em que Francis, Marylin e Munízio (Haroldo Guimarães) se metem, colocando a cidade fictícia de Pitombas dentro de suas aventuras. 
 

 

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Edmilsson Filho vive Francisgleydisson, um apaixonado por cinema (Foto: Divulgação)

Entrevista com Edmilson Filho

 O que achou sobre a volta da série? 

Edmilson Filho – Saber do retorno da série à TV foi uma surpresa e me deu uma felicidade muito grande. Eu fiquei muito satisfeito por ver que é uma produção que está retornando por sua qualidade. 

 
Conta um pouco sobre o Francis, por favor

Edmilson Filho – O Francis é um personagem que me acompanha desde 2004. É claro que, com o passar do tempo, ele foi amadurecendo. Mas ele vem muito fácil para mim, porque estamos juntos na preparação de roteiro e das histórias. É um personagem que é muito dedicado, sonhador e muito brasileiro. Tenho essa sorte de fazê-lo no cinema e na televisão.

 Qual a importância desse personagem na sua carreira? Tem alguma característica ou algo que tenha aprendido com o Francis que possa ser destacado?

Edmilson Filho – O Francis foi o personagem que fez a minha carreira acontecer. Foi através do carisma dele que vieram outras oportunidades e eu consegui mostrar outra faces do meu trabalho com outros produtos e outros personagens. Mas o Francisgleydisson, com certeza, é o personagem mais importante da minha carreira até agora. Por conta do sucesso e das coisas que eu consegui através desse personagem.

Que cenas te marcaram? Quais você mais gostou de fazer e por que?

Edmilson Filho – O processo todo da série foi muito gostoso de fazer mas, como sou lutador, gosto muito das cenas de luta e do episódio do vampiro (com participação especial do ator Ney Latorraca). Foram cenas de terror muito legais de fazer. Outro momento bacana foi a participação da atriz Ingrid Guimarães. Quando mistura o terror com a comédia é muito bacana!
 
A série homenageia os gêneros do cinema. Mais do que nunca, as famílias estão vendo muitos filmes, séries e programas de entretenimento de maneira geral. Como você avalia a importância da cultura nesta fase de quarentena?

Edmilson Filho – Se as pessoas tinham alguma dúvida, estão vendo agora o quão importante é o artista. Você estar em casa e ter um filme, uma série, uma novela de qualidade que te traga momentos de felicidade que te faça esquecer as coisas ruins que estão acontecendo lá fora. A arte permite que você entre em um universo paralelo, que é o do entretenimento. Eu mesmo tenho usado a quarentena para ver muita coisa, e prefiro ver coisas que não tenham muita realidade, como um faroeste ou um filme de ficção científica. A arte nos ajuda a ter referências na vida. Por onde você passar sempre vai ter uma música que você escutou, um livro que leu, um filme que assistiu. Acho que as pessoas estão valorizando mais poder estar em casa e ver trabalhos de qualidade.

 Você acredita que a poesia e o humor tão presentes nessa produção podem ser um respiro em dias tão difíceis? Como você acha que o público vai receber a série?

Edmilson Filho – A poesia, o humor, essa coisa colorida, nordestina e brasileira, isso está voltando justamente por conta desse momento difícil que estamos vivendo. Trazer novamente uma série que se passa nos anos 70 faz você entrar em uma nostalgia, um mundo lúdico de fantasia, com os personagens e seus sonhos. Acho que as pessoas vão receber muito bem a volta dessa produção que tem essa mensagem sobre acreditar nos sonhos. 

Na ocasião do lançamento da série, você comentou que via nos brasileiros um pouco do Francis; essa postura de correr atrás dos sonhos, de não desistir. Como você avalia que as pessoas estão se adaptando ao ‘novo normal’? Acha que a pandemia e o período de isolamento estão fazendo com que as pessoas se revejam? O seu olhar sobre a vida mudou?  

Edmilson Filho – Ninguém sabe ainda como será o novo normal. Acho que isso tudo vai passar e as pessoas que conseguirem tirar uma lição disso vão melhorar. Eu tenho tentado ajudar as pessoas mais próximas. Acho que as pessoas vão se unir mais, vão tentar ser menos egoístas. E isso pode ter um saldo positivo no final das contas. Depois de toda tempestade vem a bonança. Desejo que as pessoas consigam sair melhores disso tudo.

Como está sendo a sua quarentena na Califórnia, o que você tem feito?

Edmilson Filho – A minha quarentena aqui na Califórnia é dentro de casa, não saio para nada, de jeito nenhum. Estou com vários projetos para acontecerem depois que tudo passar. Aqui, temos bem menos casos em relação a outras regiões, e as pessoas têm muita consciência. Quando é necessário, todos saem com máscara e respeitam o distanciamento social. Só saímos para caminhar no parque próximo, ter contato com a natureza e respirar um pouco de ar puro. Fora isso, é em casa.

 O que você planeja fazer logo que acabar a quarentena, quando todos puderem sair de forma segura? Tem projetos profissionais em vista?

Edmilson Filho – Vários projetos. Três filmes nos quais participo aguardam lançamento. Estou com a agenda bem cheia para quando tudo isso passar!

Se tivesse que mandar um recado ‘motivacional bruto’ para as pessoas sobre não desistir, sobre seguir adiante, como seria?

Edmilson Filho – Não abaixa a cabeça não! Se deu errado, levante a cabeça e vai. É uma coisa que aprendi quando era pequeno. Corre atrás, tenta e não desiste. Se não der certo, volta e começa de novo!

 

Fonte: Correio