'Cidadão não': mulher que atacou fiscal não tem registro como engenheira química

A mulher que viralizou no último domingo (5) após discutir e ofender um fiscal da Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro está sendo investigada pelo Conselho Regional de Química III (CRQ-III). Apesar de constar em seu currículo que ela é formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), em 2003, como engenheira química, ela não tem registro profissional junto ao CRQ.

Segundo o presidente do órgão, Rafael Almada, ao jornal Extra, uma investigação para saber se a mulher, de 39 anos, atuava como engenheira química ou se era responsável pela área na Taesa, última empresa onde ela trabalhou. Após viralizar com o ataque verbal “cidadão não, engenheiro civil, formado, melhor do que você”, dirigido ao superintendente de educação e projetos da Vigilância Sanitária do Rio, Flávio Graça, a mulher foi demitida, na segunda-feira (6).

“A profissional não possui registro junto ao CRQ-III. Estamos averiguando isso junto a Taesa. Enviamos um ofício nesta quarta-feira (8) para a empresa, perguntando como era a forma de contrato dela com eles. Se ela estiver falando a verdade, que é formada, mas atuava como engenheira química sem registro, ela agiu contra o código de ética profissional. Um engenheiro químico, para exercer plena e regularmente sua profissão deve obrigatoriamente estar registrado em Conselho de Fiscalização da Profissão (CRQ-III), segundo o Art. 25 da lei 2800/1956”, explicou Rafael Almada ao jornal Extra.

Segundo o presidente do CRQ-III, caso seja comprovado que a mulher atuou de forma irregular dentro da área, ela será responsabilizada e autuada, em forma de multa e até perda do direito de exercer a profissão.

“Ainda não procuramos a profissional diretamente porque estamos apurando os fatos. Se confirmar que ela atuava sem registro, vamos encaminhar o caso ao Ministério Público Federal e acionar a polícia. Ela ainda vai receber uma multa de até R$ 5.103,88, além de suspensão do direito de exercer a profissão em até dois anos por falta ética”.

De acordo com o Extra, a Taesa informou que a mulher desempenhava funções administrativas na área financeira, onde ocupava o cargo de Especialista de Planejamento e Controle, contratada em regime CLT. 

A mulher que atacou o fiscal tem ainda uma empresa, AC Engenharia e Consultoria Eireli, criada em abril de 2017, com capital inicial investido de R$ 94 mil. Na Receita Federal, consta como situação ativa e o endereço físico na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Porém, no site do CRQ-III, não há qualquer registro. Nada também consta no site do Conselho Regional de Engenheiros e Arquitetos (Crea).

“Se ela tem uma empresa de engenharia sem registro, neste caso, não há nenhum no CRQ-III, a situação é mais grave. No entanto, caso a empresa atue em vários ramos da engenharia, ela precisa ter um registro no Crea para funcionar, isso a legislação permite. Caso contrário, é irregular”, afirmou Almada, ao Extra.

Fonte: Correio