Concessionárias apostam no mundo digital para vender durante pandemia

O isolamento social está nos deixando, cada vez mais, conectados. Para ver amigos, usamos chamadas de vídeo. Comemorar aniversário ou fazer um chá-revelação? Da mesma forma, cada um em sua casa e com seu celular. Shows passaram a ser com lives. E, em um mundo tão online, a tecnologia virou aposta de muitos negócios para se reiventarem.

Um desses setores é o automotivo. Antes, era praticamente impossível pensar em comprar um carro sem conhecê-lo ao vivo. Nos sites das montadoras, dava até para ver opções e preços, simulando uma configuração desejada – mas dificilmente alguém fechava negócio por ali. O canal funcionava mais como uma divulgação do que como um ‘ponto de venda’.

Então, veio a pandemia do novo coronavírus. Com a necessidade do isolamento social, para evitar que a covid-19 avançasse, as concessionárias foram fechadas – e a promessa de uma queda brusca nos negócios surgiu. A luz no fim do túnel, então, passou a ser a tecnologia.

“A Ford foi a pioneira com a iniciativa Compre Sem Sair de Casa. O cliente pode negociar tudo de forma online, seja por e-mail, Whatsapp e até redes sociais. Por exemplo, se você quiser ver algum detalhe do veículo no qual está interessado, podemos enviar fotos e vídeos. Também conseguimos fazer toda a simulação do financiamento, além da avaliação do seu seminovo, tudo pela internet”, diz Leonardo Ferreira, gerente de vendas da Indiana Ford.

Dessa forma, na concessionária, dá para fazer todo o processo digital para adquirir o Ford Ka SE, por exemplo, que está na promoção por a partir de R$ 45.990.

A estratégia digital também foi adotada na Gaulesa Citroën. E, com uma queda estimada de 90% a 95% dos clientes presenciais na concessionária desde que foi autorizada a reabrir, há cerca de um mês, a tecnologia está cada vez mais ganhando força.

“A quarentena nos fez ficar 100% conectados. E mais que isso: temos que ser rápidos. Se não respondermos um cliente no Whatsapp em pouco tempo, ele pode acabar negociando com um concorrente. Hoje, fechei com uma pessoa de Vitória da Conquista, que teve a chance de comprar um carro na própria cidade, mas preferiu negociar comigo. Veio fruto do anúncio digital, outra coisa que estamos investindo – usar o patrocinado do Google, do YouTube, de sites”, explica Augusto Salles, gerente de vendas da Gaulesa Citroën. Desses clientes, segundo ele, 90% optam pelo Citroën C4 que, na versão Fell automática, sai por a partir de R$ 88.190.

Na HMB Grande Coreia Salvador, o modelo digital foi aliado a um mais antigo: a ligação telefônica. “Estamos pegando nossa base de clientes, pessoas que compraram carro conosco há 2, 3 anos, e oferecendo o modelo novo. Além disso, investindo em Facebook e Instagram. Se percebemos que aquela pessoa está interessada, já pegamos o número e entramos em contato”, conta o gerente de vendas da concessionária, Gleidenilton Campos. Por lá, a configuração Sense do HB20 tem preço tabelado de R$ 47.990.

A tecnologia ajuda na negociação, mas tem sempre aquela vontade de conhecer o carro pessoalmente, certo? Há uma solução para isso também. Na Caoa Chery D21 Motors, na Paralela, o contato telefônico foi aprimorado e aliado ao delivery.

“Na ligação, já pesquisamos a forma de pagamento, simulamos financiamento, adiantamos o que podemos. Depois, vamos à casa do cliente, para apresentar o carro. Ele conhece e dirige. Levamos a maquina do cartão. Só não compra se não quiser”, afirma Paula Cardoso, gerente de vendas da concessionária. Entre as opções, está o Tiggo 5X 19/20, que, na versão top de linha, TXS, que tem valor a partir de R$ 93 mil.

Vendas 
De acordo com Raimundo Valeriano, diretor da Regional Bahia da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram cerca de 1,3 mil carros emplacados em junho no estado. O líder do ranking foi o Chevrolet Onix, com 265 automóveis vendidos. Em segundo, o Hyundai HB20, com 249 unidades licenciadas. E em terceiro, o Ford Ka, 205 exemplares. Fechando o top 5, apareceram a Fiat Toro (175) e a Fiat Strada (159).

Para julho, Valeriano espera que as vendas crescam e fechem em aproximadamente 2 mil veículos – o que seria um aumento correspondente a 53,84%. “O setor está demonstrando melhora. Ainda é uma queda de 85% se comparado ao momento pré-pandemia, mas é um sinal de recuperação”, comenta o diretor.

Valeriano, porém, não soube dar previsão de como o mercado automotivo ficará até o fim do ano. “Não tenho noção. As concessionárias abriram há pouco tempo, ainda é cedo para dizer”.

Fonte: Correio