Especialistas mostram como manter o network ativo mesmo no distanciamento social

Na canção Wave, o maestro Tom Jobim lembra que é impossível ser feliz sozinho. Se isso vale para as relações românticas, tem valor dobrado quando o assunto é o trabalho. Na verdade, o chamado network é fundamental para que profissionais de qualquer área consigam fazer trocas de experiências, capazes de gerar ganhos para todos os envolvidos.

Mas ao contrário do que muitos podem imaginar, a construção de um bom network não equivale a fazer marketing pessoal. De acordo com a diretora de Operações da Consultorias LHH no Nordeste Mariangela Schoenacker, as relações humanas e experiências compartilhadas são maior fonte de aprendizagem. “Toda chance de aprendermos o novo é um ganho profissional importante para nossa trajetória. Cultive seus relacionamentos, assim, você terá sempre pessoas para te apoiar nos seus desafios atuais e futuros”, diz.

A especialista em recursos humanos Mariangela Schoenacker lembra que as trocas humanas são sempre fonte de aprendizado e por isso são tão importantes(Foto: Américo Nunes)

A consultora de RH enfatiza que o networking é, justamente,  o processo criador e mantenedor das conexões interpessoais e que os encontros não precisam ser só de temas de trabalho, mas podem ser para discussão de um livro, celebração de aniversário, bate-papo com amigos ou simplesmente para saber como a pessoa está  lidando com a pandemia . “O mais importante que sejam momentos de troca e apoio mútuo, onde o outro sinta que o seu contato com ele é genuíno. Ajude para ser ajudado e informe para ser informado”, orienta.

Se a pandemia impôs o distanciamento social, o co fundador do Clube do Networking, Maurício Cardoso salienta que é possível tirar proveito desse momento. “Na verdade não estamos vivendo um ‘isolamento social’ e sim um ‘distanciamento físico’, o que significa que continuamos a nos relacionar socialmente”, diz ele. As interações podem e devem seguir muito ativas; o que mudou foi o espaço e o formato em que elas se dão. “Enviar um e-mail, uma mensagem ou comentar uma postagem de um amigo é um ato muito simples que pode ajudar a manter o contato social”, explica Maurício. “A questão é saber usar a tecnologia para criar confiança”.

Contatos em redes

Quando o assunto é manter o contato, o presidente da seccional Bahia da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Wladimir Martins lembra que não adianta fazer cara feia para as redes sociais, pois elas são e continuarão sendo as principais formas de contato, especialmente nesse novo momento, onde houve um distanciamento no convívio social. “Fazer um bom network na quarentena é igual a fazer um network em qualquer tempo: é preciso que haja interação, que você faça significado na vida das pessoas, então, por isso mesmo, é preciso interagir, participar, comentar se fazer presente de uma forma positiva”, salienta.

O presidente da ABRH Wladimir Martins lembra que as redes sociais são excelentes aliadas e que a construção dos perfis pessoais não precisam ser diferentes dos profissionais (Foto: Divulgação)

Com uma postura bem próxima, Mariangela Schoenacker faz questão de lembrar que, num momento como a pandemia, onde muitas pessoas ficaram doentes, perderam parentes, perderam empregos, estão aprendendo novas formas de trabalhar e estão re-significando seus valores e prioridades, estar presente na vida das pessoas faz toda a diferença. “Planeje -se para interagir com pessoas da rede de relacionamentos. Temos que cuidar dos nossos contatos sejam virtuais, presenciais, via redes sociais, de forma que reflitam a imagem que queremos que os outros tenham de nós”, diz Mariangela, salientando que ter uma marca pessoal relevante é importante para a carreira. “O que os outros falam de você quando não está na sala pode ser determinante para uma pessoa querer conhecê-lo ou mesmo trabalhar com você”, ensina.

Então, não se faça de rogado e lance mão de ferramentas como o LinkedIn, Instagram, Facebook, Twitter, Whatsapp ou mesmo agendando encontros virutais via aplicativos como o Zoom, Google Meeting, Hangout, Microsoft Teams. Wladimir Martins salienta que vida pessoal e profissional são faces da mesma moeda, que não adianta separá-las, mas que, mesmo nos perfis pessoais, vale o bom senso. “Muitos recrutadores vão às redes pessoais para conhecer mais o perfil do candidato, por isso mesmo, o bom senso é um bom conselheiro na construção desses contatos que convivem conosco nas mais variadas esferas da vida”, finaliza.

Lembretes importantes:
1)      Para cada contato, uma estratégia.
2)      Nada de mensagem genéricas enviadas de uma vez para toda sua lista de contatos.
3)      Estude bem a empresa, o ramo do negócio e a pessoa que você vai contatar.
4)      Faça perguntas, não leve respostas.
5)      Fale no que pode contribuir nos desafios da empresa
Perguntas para se fazer:
•       Seus perfis nas redes sociais estão atualizados ?
•       Você está mantendo uma rede de contatos com as pessoas certas?
•       Você está presente no LinkedIn ?-  Portal de networking profissional online
•       Quantas conexões no LinkedIn você tem ?
•       Você buscou recomendações no LinkedIn?

1.      O que não fazer ?

•       Evitar pessoas e interação.
•       Lamentar sobre a vida.
•       Falar mal do antigo empregador.
•       Não ter certeza do que quer com o contato.
•       Não ter nada para dizer.
•       Falar sem prestar atenção no outro.
•       Deixar de cumprir acordos.
•       Nada de ficar se autopromovendo.
•       Não ser invasivo ou indelicado caso não receba resposta de contato no tempo que esperava. As pessoas e as empresas tem tempo diferentes de resposta.

Fonte: Correio