Hermes Pardini já realizou cerca de 270 mil testes do novo coronavírus

A Live do Tempo desta segunda-feira (13) recebeu Victor Pardini, médico com mestrado e doutorado pela Escola Paulista de Medicina e presidente do Conselho de Administração do Grupo Pardini, e Alessandro Ferreira, doutor em genética e VP do Grupo Pardini. Eles falaram sobre as ações que a empresa teve que adotar para atender a uma crescente procura por testes para detectar a Covid-19, que chegam a 7.500 exames diários. Victor e Alessandro também alertaram para a importância de não se adiar por muito tempo os exames sem relação com o coronavírus que estavam marcados e ressaltaram a segurança nas unidades caso a pessoa prefira ir pessoalmente realizar seu atendimento. Confira entrevista.

Qual é o papel do Grupo Pardini nesta pandemia, uma vez que a empresa atende mais de 6.000 laboratórios em todo o Brasil?

Alessandro Ferreira: Antes de tudo, a população precisa entender que ainda estamos em pandemia. O que a a gente vem observando no comportamento da população, do paciente e do consumidor é que, com o relaxamento das cidades, existe um entendimento de que as coisas estão melhores do que estavam, mas elas não estão. Estão complexas, principalmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os casos estão aumentando muito. E o Pardini, desde o começo do relato do primeiro caso no Brasil, foi um dos primeiros ou o primeiro laboratório a ter disponível internamente a metodologia do RT-PCR, que é aprovada pelo Ministério da Saúde. A gente vem aumentando a nossa capacidade de atendimento não só de exames, mas também nas nossas unidades e para os nossos laboratórios parceiros no Brasil. A gente começou atendento exclusivamente hospitais, principalmente para atender os casos mais graves, aos poucos fomos aumentando e o que a gente observa é que estamos numa corrida entre a capacidade de atendimento das instituições de saúde e, no nosso caso, a capacidade de atendimento de realização dos testes no call center e nas unidades, e a velocidade com que a pandemia cresce. Hoje, aumentamos bastante, estamos produzindo algo em torno de 7.500 testes de RT-PCR por dia, mais os exames solorógicos. Hoje, o Brasil tem aproximadamente 1,8 milhão de casos com diagnóstico de Covid-19 confirmados, e o Pardini fez algo em torno de 90, 92 mil casos positivos. Ao todo, até o presente momento, a gente está por volta de 260, 270 mil casos analisados. É um impacto de saúde pública no Brasil todo. Às vezes, a população de Belo Horizonte não tem a ideia do alcance do Grupo Pardini, nós estamos em algo em torno de 2.000 cidades no Brasil, participando literalmente no combate ao controle da pandemia.

Victor Pardini: Sem medo de errar, foi um papel muito importante do Pardini. Se a gente não tivesse atendido esses hospitais e laboratórios no Brasil inteiro, essas pessas iam ficar sem dignóstico. É uma situação em que você se sente muito orgulhoso de ter tido esse papel para ajudar os laboratórios no Brasil todo. E a gente estava pronto na hora que precisaram. Foi muito importante para nós e para as pessoas, os casos de hospitais são mais graves, necessitando de internação e de uma medida de suporte mais adequada.

Nessa pandemia, vocês que têm esse volume grande de exames, têm percebido uma queda de outros tipos de exames que não são vinculados à pandemia?

Alessandro Ferreira: Sim, isso aconteceu. Desde o começo da pandemia, as pessoas foram obrigadas a ficar em casa. E independentemente da condição de saúde de cada uma delas. Recentemente, saíram alguns estudos, em algumas áreas, e eu chamo a atenção para um grupo de doenças chamadas crônicas não transmissíveis, doenças que acompanham o paciente a vida toda, que precisam de acompanhamento de perto e, por isso, mantém o paciente sob controle, com qualidade de vida. A partir do momento que ele perde esse controle, ele pode ter um agravamento do quadro. Nesse grupo estão hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer. A Sociedade Brasileira de Oncologia divulgou recentemente um dado mostrando que, desde o começo da pandemia, aproximadamente 50 mil casos de câncer deixaram de ser diagnosticados. Isso é muito grave. Podemos colocar uma série de outras doenças que os pacientes ou vão ter uma piora do quadro ou vão ter um disgnóstico tardio. O que é importante. Os consultórios médicos e os laboratórios são locais seguros. Os profissionais, médicos, de laboratórios, são treinados e capacitados para atender nesse tipo de situação de risco. Diferente de outros negócios, onde existem fluxos paralelos para o atendimento de paciente, nos laboratórios e consultórios médicos, existem fluxos específicos, controles de qualidade. A população não pode nem perder o autocuidado e nem deixar de consultar o seu médico e fazer os seus exames. Hoje, as empresas acabaram se adaptando para esse tipo de situação. O Pardini mesmo criou vários tipos de frentes de atuação, desde a teleconsulta, os atendimentos a domicílio, o drive thru e o walking thru, que é um fluxo separado dentro da unidade, onde o paciente vai a pé até a unidade se não tem carro e é atendido em separado. Implantamos de uma maneira inédita. É extremamente importante. Essa conta vai explodir no serviço público de saúde e no sistema privado, onde esses pacientes que deixaram de se consultar durante a pandemia, vão aparecer nos hospitais, clínicas e laboratórios mais graves e vão necessitar de cuidados mais agudos.

Sobre a terceirização, o que a gente pode falar do Grupo Pardini, vocês que têm um grande centro em Vespasiano. Como o grupo se preparou para isso?

Victor Pardini: Tivemos que montar uma estrutura em relação à coleta de exames em todo o Brasil. Para poder manter a coleta, a gente sabe que 95% dos voos por  todo o país foram cancelados. E o laboratório tem que passar nessas cidades e trazer o material para Vespasiano, onde temos o grande centro. Montamos uma estrutura de termos uma aviação dedicada e exlcusiva para o Hermes Pardini trazer essas amostras do Brasil todo para cá. Foi uma coisa muito bacana. Essa logística para manter toda essa estrutura de suporte aos laboratórios num momento de crise da aviação que estamos vivendo.

Alessandro Ferreira: A esse serviço, nós temos o Pardini Jet Lab. Tínhamos esse paradoxo, esse dilema, a demanda por testes de Covid e de outras doenças. O serviço substituiu, através de aeronaves dedicadas, os voos comerciais e conseguimos manter o serviço de atendimento. A terceirização, chamamos de apoio laboratorial. Com isso, conseguimos manter o atendimento. O Pardini já tinha feito na greve de caminhoneiros, quando o Brasil praticamente parou, e a gente foi desafiado a manter o nível de serviço. Tivemos que fazer algumas adaptações de rotas, rotas terrestres, para abastecer o voo, mas continuamos a prestar esse serviço de maneira ininterrupta. Precisamos que todos entendam, tanto os laboratórios que nós atendemos como os pacientes, médicos, que estamos passando por um momento de pandemia, isso gera uma série de moficiações no serviços. Costumo dizer que todos os negócios e serviços passaram por adaptações devido à pandemia. E as empresas de saúde também precisam se adaptar às regras sanitárias, às novas orientações devido à pandemia. Por exemplo, o modelo de nosso recolhedor, seja através de carro ou de moto, foi adaptado, uso de EPIs, existe um tempo maior de recolhimento dessas amostras. Nas nossas unidades, a mesma coisa. Fazer uma coleta de Covid não tem a mesma velocidade de uma coleta de sangue. É delicado, muitas pessoas enjoam, tem um incômodo muito grande. As pessoas estão demandando muitas informações, e a gente vê elas entendendo que o tempo e a maneira deveriam ser os mesmos como sempre foi. Não é em nenhum negócio ou serviço. 

Victor Pardini: Nós temos 140 atendentes em Belo Horizonte e 50 de call center, mais 50 em São Paulo, no Rio e em Goiânia. A população inteira resolveu fazer exame de Covid. Tem pessoas que já fizeram quatro, cinco, seis vezes ou que fazem de todos os funcionários, familiares, ininterruptamente. Nós estamos vivendo esse pânico, o que nos preocupa muito porque estamos em pandemia em que temos que fazer uma quantidade enorme de exames. Nunca deixamos de atender os pacientes, e o interessnte é que o mineiro, eu acho que ele foi muito bem acostumado por nós do Pardini. Sempre liberamos o resultado muito rápido. O resultado de Covid, o RT-PCR, estava saindo com três a quatro dias. Com esse aumento da demanda, passamos a liberar com cinco ou seis dias. Isso foi o suficiente para as pessoas terem um certo estresse. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os laboratórios, nossos concorrentes, liberam o exame com 15, 16 dias. Mesmo com uma situação crítica que estamos vivendo, estamos conseguindo liberar os exames muito rápido. Nós criamos o portal Covid, a pessoa entra no site do Pardini  – pardini.com.br/coronavírus, e ali ela consegue resolver tudo. Não há a necessidade mais de você telefonar ao laboratório para marcar como se fazia antigamente. Você marca seu exame na unidade que quiser, no horário que quiser, fazendo pagamento e até usando convênio. Existe acesso aos convênios para a pessoa enviar as guias, é tudo facilitado para que as pessoas consigam ter o atendimento melhor possível e o mais simples possível. No portal do Pardini, você consegue resolver 99% das coisas e pode selecionar o drive thru, o domicílio ou o walking thru e consegue fazer todas essas marcações.

Qual é o momento de procurar um laboratório, com que sintoma, que tipo de exame deve buscar primeiro? Qual a segurança que vão encontrar para realizar o exame nas unidades.

Victor Pardini: Se a pessoa tem contato com outra ou começa a manifestar sintomas, a pessoa tem que sabe o momento, porque se ela fizer na hora errada, o exame vai dar errado. Se teve contato com que esteja contaminado e acha que pode ter a doença, não adianta correr ao laboratório. O ideal é esperar de três a cinco dias para fazer o exame, que seria o tempo para saber se ela se contaminou. De preferência, que fosse ao laboratório somente se tiver sintomas, mas como o estresse está muito grande, eu sugiro que espere uns cinco dias, se tiver tido contato com alguém contaminado, para realizar os exames. Se você manifesta os sintomas,  o ideal é que se espere pelo menos o terceiro dia de sintomas. O RT-PCR, que é o exame que deve ser feito nesse momento, que usa o cotonete, que seja bem colhido e colhido certo. O coronavírus é intracelular, precisa retirar células na região da nasofaringe, no fundo do nariz, e a mesma coisa na orofaringe, que fica atrás da úvula. Tem que passar o cotonete naquela região e retirar células. É um exame um pouco incômodo, mas se ele não for bem feito é uma das chances de dar falso negativo. Os falsos negativos em RT-PCR praticamente se resumem à coleta ou ao transporte. Alguns laboratórios estão congelando a amostra, não recomendamos. Não pode entregar o coletor para a própria pessoa fazer a coleta no nariz. Nem enfiar na boca. Não colocar apenas na pontinha do nariz. O laboratório criou um curso de treinamento para os laboratórios do Brasil inteiro sobre como coletar na naso e na orofaringe o exame para Covid. É fundamental uma boa coleta. Não precisa de desespero, de correr ao laboratório. O RT-PCR é o exame indicado para ser feito na fase aguda da doença. Algumas pessoas têm ligado para o laboratório depois de muita insistência e às vezes até reclamam que a telefonista não está orientando qual o exame que ela tem que fazer. Isso é papel do médico, é quem orienta qual exame deve ser feito. Na fase aguda é o exame RT-PCR, depois para avaliar se a pessoa teve a doença, a gente passa a fazer os anticorpos, que passam a subir a partir do décimo, décimo primeiro dia, na maioria dos casos, e aí é o momento de fazer o exame sorológico, aquele que se colhe o sangue. Muito importante é que esse coronavírus nã estudou medicina porque ele está fazendo tudo errado, tudo diferente do que a gente aprendeu, e até os médicos confundem. Quando você faz um exame de rubéola, sarampo, de doença infecciosa, o IGM, IGG e o IGA, que são os anticorpos, já sobem no começo da doença. O IGM com dois, três dias, e o IGG, com cinco ou seis dias. A gente está vivendo uma situação que até para os médicos não é comum. O IGM e o IGG sobem praticamente juntos. Já tivemos casos no laboratório em o IGG subiu antes do décimo dia e depois é que foi ter a viragem do IGA ou do IGM. Iniciamos esses exames com os primneiros testes, com IGA e IGG, porque o IGA é um anticorpo  de secreção  e ele subia bastante. Funcionou muito bem a sorologia com IGA e IGG e temos também IGM e IGG, mas são exames de sangue. Todos eles foram testados antes de serem colocados à disposição dos clientes pela nossa equipe de pesquisa e desenvolvimento, porque tem muita coisa, mesmo em RT-PCR que tem sido usado nos Estados Unidos e que a gente não validou.

A pessoa do grupo de risco tem que agendar no laboratório para fazer um exame de rotina?

Alessandro Ferreira: Se a pessoa é do grupo de risco, a indicação é que você fique em casa. Eu sugiro que você solicite um serviço de coleta domiciliar. Os nossos coletores de domicílio têm um treinanamento especial e e um aparato de proteção especial para esse momento de pandemia. Os laboratórios são preparados para esse tipo de situação, de conviver com doenças infecciosas, já tivemos outras epidemias, não desse porte, mas doenças infecciosas graves circulando em Belo Horizonte e outras cidades. Temos fluxos separados, equipes separadas e até, em alguns casos, locais separados para atender, por exemplo, grupo de risco, Caso não queira fazer a coleta em domicílio, pode entrar em contato, se identificar como grupo de risco que temos um local na unidade Aimorés para atendimento de crônicos. Mas o mais prático é a coleta de domicílio.

Victor Pardini: O laboratório tem todas as unidades na parte da manhã funcionando. Existe todo um sistema de limpeza e cuidado, distanciamento entre os clientes, que foi feito exatamente para mudar o fluxo em relação ao coronavírus. Além disso, gostaria de falar do walking thru. Temos duas unidades dedicadas exclusivamente para coleta de Covid, que é a unidade Pio XII, e na unidade Centro, na avenida Amazonas. O ideal é que a pessoa marque a coleta pelo portal coronavírus. O objetivo é que a pessoa fique o menor tempo na unidade. Se faz o exame pelo drive thru ou pelo walking thru, vai chegar e apresentar um QRCode e imprimimos as etiquetas pelo vidro do carro, conferimos toda a documentação, e não tem contato com ninguém. Eu protejo o cliente do Pardini e os funcionários da empresa. Na parte da tarde, de 13h às 17h, as equipes são trocadas, e tenho as equipes para atender em domicílio. 

Alessandro Ferreira: A primeira medida que criamos foi o drive thru, funciona no Managabeiras, na praça da Bandeira, e com o tempo fomos observando que grande parte dos pacientes iam até o laboratório a pé ou de ônibus ou aplicativo. Aí criamos nessas duas unidades o walking thru. Pessoa chega e não vai passar pelas garagens de drive trhu, mas tem um fluxo separado. 

Aqueles testes de furar o dedo são eficientes?

Victor Pardini: Esse IGA é anticorpo de mucosa, tivemos a felicidade de ver que ele consegue detectar a fase um pouco quando começa a surgir a soroconversão. Validamos os testes sorológicos e passamos dois meses e meio estudando exames do teste rápido, da ponta do dedo. Testamos mais de 25 kits diferentes, os primeiros 15 vieram da China. Depois nem pegamos mais, o nível de sensibilidade de um teste chinês estava dando em torno de 30%. Muito baixo. Passamos a estudar os kits coreanos, encontramos um que tinha a sensibilidade na casa de 82% e ficamos em ele. O teste de dedo não tem funcionado, Estávamos perdendo muito tempo com essas pesquisas e deixando de lado coisas mais interessantes para as pessoas. Esses exames anteriormente eram usados como exames de pesquisa clínica. Você fazia a ponta de dedo, ia numa população, colhia e as pessoas não sabiam do resultado. Pesquisava para ver o grau de positividade de uma população. Exatamente porque o IGM dá muito falso positivo e o IGG também tem baixa sensibilidade. Então, não se utilizam esses exames para diagnóstico, fazem parte do rol de diagnóstico de exames, mas não é o exame utilizado para o diagnóstico da Covid. Então, temos o Golden Standard para a fase aguda, que é o RT-PCR, os sorológicos para ver se a pessoa soroconverteu e se está protegida da doença pelo menos por um período. 

Alessandro Ferreira: Uma das coisas que a gente tem que ficar atento é como vai se tratar a informação gerada por qualquer teste. Em relação ao teste rápido, existe um fator complicador que é como que a população está interpretando esse teste. Um resultado negativo de um teste rápido não pode ser considerado, precisa ser repetido alguns dias depois ou em outra metodologia. Está na literatura, divulgado no mundo todo. Um resultado positivo para teste rápido, se for um IGG, por exemplo, pode, dependendo do kit que passou por uma validação, tem uma experimentação prática e clínica, deve ser interpretado como sim, aquele indivíduo teve contato com o vírus. A sorologia da Covid  é muito complexa, a gente estuda HIV desde a década de 80, até hoje estamos aprendendo. Imagina um vírus que tem quatro meses, a gente sabe muito pouco sobre a imunidade dele, a própria biologia celular. Em virtude disso, que se pratique o Golden Standard, as boas práticas laboratoriais. Com isso, a gente tem mais chance de acertar. 

Victor Pardini: Uma coisa que temos que tomar cuidado, na propaganda a gente vê aqui temos teste rápido aprovado pela Anvisa. Ela é um órgão documental vai avaliar se a documentação está correta, se a tradução explica como fazer o exame, se tudo que está dentro da caixa está descrito na bula. Anvisa não testa e não faz validação de teste. No Pardini analisamos todos os testes. A gente também revalida cada lote que recebemos. 

O grupo está participando de pesquisas ou estudos para vacinas contra o coronavírus? 

Alessandro Ferreira: Temos hoje um grupo grande de pesquisadores. Pardini investe em pesquisa e desenvolvimento há anos, fomos o primeiro laboratório do Brasil a ter o teste molecular do Zicavírus. Já tínhamos seis meses antes do primeiro caso oficialmente ser publicado no Brasil. Não participamos de nenhuma pesquisa diretamente com vacina. Ela é produzida por um outro tipo de indústria que o Pardini não participa.

Fonte: Agencia Brasil