Varejo baiano teve prejuízo diário de R$ 87 milhões entre abril e maio

O comércio varejista baiano sofreu queda anual de 33,2% em abril e teve um prejuízo calculado em R$ 3 bilhões. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a variação referente ao mês de maio e o resultado foi negativo, porém relativamente menor, de -27,3%. O prejuízo para o mês, em termos monetários, foi de R$2,3 bilhões, de acordo com cálculos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio-BA).

Somando o bimestre, abril e maio, o comércio perdeu R$ 5,32 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior, o que significa que, por dia, o prejuízo médio foi de R$87 milhões.

No mês de maio, somente o setor de supermercados conseguiu superar o resultado do mesmo mês de 2019, com alta de 1,8%. “Com a pandemia, as famílias tiveram que focar os seus gastos no consumo de produtos básicos do dia a dia e o setor tem a característica de ter a necessidade de frequência de compra”, explica o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.

Por outro lado, o setor de farmácias registrou queda anual de 13,4%. O economista pontua que “embora seja um setor essencial, as compras neste momento acabam sendo mais residuais, pois quem teve que comprar álcool em gel, antialérgicos, antigripais, entre outros medicamentos para se preparar, já fizeram em março e abril”.

Queda nas vendas de roupas
O destaque negativo do mês foi o setor de vestuário, tecidos e calçados com forte queda de 81,2%. Dois setores, entretanto, chamam a atenção pelo desempenho estar relativamente melhor do que se esperava, são eles: material de construção (-5,1%) e móveis e eletrodomésticos (-22,9%). Ambos demandam uma participação do crédito, por serem produtos mais caros.

“Com o auxílio emergencial de R$ 600 sendo prorrogado, as famílias tiveram condições de dar entrada num televisor ou geladeira nova, por exemplo, ou algum produto para realizar uma pequena reforma na casa, além de pagar contas e dívidas”, afirma Guilherme Dietze.

As demais quedas foram das seguintes atividades: combustíveis e lubrificantes (-21,2%), livros, jornais e papelaria (-73,2%), equipamentos para escritório (-44,4%), artigos de uso pessoal e doméstico (-45,8%), veículos e motocicletas (-52,9%).

Guilherme Dietze afirma que a política do governo de proteção social através do auxílio emergencial tem se mostrado como um importante amortecedor desta crise do coronavírus para a economia e o comércio. “Os números mostram que o pior período foi o mês de abril e maio já ficou relativamente melhor do que se esperava anteriormente”.

A Fecomércio-BA, no início da pandemia, havia feito uma projeção de perda diária de R$ 108 milhões. Não ficou distante do estimado e indica que a economia reagiu de uma forma lenta, mas está na tendência de melhorar gradativamente. De qualquer forma, a projetação da entidade para o primeiro semestre é de queda de 17%, somando um prejuízo de R$ 8,4 bilhões.

Fonte: Correio