Estudo explica por que coronavírus raramente é transmitido na gravidez

Os fetos raramente são infectados pelo novo coronavírus, uma vez que a placenta parece produzir quantidades muito pequenas do receptor usado pelo vírus para penetrar nas células humanas, conclui um estudo realizado nos Estados Unidos. 

Um bebê nasceu em março na França após ser infectado durante a gravidez, segundo um estudo publicado nesta terça-feira pela revista “Nature”. Trata-se do primeiro contágio deste tipo, segundo os médicos que acompanharam a mãe da criança. O bebê apresentou sintomas neurológicos relacionados à Covid-19 em adultos, mas se recuperou em três semanas.

Na Itália, pesquisadores que estudaram cerca de 30 mães infectadas encontraram rastros do vírus em uma placenta, no cordão umbilical, na vagina de uma mãe e no leite materno, mas nenhum bebê nasceu testando positivo para o SARS-CoV-2. 

O novo estudo, realizado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e publicado nessa terça-feira (14) na revista “eLife”, baseia-se no sequenciamento do material genético colhido da placenta e das membranas que contêm líquido amniótico. Estas células não tinham as instruções genéticas para produzir o receptor ACE2, que se encontra em outras partes do corpo e que foi identificado como a porta de entrada para o novo coronavírus, principalmente nos pulmões ou no sistema digestivo.

“As moléculas necessárias para que as células possam ser infectadas pelo SARS-CoV-2 raramente manifestam-se na placenta”, explicou à AFP o autor principal do estudo, Roberto Romero. Cientistas observaram que as instruções genéticas necessárias para a criação dos receptores usados pelo vírus da zika ou os citomegalovirus, ao contrário, estavam presentes de forma abundante. “Isso mostra que nossos experimentos fazem sentido.”

O trabalho ajudaria a explicar por que a chamada “transmissão vertical” da mãe para o bebê acontece em apenas 2% das gestações em que a mulher está infectada. Para estes bebês, os pesquisadores indicam que o vírus pode ter usado outra porta de entrada, com moléculas diferentes do receptor ACE2, e que mais pesquisas são necessárias para identificá-las.

 

Fonte: Agencia Brasil