Bares e restaurantes de Salvador pedem inclusão em 1ª fase de reabertura

A expectativa é de que Salvador comece a reabrir na próxima semana. Os bares e restaurantes só abririam depois, na segunda fase do processo, mas a Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (Febha) quer adiantar a retomada das atividades destes estabelecimentos. Nesta sexta-feira (17), a federação enviou uma solicitação para que a prefeitura inclua bares e restaurantes localizados fora de Centros Comerciais na primeira etapa de reabertura. 

De acordo com o presidente da Febha, Silvio Pessoa, apenas 5% dos estabelecimentos do tipo funcionam em centros comerciais e shoppings, que já vão retomar as atividades na 1ª fase de reabertura. “Fora dos shoppings, estão 95% dos bares e restaurantes da cidade. Com essa mudança, vai ser possível descentralizar a atividade espalhando os clientes pela cidade, o que causaria menos aglomeração e contaminação pelo coronavírus”, disse Pessoa.

A federação também pede a permissão para a utilização das calçadas com a reabertura dos bares. Pessoa apontou que o funcionamento em ambiente aberto reduz o risco de contágio dos clientes pelo coronavírus. “Em vez de ficar no ambiente fechado ficamos no ar livre em local natural. Em outras cidades do mundo se usa calçadas e também estacionamento nas vias”, afirmou.

Na última semana, o Prefeito ACM Neto já havia antecipado que a intenção era permitir o uso das calçadas. “Vamos permitir bares e restaurantes de funcionarem nas calçadas públicas, claro que de maneira ordenada, porque é muito mais seguro para o recomeço da retomada de que eles possam estar em praça pública, calçadão, que ambiente fechado”, disse.

Outro ponto que pesa para a reabertura, na visão da federação, é a atração dos turistas com o funcionamento dos bares e restaurantes. “Cidades que tiveram com situação muito pior que Salvador já voltaram a funcionar. Abrir os estabelecimentos é uma forma de mostrar para o turista que estamos voltando a normalidade. Temos sair na frente, quem divulga primeiro sai na frente”, pontuou o presidente da federação.

O aspecto econômico também foi lembrado por Pessoa, que ressaltou o encerramento das atividades de bares e restaurantes como consequência da suspensão do serviço. “A gente está parado há 120 dias, somente com despesas. Dos grandes restaurantes, 50% não voltarão mais, é uma triste realidade. Perdemos mais de 80 mil postos de trabalho no estado nos setores de hotelaria, bares e restaurantes”, indicou. 

Para Pessoa, a retomada do turismo terá um papel fundamental na reestruturação econômica de Salvador, por isso, a preocupação com os visitantes durante a reabertura da capital. Segundo a federação, o turismo é responsável por 20% do Produto Interno Bruto de Salvador, além de movimentar mais de 50 setores na cidade. 

Segundo a Febha, o setor já possui um protocolo para a reabertura com segurança, entretanto, o presidente não destrinchou o plano para a reportagem. “Os bares, restaurantes e hotéis são os que têm os protocolos mais rígidos porque a vigilância sanitária os fiscaliza quase que diariamente”, disse Pessoa.

Procurada, a Casa Civil de Salvador afirmou que o protocolo ainda está em discussão e, até o momento, a reabertura permanece como foi divulgada pelo Prefeito ACM Neto. 

Confira a nota da federação na íntegra abaixo:

“Durante a crise do COVID-19, as entidades sindicais signatárias, representantes de trabalhadores e empresários de hotéis, restaurantes, bares e similares apoiaram desde o início as decisões e ações da Prefeitura Municipal.

Mantendo-se a quarentena dos grupos de risco, a proibição de eventos, aglomerações e outras determinações do governo federal e OMS, chamamos atenção no que se refere a reabertura de bares e restaurantes ainda nesta 1ª fase, visto que na segunda-feira 20/07 atingiremos com a abertura de novos leitos nos próximos dias, 70% de ocupação dos leitos de UTI específicas para Covid-19. Além dos protocolos estabelecidos de higiene e prevenção ao contágio, solicitamos prioridade aos estabelecimentos de rua (não situados em centros comerciais) e o consentimento dos órgãos municipais quanto ao uso da calçada evitando assim contágio em ambientes fechados.  Isso servirá para descentralizar as grandes concentrações além de incentivar a vinda de turistas, dando opções aos mesmos.

Estamos prontos a continuar colaborando, e nesse sentido é importante pontuar que essas micro e pequenas empresas individuais e familiares no nosso setor precisam voltar a operar.

Na oportunidade renovamos protestos de estima e consideração.”

Fonte: Correio