Morre John Lewis, pioneiro na luta pelos direitos civis nos EUA, aos 80 anos

Um dos pioneiros do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, John Lewis morreu na sexta-feira (17), aos 80 anos. O congressista de Atlanta era um dos últimos ativistas negros da época de Martin Luther King e enfrentava um câncer no pâncreas.

Nascido em Troy, no Alabama, em 1940, o ícone norte-americano batalhou, ao longo de sua vida, contra a discriminação racial e a injustiça, sendo espancado várias vezes pela polícia em protesto. Quase morreu em uma manifestação antirracista pacífica em Selma, Alabama, em 1965, quando teve um crânio fraturado por policiais. Também foi preso repetidamente durante protestos contra genocídios e leis sobre a imigração.

“Hoje, os Estados Unidos choram a perda de um dos maiores heróis de sua história. John Lewis era um titã do movimento pelos direitos civis, cuja bondade, fé e bravura transformaram nossa nação, desde a determinação com que ele encontrou discriminação nos balcões de almoço, até a coragem que ele demonstrou quando jovem, enfrentando a violência. Ele trouxe liderança moral ao Congresso por mais de 30 anos”, declarou a presidente da Câmara americana, Nancy Pelosi, em comunicado.

“No Congresso, John Lewis era reverenciado e amado nos dois lados do corredor e nos dois lados do Capitólio. Ficamos com o coração partido por sua morte”, continuou.

Lewis tinha se afastado dos deveres legislativos para o tratamento do câncer. Apesar disso, fez sua última aparição pública no início de junho, perto da Casa Branca, em Washington, quando participou de um ato em meio aos protestos antirracistas motivados pela morte de George Floyd, um afro-americano sufocado por um policial branco em Minneapolis.

Quarto de dez irmãos em uma família de camponeses, Lewis cresceu em uma comunidade totalmente negra, onde rapidamente sentiu a segregação pela cor da pele. Quando tinha apenas 21 anos, se tornou um dos fundadores dos “Passageiros da Liberdade”, que lutaram contra a segregação racial no sistema de transporte público americano no início dos anos 1960.

Em 1963, foi o líder mais jovem na manifestação, em Washington, na qual Luther King proferiu seu histórico discurso “I have a dream” (“Eu tenho um sonho”).

Anos depois, Lewis chegou a confrontar o presidente dos EUA, Donald Trump, boicotando sua posse e ressaltando a interferência russa nas eleições de 2016 para questionar sua legitimidade.

Fonte: Correio