Pesquisa aponta que coronavírus já circulava no Brasil antes do primeiro caso

No começo de julho, um grupo de cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) considerou  a possibilidade de o novo coronavírus ter sido registrado no Brasil ainda em novembro de 2019. 
 
Segundo os pesquisadores da , foram encontrados registros de RNA do vírus no esgoto de Florianópolis.
 
As duas amostras seriam o primeiro registro da doença nas Américas e foram colhidas em 27 de novembro de 2019, dois meses antes do primeiro caso clínico ser relatado no Brasil, e foram acessadas pelos pesquisadores em 9 de junho deste ano.
 
Pois agora, uma nova pesquisa, mas da USP, em parceria com a Universidade de Oxford,  na Inflaterra, reforça essa tese de que o novo coronavírus estava sendo transmitido no país antes da confirmação do 1º caso, em pleno Carnaval.
 
De acordo com informações do portal G1, o estudo analisou quais variações do coronavírus infectaram mais de 400 brasileiros, de todas as regiões do país, até abril. O levantamento, que ainda não foi publicado, reuniu pesquisadores de laboratórios públicos e privados.
 
Os primeiros brasileiros com Covid-19 foram diagnosticados entre o fim de fevereiro e o começo de março e tinham voltado de viagem da Europa, sobretudo, da Itália, que, na ocasião, era o país mais atingido pela Covid-19 .
 
No entanto, a pesquisa da USP aponta que, naquela época, o vírus já estava circulando no Brasil. Ainda segundo a reportagem publicada no G1, foram encontradas 104 variações do vírus nos pacientes pesquisados. Mas, apenas três dessas variações conseguiram se espalhar para muitas outras pessoas – provavelmente porque chegaram ao país bem antes das medidas de distanciamento social.
 
Em entrevista ao portal da Globo, a coordenadora da pesquisa afirma que essas três variações do vírus tiveram origem na Europa e podem ter entrado no Brasil na época do Carnaval.
“O primeiro caso foi exatamente detectado numa terça-feira de Carnaval. Então, provavelmente, esses casos chegaram um pouco antes, uma semana, 10 dias, e começaram a replicar aqui”, explicou Ester Sabino, professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da USP.
 
Um dos laboratórios em São Paulo que participaram da pesquisa fez o sequenciamento genético dos vírus que infectaram dois moradores do Rio de Janeiro diagnosticados com Covid-19 no começo de março, antes que o estado tivesse declarado a transmissão comunitária.
 
Mas, ao contrário do que acontecia com os outros infectados naquele momento, essas duas pessoas não tinham saído do país e nem tinham estado com algum viajante. Ou seja, o vírus já vinha sendo transmitido pelo Brasil. E o que infectou os dois cariocas não foi um vírus vindo da Europa.
 
“Nos casos dos vírus que foram transmitidos internamente aqui no Brasil, a gente não conseguiu ter uma comparação perfeita, mas o que se chegou de maior semelhança foi com o material genético do coronavírus publicado na China”, relatou Emerson Gasparetto, vice-presidente médico da Dasa.
 
 

Fonte: Agencia Brasil