Sáttia Aleixo segue em estado grave; pais e irmã foram ouvidos pela polícia

O estado de saúde de Sáttia Lorena Aleixo segue grave, mas estável, informou na tarde desta sexta-feira (24) a família dela. Mesmo com uma leve melhora, a gravidade permanece e ela continua precisando de doações de sangue. A médica de 27 anos está internada no Hospital Geral do Estado (HGE) desde a segunda-feira (20) após ser vítima de uma queda do 5º andar da sacada do prédio onde mora no bairro de Armação. A Polícia investiga se o namorado dela, o também médico Rodolfo Cordeiro Lucas, foi o culpado pela queda. Rodolfo cumpre prisão preventiva na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brotas, em Salvador. Os pais e a irmã de Sáttia foram ouvidos pela polícia.

Primo de Sáttia e responsável por ser o porta-voz da família no caso, o advogado Anderson Moreira afirmou nesta sexta-feira (24) que sua prima está precisando de doação de sangue, que pode ser de qualquer tipo. Sáttia é do grupo sanguíneo O- e a família segue a campanha para angariar bolsas de sangue.

As doações devem ser feitas em nome de Sáttia Lorena Aleixo e podem ocorrer na Hemoba, próximo ao próprio HGE, de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 18h30.

“Ela teve uma leve melhora e está estável. A família ainda não pode vê-la. A doação pode ser em qualquer banco, mas se o doador quiser facilitar a doação é bacana fazer a doação no Hemoba do próprio HGE porque diminui o deslocamento e depois tem que entregar o comprovante no banco de sangue”, disse Anderson.

Anderson Gomes afirma que sua prima necessita de doação de sangue (Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

Ele desmentiu uma boato de que a prima tinha sido transferida para o Hospital Aliança. “Ouvi alguém dizendo que ela foi transferida para o Aliança, mas isso não procede e não é verídico. Ela continua no HGE.  Ouviram os pais e a irmã dela e a polícia está em busca de outras pessoas para escutar”, declarou.

Investigações
Titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Brotas) e responsável por conduzir as investigações que apuram a queda da médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo, Bianca Torres afirmou que está aguardando o resultado do laudo pericial para entender o que aconteceu na madrugada de segunda-feira (20).

Sáttia, de 27 anos, gritou por socorro antes de cair do 5º andar de um prédio no bairro de Armação. De acordo com relatos de testemunhas à polícia, ela caiu após uma briga com o namorado, Rodolfo Cordeiro Lucas, que também é médico e foi autuado em flagrante por suspeita de tentativa de feminicídio. O fato aconteceu na Rua Rodrigues Doria, no edifício Serra do Mar, no bairro de Armação, em Salvador.

“Ainda não podemos falar qual a linha de investigação. Nós estamos ouvindo as partes, foi solicitada a perícia do local do crime. Estamos aguardando o laudo para, a partir da posição que ela foi encontrada, saber se ela foi empurrada, se caiu e o que foi que aconteceu. Mas ainda precisamos aguardar o laudo”, disse a delegada, sem precisar uma data para a finalização do laudo.

Relação abusiva
A delegada Bianca Torres disse ainda que está ouvindo testemunhas como o porteiro do prédio, a primeira pessoa a ver Sáttia no chão. Quando a Polícia Militar chegou ao local, ele relatou que o casal havia brigado instantes antes de a médica cair do 5º andar do prédio. A delegada disse ainda que vai ouvir parentes de Sáttia e que já foi feita perícia no apartamento. Além disso, já foram solicitadas as imagens das câmeras do prédio.

Numa conversa com o CORREIO, o primo de Sáttia, o advogado Anderson Moreira, disse que a família soube que a briga teria sido motivada porque a médica descobriu que o namorado é casado. “Foi o que chegou para nós, de que a discussão era porque Sáttia ficou sabendo que ele era casado. Mas, por enquanto, é só uma especulação”, disse ele. A delegada Bianca Torres disse que esta informação não chegou até ela.

Sattia e Rodolfo estavam juntos há 7 meses; familiares relatam que namoro era conturbado e abusivo (Foto: Divulgação)

Sáttia e Rodolfo estavam juntos há sete meses e, segundo parentes dela, a médica vivia um relacionamento conturbado. “Ela estava numa relação tóxica, abusiva. Ele controlava ela em tudo. Fez ela deletar o perfil do Instagram, mexia direto no WhatsApp dela, tinha um ciúme doentio. Qual pessoa hoje em dia não está nas redes sociais? Ela não podia porque ele não queira. Cansava de ir ao trabalho dela para escoltá-la. Não deixava ela sair sozinha, só com ele”, contou Anderson.

O primo da médica disse que várias vezes ela terminou, mas voltava atrás porque ele dizia que ia mudar. “Era sempre assim. Ele chegava chorando e ela perdoava. Certa vez, ela me disse que tirou tudo dela da casa e foi morar com a mãe e ele foi atrás e garantiu que ia mudar”, relatou Anderson. Os pais de Sáttia moram em Senhor do Bonfim, no Centro-Norte da Bahia, mas vieram para Salvador para acompanhar o estado de saúde de filha.

Perguntado se Sáttia teria algum motivo que a levasse à tentativa de um suicídio, Anderson disse que não. “Jamais. Por toda a conduta dela, por amar a vida, por salvar vidas, por ser uma pessoa inteligente, ela não faria isso. Nós não estamos acusando ele de nada, apenas queremos o esclarecimento dos fatos”, finalizou. 

Fonte: Correio