Advogado explica quatro hipóteses para caso da médica que caiu do 5º andar

O caso da médica Sáttia Lorena Aleixo, que caiu do 5º andar de um prédio no bairro de Armação, ainda deixa dúvidas sobre o que pode ter acontecido na noite em que ela brigava com o namorado, o também médico Rodolfo Cordeiro Lucas. O fato aconteceu há cinco dias em Salvador e desde então ela, que tem 27 anos, permanece internada. No Instagram, o advogado criminalista e professor universitário Daniel Keller levantou quatro hipóteses do que pode ter acontecido naquele dia e explicou as implicações jurídicas de cada uma.

Hospitalizada em estado grave, Sáttia sobreviveu, mas ainda não pode contar o que houve. Já Rodolfo Cordeiro está preso preventivamente suspeito de tê-la empurrado. Ele já depôs à polícia negando que tenha provocado a queda da namorada e justificou que ela enfrentava uma depressão e tentou o suicídio. A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam/Brotas) segue investigando o fato.

Confira as quatro hipóteses explicadas por Keller:

1. Se confirmado que ele a arremessou, causando as lesões nela, o médico responderá pelo crime de tentativa de feminicídio
“Isso porque tentar matar uma mulher em violência doméstica é sempre crime de tentativa de feminicídio”

2. Se ela tentou se suicidar sem a participação dele
“Se ela queria o suicídio e se lançou do 5º andar sem qualquer participação de uma ação dele, neste caso, ela praticou uma tentativa de suicídio, que não é crime, e ele não responderia por nada criminalmente”

3. Se ela pulou sem que ele a tenha empurrado, mas ela só pulou para escapar de lesões praticadas por ele
“Imagine o fato de que ela estava sofrendo a violência doméstica e para fugir e escapar dele, ela acabou pulando. Nesse caso, apesar de ele não ter empurrado ela, ele vai responder também pelo crime de tentativa de feminicídio, até porque ela só pulou porque ele estava a agredindo ou tentando agredí-la. Ainda que ela tenha pulado voluntariamente, ele responderá também por tentativa de feminicídio”

4. Se ela, de fato, tentou o suicídio, mas ele a estimulou a fazer isso
“Vamos imaginar, numa hipótese, em que ela disse a ele: ‘Eu vou me jogar, eu vou me matar’ e ele disse: ‘Faça, duvido, quero ver se você pula mesmo’. Ou seja, ele instigou ou induziu ela a pular. Se isso aconteceu, nesse caso ele responderia por outro crime, que seria participação de suicídio na forma tentada. Ou seja, ele tentou participar, o crime não se consumou porque ela não morreu e por isso haveria a forma tentada do crime de participação em suicídio”

Fonte: Correio