Está com febre? Veja como funcionam as câmeras térmicas, que dobram vendas

Enquanto muitos setores patinam durante a pandemia do novo coronavírus, por diversos e justificáveis motivos, segmentos da área de tecnologia comemoram os bons resultados que o período trouxe. Um dos que conta com maior crescimento é o de câmeras térmicas e termográficas. 

De acordo com pesquisa recentemente divulgada pela Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese), a venda desses artigos deu um salto de mais de 100% entre março e maio, indo de 6,2% para 13,7% das comercializações do segmento de segurança eletrônica.

As câmeras térmicas têm sido usadas para identificar pessoas com temperatura acima dos 37,8°C em locais públicos, indicando que essas estão com febre, um dos sintomas mais comuns de quem é acometido pela covid-19, a doença provocada pelo coronavírus. Na capital baiana, por exemplo, o Aeroporto de Salvador, na Estação da Lapa e algumas estações de metrô já possuem equipamentos desse tipo. As térmicas são aquelas que medem a temperatura à distância, com uma acuracidade menor

Inicialmente, câmeras termográficas servem para monitorar fronteiras e florestas, a fim de detectar o calor do corpo à distância e  identificando a presença de pessoas escondidas, por exemplo. São mais precisas e têm alcance reduzido. Agora, com a pandemia, ganharam essa nova função, de auxiliar no combate à proliferação do vírus.

“As câmeras térmicas facilitam a medição de temperatura das pessoas em lugares de grande movimento, por serem fixadas na entrada dos estabelecimentos e evitarem aglomeração, diferentemente daqueles aparelhos manuais, que tornam inviável a aferição de pessoa por pessoa. As câmeras conseguem medir a temperatura de até 15 clientes ao mesmo tempo e se alguém estiver com a temperatura de 37,8°C ou mais, disparam um alerta”, afirma Rubens Branchini, especialista em segurança eletrônica e Diretor Comercial da Dealer Shop, distribuidora de produtos focada no segmento, entre outros.

Controle de acesso
A câmera pode, inclusive, servir de controle de acesso para determinado local, seja ele público ou particular. Numa determinada situação, caso ela detecte a temperatura acima do normal, pode barrar a entrada de uma pessoa ou emitir um alerta.  “Ela identifica a pessoa pela face, dispensando a necessidade de tocar na porta ou colocar o dedo em leitor biométrico”, explica Antônio Júnior, diretor de tecnologia da Teletalk, empresa baiana especializada em soluções de infraestrutura de redes e segurança como vídeo monitoramento e controle de acesso. 

Júnior explica que nem uso de máscara é um empecilho para a atuação da câmera e a programação do dispositivo pode também barrar quem não usa a proteção. “Ela pode detectar também se a pessoa estiver sem máscara, e só liberar o acesso quando a mesma colocar a máscara”, diz o diretor de tecnologia. Barato não é. Uma câmera com essa gama de possibilidades no controle de acesso é vendida pela epresa por US$ 3,6 mil. O preço em reais depende da cotação da moeda americana. 

Confira vídeo de demonstração:

Já as câmeras termográficas também podem ser acopladas em telefone celulares ou funcionar como verdadeiros terminais, em locais com maior fluxo de pessoas, mas que são monitoradas individualmente. A FLIR é uma das empresas que possui diversos produtos nesse segmento. Um modelo para celular – desenvolvido originalmente para ramos da engenharia – fica em torno de R$ 2 mil, um pouco menos do valor de uma câmera no estilo ‘pistola’. A de bolso, gira em torno de R$ 5,5 mil. Já os modelos profissionais, para grandes locais, passam dos R$ 60 mil.

Cãmera da FLIR pode ser acoplada ao celular e ser utilizada também em segmentos de engenharia

“As câmeras são as únicas adequadas para triagem de febre, com sensibilidade capaz de medições tão precisas quanto 0,3 °C no modo de aferição. Além de evitar que o contágio se espalhe, essa é uma forma de identificar as pessoas que estão doentes e assim direcioná-las para acompanhamento médico necessário. Mas, todas as normas da ISO precisam ser seguidas, caso contrário, os resultados podem ser inconclusivos”, explica Thomas Miliou, CEO da Poliscan Brasil, empresa que comercializa dispositivos da FLIR no país e é especializada no segmento de saúde. 

Confira o vídeo em que a empresa explica o funcionamento de uma câmera termográfica:

 

Fonte: Correio