Conheça o Dragão Azul, molusco de cor azulada encontrado em praia de Salvador

Foto: Reprodução

O “dragão azul”, como é conhecido um tipo de molusco da cor azulada, foi encontrado na última semana em uma praia de Salvador. Apesar de raros, os dragões azuis já foram vistos outras vezes no Brasil. Com cerca de 4 a 5 centímetros, eles costumam viver em mar aberto e acabam encalhando nas praias de várias partes do mundo.

Cristina de Almeida Rocha Barreira, doutora em Oceanografia Biológica e professora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) na Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que o nome popular “dragão azul” esteja relacionado ao aspecto de um dragão de asas abertas. 

De acordo com Cristina, os dragões azuis vivem flutuando na zona oceânica em regiões temperadas e tropicais. Os fortes ventos propiciam o encalhe dos pequenos moluscos nas praias, que chegam à areia devido a ação não só dos ventos, mas das correntes marinhas.

No Brasil, as aparições estão sendo mais comuns na litoral sul, com registros de ocorrências massivas desde 2011. “Em outras partes do litoral tem aparecido na mídia algumas ocorrências, mas bastante esporádicas, como essa em Salvador. Em todos os casos muito relacionados ao vento”, pontua.

Cristina afirma que estes animais marinhos podem, sim, causar queimaduras, pois conseguem incorporar em seus tecidos as células urticantes da caravela. Assim, ele pode causar “queimaduras” como aquelas provocadas pelas suas presas.

“Eles são organismos pelágicos, ou seja, ficam flutuando na superfície da água. Assim, podem acidentalmente causar “queimaduras” se entrarem em contato com as pessoas ou se forem propositalmente tocados, ainda que estejam na areia da praia”, pontua.

Apesar de não existirem registros documentados de dragões azuis no Ceará, ela afirma que há alguns relatos. Segundo o doutor em Oceanografia Luis Ernesto Bezerra, também professor do Labomar/UFC, no Ceará, o animal marinho já foi encontrado uma vez, no Porto do Pecém.

“Esse animal é um molusco planctônico, que vive flutuando na coluna d’água. Nesse segundo semestre, com a intensificação dos ventos alísios, as correntes acabam trazendo esse e outros animais, como a caravela e águas vivas, para a praia. Inclusive, águas-vivas, caravelas e seus parentes são o alimento desse molusco”, afirma.

Também chamado de lesma do mar, ele é um molusco gastropoda e é imune ao veneno dos nematocistos, o que não quer dizer que possa queimar pessoas. “Ele se alimenta de caravelas e águas-vivas porque é imune ao veneno dos nematocistos, que causam as queimaduras em humanos. Eles podem “adquirir” os nematocistos, de modo que passam a queimar”, afirma Ernesto. 

Caso algum seja encontrado na praia, não se deve tocar diretamente com a mão desprotegidas. Se possível, deve-se notificar o Laboma. “É importante para o desenvolvimento de pesquisas sobre as ocorrências deste organismo no nosso litoral”, pontua Cristina.

Fonte: Correio