Perdemos Portuga 

Perdemos Portuga. Sem o L, mesmo. Era assim que eu chamava o professor, o poeta, o meu amigo Jorge Portugal. Uma dor, uma dor que não dá para descrever. Um aperto no coração, um vazio na alma… 

Conheci Portuga quando ainda nem morava em Salvador, nas minhas vindas do Recife já ouvia falar no professor fera de Português e Redação. Quando mudei pra cá nos tornarmos grandes amigos. A paixão dele por Santo Amaro da Purificação me chamou atenção. Logo conheci a mãe dele, Dona Da Paz, uma senhora divertida, enérgica… Com uma voz rouca, contava histórias hilárias de Jorge – como ela chamava – da amizade com Roberto Mendes e o que eles aprontavam. Tudo isso regado a um farto café da manhã feito por ela.

Depois saíamos pelas ruas da cidade para passear, sempre tinha uma pessoa especial para apresentar. Com ele tive o privilégio de conhecer dona Edith do Prato, Dona Nicinha do Samba, Seu Pequeno, Fernando Rasta (do samba de roda)… Enfim, a cultura de Santo Amaro da Purificação. 

A última vez que nos vimos foi no dia 4 de janeiro deste ano, na festa do Terno Filhos do Sol, da família Velloso. Eu estava com minha amiga Cristina Costa. Foi uma festa quando ele nos encontrou e haja conversa e gargalhadas. 

Na última segunda-feira (3), ele foi embora e deixa um vazio. Não temos uma foto juntos. Portuga deixa uma saudade imensa. Vou guardar a imagem dele por toda minha vida. Não tive como me despedir dele, fisicamente, porque há mais de quatro meses não saio de casa. Mas, quando ele estiver agora de volta à sua amada Santo Amaro, vou agradecer a Deus por tê-lo conhecido. Obrigada, amigo-mestre. Nunca vou esquecer da deixa do quadro que fizeste na TV Bahia: “É assim que se fala, é assim que se escreve.”.

*Wanda Chase é jornalista e apresentadora

Fonte: Correio