Único a reverter vantagem, Arturzinho indica o que Bahia deve fazer

Se conseguir vencer o Ceará e se tornar campeão da Copa do Nordeste, o Bahia vai repetir feito que só aconteceu uma vez na história do Nordestão. Apenas o América-RN, então treinado por Arturzinho, reverteu a vantagem no segundo jogo e saiu campeão.

Em 1998, o América-RN perdeu para o Vitória por 2×1, no Barradão, mas bateu o Leão por 3×1 na volta, no estádio Machadão, em Natal, e ficou com a taça.

A missão do tricolor é um pouco mais complicada do que a que o América-RN teve em 1998. Como perdeu o jogo de ida por 3×1, o Bahia precisa vencer por três gols de diferença para ser campeão no tempo normal. Se vencer por diferença de dois gols, leva a decisão para os pênaltis.

Ao CORREIO, Arturzinho falou sobre a difícil decisão que o Bahia vai ter contra os cearenses e, com a experiência de ser o único treinador a conseguir façanha parecida, apontou o caminho que o Esquadrão pode seguir.

Para Arturzinho, além da desvantagem no placar, a ausência da torcida é um fator que pesa contra o Esquadrão. “O Bahia tem um outro problema nessa partida: não tem torcida. Quado você joga o segundo jogo em casa e tem a torcida a favor, como aconteceu lá no América, que era um clube que nunca tinha chegado na final da Copa do Nordeste, o estádio ficou lotado, tinha gente do lado de fora. Isso faz uma diferença em relação a pressão. O que aconteceu no jogo seguinte, que ganhamos de 3×1, é que nós fizemos dois gols, se eu não me engano, com 20 minutos. Isso fez com que o time se comportasse melhor em campo e fez a gente ganhar o campeonato”, disse.

“A torcida do Bahia faz a diferença, e muito. Sempre fez e sempre fará, nunca vi nada igual à torcida do Bahia quando se precisa de resultado. O que Roger, que é um treinador competente, sabe que precisa fazer, é tentar desde o início fazer o primeiro gol para que tenha menos complicações dentro do próprio jogo. Se você demorar a fazer o primeiro gol, tende a se desesperar. E se desesperar, a equipe do Ceará vai aproveitar isso”, continuou Arturzinho.

Rei da Copa do Nordeste
Se o título do Nordestão 2020 terminar nas mãos do Ceará, um outro feito de Arturzinho vai ser igualado. Até hoje, o treinador com passagens por Bahia e Vitória é o único a vencer o torneio duas vezes. Além do título com o América-RN, ele também venceu o regional com o Leão, em 1997.

Guto Ferreira é quem pode ter a mesma marca. Em 2017, o treinador levantou o troféu treinando o Bahia. Na decisão, o tricolor venceu o Sport.

“Chegar na final de um campeonato como a Copa do Nordeste duas ou mais vezes, o cara tem que ter competência. Talvez seja o campeonato mais difícil em relação a rivalidade e aos clubes terem praticamente o mesmo peso. Nem no Campeonato Brasileiro existe tão pouca diferença como existe na Copa do Nordeste. Você tem Fortaleza, Ceará, Santa Cruz, Sport, Náutico, Bahia, Vitória, América, ABC, Confiança, os melhores representantes de cada estado. A diferença é mínima porque os valores não são tão absurdos em termos de investimento. É um campeonato muito aguerrido, muito difícil. Se ele conquistar tem que ter mérito e ser lisonjeado por isso”, comentou Arturzinho em relação a Guto.

Arturzinho, inclusive, pode ser considerado uma espécie de “rei da Copa do Nordeste”. Ele disputou três vezes a competição, e além das duas taças que ganhou, foi finalista na edição 2002 comandando o Vitória. O treinador acabou demitido do rubro-negro após o primeiro jogo da final contra o Bahia devido a uma discussão que teve no vestiário com Paulo Carneiro, que na época também era presidente do Leão.

O Bahia levou a melhor naquele ano e ficou com o título após vencer o jogo de ida por 3×1, na Fonte Nova, e empatar por 2×2 no Barradão. No jogo de volta, Joel Santana treinou o Vitória.

“Eu vou só te dizer os meus números para você ter uma ideia: eu disputei três Copas do Nordeste, ganhei duas e fui à final da terceira. Fui mandado embora após o jogo da final contra o Bahia em que nós perdemos por 3×1, mas tinha a chance de conquistar o título com 2×0 na volta, no Barradão. Eu disputei apenas três Copas do Nordeste. Apesar de ser bicampeão, nunca mais foi convidado por nenhum clube para trabalhar na Copa do Nordeste”, lembra.

Fonte: Correio