Vale cria projeto para fomentar agricultura em Brumadinho

As 270 mortes e a devastação do rio Paraopeba provocadas pelo rompimento da barragem I de Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro de 2019, jamais serão esquecidas. Mas a Vale tem investido para apagar um estigma que ainda pesa sobre a região: o de que os produtos agrícolas ficaram contaminados. A mineradora criou um programa de fomento para ajudar os agricultores a reforçarem para o mercado a segurança dos alimentos produzidos. Para se ter uma ideia, do território total de 634 km² da cidade, menos de 3 km² estão na área diretamente afetada pelos rejeitos, ou seja, menos de 1%.

Durante três anos, 300 produtores – sendo 230 de Brumadinho e 70 de Mário Campos, ambos os municípios na região metropolitana – serão acompanhados pelo programa e receberão consultoria técnica com capacitação para reduzir os custos e ampliar o mercado, além de todo o suporte para a implantação da rastreabilidade. “A assistência aos agricultores vai aumentar a produtividade, e vamos mostrar à população que a produção da horticultura, que é o carro-chefe de Brumadinho, não está contaminada e que 99% do município, de produtores que estão fora da área quente, produzem alimentos de qualidade”, afirma o técnico agrícola e coordenador do Programa de Aquisição de Alimentos da Secretaria de Agricultura de Brumadinho, Cleverson Duarte.

A gerente de fomento econômico da Vale, Flávia Soares, diz que o principal objetivo do programa de fomento à agricultura é ampliar a capacidade produtiva e a geração de renda para os agricultores de Brumadinho e Mário Campos.  “Para isso, é muito importante que se abram novos mercados e que esses produtos sejam reconhecidos como de qualidade. Uma estratégia importante que estamos usando é a implantação da rastreabilidade da produção agrícola nessas propriedades envolvidas”, explica Flávia.

A rastreabilidade é um conjunto de políticas que permitem a identificação da qualidade do alimento, desde a origem, no campo, às gôndolas, acompanhando toda a movimentação ao longo da cadeia. “É uma exigência legal, que envolve uma série de procedimentos de auditorias. Um alimento rastreado, advindo de Brumadinho ou de Mário Campos, vai trazer para o consumidor a garantia de que o produto dessas regiões é seguro para o consumo. E os próprios processos da rastreabilidade nos ajudarão a desmitificar essa questão da contaminação”, esclarece Flávia.

O programa vai atender cerca de metade dos 583 produtores cadastrados, de acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para participar, eles terão que obedecer a alguns critérios, como adotar práticas de conservação do meio ambiente, o que inclui o uso correto de agrotóxicos.  

Além da política de rastreabilidade, o programa prevê diversas etapas, como a realização de estudo de mercado, um maior aprofundamento da realidade de cada agricultor e avaliações sobre as formas de trabalho por meio de organizações coletivas como associações e cooperativas. “Eles terão orientações sobre melhoria da qualidade, ampliação do mercado de venda, criação de marcas e embalagens mais adequadas e padronização de produtos, questões importantes para a comercialização”, explica Flávia.

O projeto vai financiar a criação do código de barras, que atesta que os produtos foram rastreados e, portanto, têm qualidade garantida. Segundo Flávia, estudos de viabilidade indicam que os produtores de Brumadinho e Mário Campos têm potencial para dobrar ou até mesmo triplicar os ganhos. “Queremos garantir melhores condições de produção, diminuição do uso de agrotóxicos, o que já vai se refletir em economia, pois os custos impactam diretamente a renda do produtor. Nosso compromisso é desenvolver ações que confiram autonomia, para que eles consigam tocar os negócios de forma independente, mesmo depois que o programa terminar”, afirma Flávia.

A Vale vai investir de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões no programa de fomento à agricultura, que também terá a parceria de secretarias municipais de agricultura, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

Fonte: Agencia Brasil