'Já consigo me concentrar com muito menos esforço', conta médico adepto de meditação

O médico neurocirurgião aposentado Luiz Antônio Coelho Silva, 74 anos, sempre teve curiosidade, mas nunca havia testado a meditação – que se tornou fenômeno durante a pandemia. Há um ano, ele começou a meditar. Hoje, durante o isolamento social, recolhe-se para o exercício interior duas vezes por dia – no início da manhã e de noite. “Você começa a entender que não vale a pena se estressar por algumas coisas, porque aquela coisa vai passar”, conta. No relato, ele conta como a meditação mudou sua rotina, a concentração e a forma de enxerga a vida.

Leia na íntegra:
Há mais ou menos um ano, através de uma pessoa amiga, tomei conhecimento da Meditação Raja Yoga. Nunca tinha pensado em meditar. A agitação e o estresse eram os normais da vida. Conhecia alguma coisa sobre meditação, mas nunca tinha tido oportunidade de faze-la.

Após um curso on-line e um de 1 mês presencial na Brahma Kumaris no bairro dos Barris iniciei essa prática da meditação. Nessa ocasião comecei a tomar conhecimento da Brahma Kumaris através da internet, lendo a exemplo de Ken O’Donnel e outros, participando do 1º Congresso Online de Meditação Raja Yoga, foram três dias de imersão em palestras com meditação.
 
O que me levou a praticar a meditação foi inicialmente a curiosidade. Imaginava como seria me concentrar (coisa que antes achava difícil), mas após as primeiras aulas, e aprendendo a técnica de respiração, com passar do tempo, foi ficando fácil e atualmente já consigo me concentrar com muito menos esforço. É treinamento. Você começa a entender que não vale a pena se estressar por algumas coisas, porque aquela coisa vai passar. Quando você aprende a meditar, você vai jogando fora pensamentos ruins, afastando-os, até chegar um momento em que você começa a ficar focado.
 
Para meditar em casa procuro um lugar calmo, afastando-me dos ruídos externos, ouvindo música tranquila que propicia o “internamento”. A sensação é muito agradável. Acordo as 5h e as 5h15 já estou meditando. Durante a pandemia, você começa a ficar preocupado, e muda um pouco, a meditação ajuda muito, não tenho dúvida. Naquele momento, você se recolhe, se afasta de tudo e sente a melhora. Não comecei a meditar por causa da pandemia, mas agora comecei a fazer também a noite.
 
A meditação Raja Yoga é um processo que consiste na “dispersão de muitos pensamentos ao concentrar-me no ser interior” e “depois de estabilizar os pensamentos, poder fazer a conexão com o Ser Superior, e começar a absorver a energia espiritual ilimitada que emana Dele”. ( Ken O’Donnel, Sydney, 1996).

Utilizo o meu Smartphone para seguir os áudios/vídeos de meditações guiadas através do site de Brahma Kumaris. Não comecei a meditar por causa da pandemia. Antes do distanciamento social, frequentava as meditações presenciais na sede dos Barris e posteriormente meditava a noite on-line diariamente as 19h no programa Medite em Casa da Brahma Kumaris.
 
Aprendi que “eu sou o ser que cria meus pensamentos, e que dessa forma é necessário alimentar a mente com bons pensamentos”, evitando e deletando os “os negativos”. Uma mente amiga serve a você. Aprendi também que “é preciso cuidar das informações que você recebe” principalmente nessa época em que as televisões, jornais e mídias emitem muita informação, algumas delas, por vários motivos desconexas, e que apenas devemos estar informados, mas não assimilar todas elas para seu próprio bem.
 
Com a pandemia e a permanência maior em casa, continuo mantendo minha rotina, leio um pouco mais, utilizo as redes sociais para manter-me informado principalmente dos assuntos médicos em sites profissionais da área e em grupo de colegas também médicos, procurando evitar que esse “isolamento social” seja um mal maior. Pratico a meditação e observo que esta me deixa mais tranquilo. Ganho a paz interior.
 
Nunca pensei em desistir, a meditação me faz bem. Durante a prática, “os pensamentos não passeiam em minha mente” como no início, sinal de que estou melhorando na minha interiorização. Já consigo ver melhora no meu modo de ser, de agir, ver as coisas de uma outra maneira. Talvez a mais importante tenha sido “reconhecer que sou uma Alma que habita esse corpo físico e que “vou trocar dentro de algum tempo essa roupagem por uma outra nova e aí, tudo começa novamente”.
 
A certeza da imortalidade da alma, para mim, traz um grande conforto e tranquilidade, bem como a conexão com o Ser Supremo.
OM SHANTI.

Fonte: Correio