Com reabertura da Rodoviária, ambulantes e taxistas esperam recuperar rendimento

Conforme o governador Rui Costa anunciou na última sexta-feira (7), a Rodoviária de Salvador será reaberta, nessa segunda (10), para ônibus metropolitanos e interurbanos para cidades de até 100 km da capital – ao todo, são 47 destinos e 100 linhas liberadas. O retorno das atividades no terminal, que ocorre após quatro meses, deve beneficiar o mercado informal do local e os motoristas de táxi, que devem passar a transportar mais clientes.

Na véspera da volta, neste domingo (9), a rodoviária ainda estava fechada com grades e vigiada por seguranças. Apesar disso, no local, taxistas e ambulantes ansiosos pelo retorno foram conferir se já havia algum movimento antes mesmo da abertura oficial do espaço. 

Para quem vive da renda gerada pelo fluxo de milhares de pessoas que passam pelo terminal rodoviário soteropolitano, a notícia da reabertura é um alívio.

Tibúrcio da Paz, 52 anos, é taxista e afirmou que o fechamento da rodoviária teve consequências negativas para sua renda. Para ele, que trabalha transportando as pessoas que saem do terminal, o período de interdição foi um momento de aperto financeiro.

“Para toda a classe de taxistas isso foi horrível. Eu, como taxista, sofri bastante com a interdição da rodoviária e a ausência de pessoas para pegar táxi. Sem ônibus, não tem gente. Sem gente, não temos nenhuma renda”, conta. 

Tibúrcio trabalha há 12 anos na rodoviária e está animado para o retorno e acredita que seja o início de uma retomada financeira para ele. “Com a reabertura, a gente pode voltar a trabalhar. Voltamos a ganhar o dinheiro para o nosso sustento. Estou confiante com essa volta da rodoviária. Vamos tirar o atraso de tudo que deixamos de ganhar durante esse tempo. A minha ansiedade é tanta que cheguei aqui hoje mesmo pra tentar tirar alguma coisa”, completa. 

Outro taxista, que trabalha há 21 anos na região e prefere não se identificar, também relatou que o período de pausa nos transportes da rodoviária foi difícil e que a volta representa uma chance de recomeçar.

“Fiquei quatro meses em casa, sem fazer nenhum dinheiro. A queda financeira foi grande. Isso pra mim que sou aposentado. Imagine pra quem não tem renda nenhuma. Mas estou aqui para recuperar esse tempo perdido e voltar a ter um pouco de folga financeira”, afirma.

Ambulantes
Os ambulantes da região também sofreram com a paralisação da rodoviária. Os comerciantes informais que sobrevivem através do consumo das pessoas que transitam entre a rodoviária e a passarela que dá acesso ao metrô e ao Shopping da Bahia chegaram a fechar as barracas e permanecer em casa por um longo período, até que o retorno fosse anunciado.

Foi o caso de Evaristo de Jesus, 52, que mantém uma barraca nas imediações da rodoviária há 32 anos e nunca havia enfrentado algo parecido. “Desde que estou aqui, nunca passei por uma crise parecida. Eu tive que aceitar e ir pra casa porque não tinha cliente. A gente conseguia de 5% a 10% do que costumávamos tirar antes da pandemia. A gente estava passando dificuldade. Que bom que vai voltar amanhã. Com certeza a reabertura vai nos ajudar”, declara.

Evaristo passou dificuldades financeiras durante fechamento da rodoviária (Wendel de Novais/CORREIO)

Valdez Trindade, 32, vende eletrônicos na área há 12 anos e estava confiante com a volta. “Foi bastante complicado, ficamos muito tristes e a queda foi muito grande. Mas as coisas vão melhorar! Tenho absoluta certeza que a reabertura melhora as coisas pra gente. É o que a gente precisava para voltar a ganhar nosso dinheiro de uma maneira honesta. Tudo vai dar certo”, fala.

Valdez está otimista com reabertura do terminal rodoviário (Wendel de Novais/CORREIO)

Expectativa é que o movimento volte a ser intenso no terminal. Com a flexibilização, os 47 municípios que terão os transportes liberados entre si ficam dentro de um raio de 100 km de distância da capital. Para tornar o processo de volta o mais seguro possível e evitar a proliferação do novo coronavírus, alguns protocolos serão exigidos, como a testagem periódica dos funcionários que atuam nos transportes e terminais, e a ocupação da capacidade em 50%.

A Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) e a Agerba (agência que regula os serviços de transportes na Bahia) vão acompanhar e fiscalizar essa retomada.

“Para tornar o processo o mais seguro possível e evitar a contaminação pelo COVID-19, alguns protocolos estão sendo exigidos, como a testagem periódica dos funcionários que atuam nos transportes e terminais, e a ocupação da capacidade em 50%”, informou a Agerba, em nota.

Confira as cidades que fazem parte do retorno: 

  1. ALAGOINHAS

  2. AMÉLIA RODRIGUES

  3. ANTONIO CARDOSO

  4. ARAÇAS

  5. ARAMARI

  6. ARATUÍPE 

  7. CACHOEIRA

  8. CATU

  9. CAIRU

  10. CONCEIÇÃO DA FEIRA

  11. CONCEIÇÃO DO ALMEIDA

  12. CONCEIÇÃO DO JACUIPE

  13. CORAÇÃO DE MARIA

  14. CRUZ DAS ALMAS

  15. DOM MACEDO COSTA

  16. DIAS D’ÁVILA

  17. FEIRA DE SANTANA

  18. GOVERNADOR MANGABEIRA

  19. IPECAETÁ

  20. IRARÁ

  21. ITANAGRA

  22. ITAPARICA

  23. JAGUARIPE

  24. MARAGOGIPE

  25. MUNIZ FERREIRA

  26. MURITIBA

  27. NAZARÉ

  28. PEDRÃO

  29. SALINAS DA MARGARIDA

  30. SANTO AMARO

  31. SANTO ANTÔNIO DE JESUS

  32. SANTO ESTEVÃO

  33. SÃO FELIPE

  34. SÃO FELIX

  35. SÃO GONÇALO DOS CAMPOS

  36. SAUBARA

  37. TEODORO SAMPAIO

  38. CAMAÇARI

  39. CANDEIAS

  40. LAURO DE FREITAS

  41. MADRE DE DEUS

  42. MATA DE SÃO JOÃO

  43. POJUCA

  44. SALVADOR

  45. SÃO FRANCISCO DO CONDE

  46. SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ

  47. VERA CRUZ 

Fonte: Correio