Kamala Harris, escolhida para vice de Biden, já cobrou Bolsonaro sobre Amazônia

Anunciada nesta terça-feira (11) como vice de Joe Biden na corrida presidencial americana, Kamala Harris já defendeu que os Estados Unidos suspendam negociações comerciais com o Brasil pela falta de compromisso do governo Jair Bolsonaro com a proteção da Amazônia.

A senadora da Califórnia endossou deputados e senadores democratas em agosto do ano passado para cobrar o governo Bolsonaro sobre o tema, depois da repercussão negativa internacional do aumento das queimadas na Floresta Amazônica. 

“Enquanto a Amazônia queima, o presidente do Brasil, como Trump, que permitiu que madeireiros e mineradores destruíssem a terra, não está agindo”, escreveu Kamala no Twitter em agosto do ano passado. “Trump não deve buscar um acordo comercial com o Brasil até que Bolsonaro reverta sua política catastrófica e resolva os incêndios. Precisamos de liderança americana para salvar nosso planeta”, continuou a senadora.

A proteção da Amazônia é considerado um tema obrigatório na agenda democrata para negociar com Bolsonaro. Em março, em uma entrevista à revista “Americas Quarterly”, Biden afirmou que seu governo iria “reunir o mundo” para garantir a proteção da Floresta Amazônica, se o governo Bolsonaro falhar nessa missão. 

Deputado por Oregon e presidente da subcomissão de Comércio da Câmara, Earl Blumenauer afirmou em entrevista ao Estadão que Biden deve cobrar o governo brasileiro sobre o tema, se eleito. “A liderança brasileira atual não inspira confiança. É essencial falar sobre a Amazônia quando tratamos de mudanças climáticas globais. Biden estará em posição de colocar claramente quais são as condições dos EUA para desenvolver essa relação com o Brasil”, afirmou o deputado.

Kamala fez um aceno de comprometimento com a política ambiental ao patrocinar um projeto de lei, apresentado nos últimos dias, assinado também pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez, o rosto do projeto conhecido como Green New Deal. O projeto de lei chamado de Equidade Climática busca aumentar a influência de comunidades minoritárias e de baixa renda na política sobre mudanças climáticas. 

Fonte: Correio