Avenida Sete e Praça Castro Alves são entregues após obras de requalificação

Uma das regiões mais conhecidas de Salvador está de cara nova. Quem passou pela Avenida Sete de Setembro ou pela Praça Castro Alves, no Centro, nos últimos meses deve ter visto operários e outros servidores da prefeitura trabalhando na ampliação das calçadas, e em obras de drenagem. Nesta sexta-feira (14), o prefeito ACM Neto caminhou pela região e apresentou o resultado.

“Estamos entregando depois de meses de trabalho, de luta, de empenho, a nova Avenida Sete inteiramente requalificada, assim como também a Praça Castro Alves”, disse Neto. “Esse projeto começou a ser pensado ainda na minha primeira gestão”, contou o prefeito.

Centro efervescente do mercado informal e também circuito oficial do carnaval, a Avenida Sete passou por uma série de mudanças. Um dos destaques das intervenções é o alargamento dos passeios do lado esquerdo da avenida, da Casa D’Itália até a Praça Castro Alves. Eles tinham 2,5 metros e, agora, passaram a ter 5 metros de largura. A prefeitura acredita que com mais espaço será possível ordenar melhor os comerciantes informais, além de facilitar o deslocamento dos pedestres. 

O calçamento dos passeios foi renovado em pedra portuguesa, incluindo os brasões existentes em alguns pontos, mantendo, assim, as características históricas originais do local. Além disso, foram colocados piso tátil e rampas de acessibilidade para tornar o trajeto mais inclusivo para pessoas com deficiência.  

Na lista de intervenções, foram implantadas redes de água e de esgoto secundárias, ligando a tubulação principal às instalações das residências e das lojas. As fiações de telecomunicação foram rebaixadas em dutos subterrâneos, e a iluminação está mais moderna, com lâmpadas em LED. 

O investimento total nas obras foi de cerca de R$ 20 milhões, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), através do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). E as obras ficaram sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult).

Mais de 12 mil artefatos históricos foram resgatados na região, e até as escadarias do antigo Teatro São João foram descobertas durante as obras na Praça Castro Alves. Por se tratar de um sítio arqueológico, as escavações tiveram aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mediante estudo prévio da região.

Com o fim da obra, o tráfego da região retorna ao que era antes, com sentido da Prefeitura para a Praça da Sé.

Outras mudanças
A avenida recebeu também espaços contíguos às calçadas, destinados ao lazer e convivência, chamados de parklets. São três áreas de 11 metros de comprimento e 2,2 metros de largura, que possuem lixeiras, jardineiras, bancos e paraciclos.

Os parklets ficam nos seguintes trechos da avenida: um próximo à Rua da Forca, outro na entrada da Rua do Cabeça e o último próximo do acesso ao Beco Maria da Paz. Todos do lado esquerdo de quem desce a avenida em direção à Praça Castro Alves.

Já na Praça Castro Alves, todo o asfalto da pista no entorno do local foi retirado e substituído por piso em paralelepípedo, como era antigamente, com espaço compartilhado entre pedestres e veículos, em mesmo nível. A circulação dos automóveis foi separada com a instalação de defesas de concreto. Além disso, a fiação da iluminação foi alocada para valas subterrâneas.

O secretário de Cultura Cláudio Tinoco, que até abril era o responsável pela pasta e pelas obras contou que o projeto original precisou passar por alguns ajustes por conta dos achados arqueológicos. “A arqueologia, trabalho de prospecção, de achado, de tratamento, de resgate, é muito subjetivo, embora a gente tivesse desde o início um estudo prévio”, contou TInoco, dizendo que isso levou um tempo a mais do que o estipulado.

“Muitas coisas que foram feitas estão no subsolo”, acrescentou. “Aqui as companhias concessionárias tiveram que trabalhar, a própria Bahiagás, criando novos dutos”, disse, citando também implantação de valas técnicas no subsolo para permitir rebaixamento do cabeamento de telecomunicações e internet. “Tudo isso é um conjunto de intervenções que levou a uma necessidade de integração com essas demais instituições, algumas delas empresas concessionadas, privadas. O planejamento da obra foi sendo refeito”, contou, lembrando que a prefeitura manteve um processo de diálogo constante com lojistas e moradores da região por conta da “vida ativa” que tem o trajeto.

A revitalização foi dividida em quatro etapas: a primeira da Casa D’Itália ao Largo do Rosário; a segunda, da Igreja do Rosário ao Relógio de São Pedro; a terceira, do Relógio de São Pedro ao Edifício Sulacap; e a última, do Sulacap à Praça Castro Alves. Antes, houve um trabalho arqueológico em busca de achados históricos. 

Os trabalhos de arqueologia tiveram três etapas: prospecção, resgate e monitoramento. O Iphan acompanhou todos os achados e autorizou o resgate do material do solo. No decorrer do trabalho de sondagem arqueológica, que durou mais de seis meses, foram 108 pontos de intervenção ao longo da via, número 65% maior do que o previsto inicialmente, de 66 furos.

Fonte: Correio