Inovar é o que há!

Sr. Prefeito, encantei com a Lei de Política Municipal de Inovação que pode mudar tudo neste território maravilhoso, onde quem pretendeu inovar foi embora. Com raras exceções. Acredite que quando li a notícia, reli, desconfiada de que estava diante de um noticiário de 2050, pós pandemia, pós letargia e pós anomia, essas rimas horríveis em ia, que jamais irão ao Bonfim porque carecem de balangandãs. Parabéns. E agora é praticar essa Lei surpreendentemente jovem sem os hábitos velhos que atrasam a Cidade há cinco séculos. E o século 21 descerá sobre nossas vidas promovendo a aterrissagem do 22.  

No agora, soube que as estátuas de Salvador, que foi um centro organizador da escravização Africana e Indígena até o século 19, correm risco de derrubada e afogamento, em ações inspiradas na ex-Colônia Mor do Planeta, os USA. A colonização do Brasil, iniciada oficialmente na Bahia, foi violenta, genocida, e perpetuou uma mentalidade colonial de difícil superação, mas derrubar as estátuas não mudará o pior disso, que é conviver com uma história oficial totalmente falsa. Descobri, recentemente, em Laurentino Gomes, Escravidão I, que o diretor da Companhia de Jesus, na Bahia, era traficante de Africanos. E por mais inadmissível que isso seja, é a história real.  

Descobri há mais tempo que o primeiro Bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, instalado no Terreiro de Jesus como mártir, chegou na Bahia em 1551 para enriquecer. Como? Excomungando os ricos da cidade, que já existiam, e lhes cobrando pela desexcomungação. Negócio bom que estava dando certo até que o Bispo excomungou o filho do governador Duarte da Costa – um playboy de capa e espada – e dividiu o poder português instalado na terra.  

Duarte da Costa deu razão ao filho excomungado – essa saga de filhos é bastante antiga – e o Bispo resolveu queixar-se ao Rei, em Portugal, acompanhando-se dos portugueses aliados. O barco naufragou na costa de Pernambuco, hoje Alagoas, e o Bispo foi devorado pelos índios Caetés que comeram e descomeram os portugueses. Sim, descomeram e fertilizaram o território das Alagoas de Collor de Mello e Renan Calheiros.  

Não sendo historiadora, confesso que deu um trabalho enorme conhecer essas e outras Histórias reais da Cidade onde nasci e vivo, histórias que, desvendadas, podem promover um momento fortemente inovador para seus habitantes.

Fonte: Correio