O preço da exclusividade: itens opcionais que custam o preço de um carro

Normalmente, o consumidor decide primeiro qual será o carro. Depois, de acordo com o nível de acabamento e motorização, define a versão do modelo. Na sequência, se o orçamento permitir, aparecem os itens opcionais. Há poucos anos atrás até equipamentos que hoje são comuns como ar-condicionado, assistência para a direção e vidros elétricos eram oferecidos à parte em muitos veículos. A evolução trouxe novos parâmetros e esses itens já são considerados básicos, e os opcionais ficaram cada vez mais tecnológicos. 

Como os automóveis são muitas vezes objetos de desejo, diversos detalhes podem torná-los mais exclusivos. Sem dúvidas, a pintura é uma das coisas que mais marcam, mas isso vai além da escolha da cor. O biton, quando o teto é contrastante com o resto da cor da carroceria, que é tradicional aos modelos da MINI há décadas, se popularizou. Atualmente, diversos modelos contam com essa opção, que era comum no passado. Em muitos casos, quando não compra o veículo assim, o proprietário faz o ajuste posteriormente, até mesmo fazendo plotagens.

Mas quando o consumidor busca um modelo premium e está disposto a pagar mais para ter algo realmente exclusivo na garagem o mercado tem opções para atendê-lo. Se a sua escolha for um BMW M5, sedã esportivo que conta com um motor 4.4 litros de 8 cilindros e rende 600 cv, o orçamento inicial terá que ser de R$ 771.950 e a marca alemã irá entregar muita tecnologia, além da potência.

O sedã esportivo da BMW custa incialmente R$ 771.950, mas o cliente pode personalizar alguns itens (Foto: BMW)

Se o futuro proprietário optar por gastar mais R$ 48 mil, o preço de um Renault Kwid Outsider, dificilmente seu M5 será confundido com outro nas ruas. Esse é o valor cobrado pela pintura Pure Metal Silver, a mais distinta disponível no catálogo da fabricante alemã. Sua textura sedosa e alto brilho metálico refletem a luz mais intensamente do que qualquer outra cor. 

Umas das opções é aplicar ao M5 a pintura especial Pure Metal Silver, que custa R$ 48 mil (Foto: BMW)

Procuramos a empresa sediada em Munique, na Bavária, e a explicação foi: “A responsável por este brilho metálico exclusivo é a combinação de um pigmento de efeito especial com um sistema de pintura à base de água. Centenas de milhares de flocos de alumínio ultrafinos garantem uma superfície uniforme e brilhante. Pintar um veículo com esta cor é extremamente delicado e requer muito trabalho manual detalhado”. 

O processo não é simples. Após a preparação da pintura, o chassi é examinado cuidadosamente e quaisquer elementos irregulares são alisados à mão. O chassi precisa de uma superfície brilhante e lisa, utilizando um revestimento base Glacier Silver Metal. Mais uma verificação de superfície é concluída antes da aplicação do revestimento final. Finalmente, depois da limpeza do veículo com ar comprimido, o Pure Metal Silver é aplicado.

Tecnologias
Outros modelos que estão à venda na Bahia contam com diferenciais que vão além da aparência. O Audi RS4 Avant, que custa a partir de R$ 546.990, tem um opcional que ajuda o motorista a parar rapidamente os 450 cv de potência da station wagon. É um sistema de freios com discos de cerâmica. O preço? R$ 45 mil, o suficiente para colocar na garagem um Fiat Mobi Like.

Os eficientes freios de cerâmica são opcionais no Audi RS4 Avant e custam R$ 45 mil (Foto: Audi)

Esses freios são feitos de material inorgânico não-metálico, duro e resistente à compressão, porém, pouco resistente à tração e ao corte por molde. Mas acima de tudo, são materiais capazes de resistir a altíssimas temperaturas, entre 1.000°C e 1.600°C. É isso que os torna apropriados para o uso automobilístico de alto desempenho, como nos aviões-caça que tocam o convés de um porta-aviões a 240 km/h e têm que parar em menos de cem metros.

Se o objetivo for melhorar a performance é possível ainda mudar a estrutura desse Audi encomendando um teto em fibra de carbono. Para agregar o material, que é leve, resistente e utilizado em carros de Fórmula 1, é preciso desembolsar mais R$ 45 mil.

O assistente de visão noturna da Audi está disponível em modelos como A6 e A7 (Foto: Audi)

Outro atrativo da marca alemã com sede em Ingolstadt, na Baviera, é um assistente de visão noturna. Ele pode ser agregado ao A6 e ao A7, por exemplo, por R$ 16 mil. O artifício tem o objetivo de mostrar obstáculos da pista de forma iluminada no quadro de instrumentos digital. Para garantir eficiência e alertar o motorista em casos de perigo, o recurso alcança uma distância de até 300 metros.
 
A tecnologia funciona por meio de uma câmera infravermelha, que reage ao calor e converte esse processo em imagens. É um bom auxílio para evitar, por exemplo, o atropelamento de animais que costumam invadir a pista à noite.

Menos é mais
A Volvo não oferece opcionais aos seus modelos, mas tem uma opção do XC90 que é extremamente exclusiva em relação às demais versões. Enquanto as configurações convencionais, que levam sete pessoas, custam entre R$ 332.950 (T6 Momentum) e R$ 444.950 (T8 R-Design), a T8 Excellence, que transporta somente o motorista e mais três passageiros, é oferecida por R$ 539.950.

Nessa opção do SUV sueco, os passageiros do banco traseiro vão se sentir a bordo de uma limusine. Os assentos individuais são revestidos de couro e com funções de ventilação, aquecimento e massagem (com cinco programas e três velocidades). Os bancos ainda contam com apoios de cabeça traseiros maiores, suportes laterais mais largos e espaço ampliado para as pernas. 

A Volvo não oferece opcionais, mas entrega uma versão exclusiva do XC90 por R$ 539.950 (Foto: Volvo Cars)

O console central traseiro dispõe de bandejas dobráveis individuais revestidas de couro. O console traseiro inclui duas taças para champanhe de cristal sueco Orrefors projetadas especialmente para o modelo, além de um compartimento refrigerado entre os assentos traseiros, que permite fácil acesso às bebidas (duas garrafas de 750 ml) mantidas sempre geladas. Uma tela sensível ao toque controla as funções dos bancos traseiros

Os ruídos externos são mantidos em um nível mínimo, graças ao isolamento sonoro reforçado, às janelas laterais de vidro laminado e ao divisor com isolamento sonoro entre a cabine e o compartimento de bagagem. Faria sucesso em uma ida ao cinema drive-in, oferecendo uma sensação das salas vip dos cinemas tradicionais.

Clube dos milionários
Mesmo comprando um modelo de R$ 1 milhão é possível incrementar ainda  mais. É o caso do Mercedes-AMG G 63, que custa inicialmente R$ 1.409.900. Se o cliente escolher uma pintura preta não irá pagar nada mais, mas as demais cores podem ter um acréscimo que varia de R$ 8.100 até R$ 42.600. Outra opção é incluir um pacote com assentos com abas mais largas, e que conta com massagem e aquecimento, por R$ 34.600.

O G 63, da Mercedes-AMG, tem à disposição diversos itens para aumentar a exclusividade (Foto: Daimler)

Se você quiser dar um aspecto mais esportivo ao abrir o capô, é possível adicionar uma capa para o motor em fibra de carbono por R$ 8.500. Por falar no propulsor, o V8 de 4.4 litros biturbo entrega 585 cv de potência.

Proporções
Tudo isso pode parecer caro, mas é relativo. Na outra ponta, nos automóveis de entrada, o preços dos opcionais pode ser bastante oneroso. Um Fiat Argo, que custa R$ 54.390 na versão Drive 1.0, não vem com câmera de ré. O equipamento é vendido opcionalmente em um kit chamado Parking, que custa R$ 1.930 e inclui a câmera e um sensor de estacionamento. Mas para visualizar é preciso ter uma tela, que é incorporada à central multimídia.

O problema é que nessa versão do hatch a central multimídia é vendida também à parte. Custa R$ 3.050. Resultado, para ter esses itens no carro é preciso desembolsar R$ 59.370. Ou seja, o preço sobe mais de 9%.

Fonte: Correio