Grupo de mulheres protesta em hospital em defesa de menina grávida após estupro

Em resposta aos ataques de religiosos contra o aborto legal em uma menina de 10 anos grávida após ser estuprada, um grupo de mulheres também se mobilizou em frente à maternidade de Recife onde o procedimento estava sendo realizado neste domingo (16) e protestou contra a investida do grupo religioso.

Nos vídeos publicados no Twitter, as mulheres entoam um texto em defesa da criança, que foi do Espírito Santo a Pernambuco para realizar o aborto autorizado pela Justiça. “Essa criança, depois de ser violentada, engravidou fruto desse estupro, e os fundamentalistas estão aqui para dizer que a vida dela não importa”, dizia parte da fala.

As mobilizações em frente ao hospital começaram na tarde deste domingo após a ativista da extrema-direita Sara Winter divulgar o nome da menina e o endereço da instituição de saúde onde o procedimento seria realizado, informações mantidas em sigilo para proteger a criança. Os manifestantes contrários ao aborto, membros de uma comunidade católica denominada Porta Fidei, chegaram a tentar invadir o hospital e precisaram ser contidos pela Polícia Militar.

Antes da tentativa de invasão, em imagens publicadas nas redes sociais, o grupo reza e chama o médico responsável pelo procedimento de “assassino”.

Histórico

O caso da menina de dez anos grávida após ser estuprada ganhou repercussão nacional nesta semana após a Justiça do Espírito Santo anunciar que estaria analisando a possibilidade de a criança abortar o feto. A questão gerou revolta uma vez que o direito ao aborto no caso da menina – após estupro – é previsto por lei, sem necessidade de análise judicial.

Apesar de o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) ter autorizado o procedimento na sexta-feira (14), o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), vinculado à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), negou a realização do aborto, conforme informações do portal UOL.

O principal empecilho seria o avanço da gestação. Informações iniciais davam conta que a garota estava grávida de 3 meses. No entanto, a informação atual é que ela estaria com 22 semanas de gravidez, mais de cinco meses.

O canal de TV Globonews mencionou um ofício assinado pelos médicos, em que eles afirmariam que o tempo de gestação não está amparado na legislação vigente sobre aborto no Brasil. 

Na decisão judicial que permitiu a interrupção da gravidez, o juiz Antônio Moreira Fernandes, da Vara da Infância e Juventude da cidade de São Mateus, no Espírito Santo, entendeu que é legítimo o aborto em casos de gravidez decorrente de estupro, risco de vida à gestante e anencefalia fetal.

Diante da negativa do hospital, a menina viajou para outro estado, que não havia sido revelado, onde o procedimento ocorrerá. Sara Winter, no entanto, divulgou a localização em seu Twitter e pediu: “rezem! De joelhos no chão agora”.

Fonte: Agencia Brasil