Brasil e EUA juntos no combate à intolerância religiosa

A Embaixada dos Estados Unidos recebeu, recentemente, líderes de cinco religiões para um debate virtual sobre os impactos da covid-19 em suas comunidades. A conversa me fez pensar sobre a importância da religião na vida de muitas pessoas, especialmente em tempos de incerteza. Porém, ao ouvir os desafios dos participantes em lidar com a discriminação lembrei que precisamos trabalhar ainda mais para alcançar a plena liberdade religiosa ou de crença. 

 Hoje (22), no Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseados em Religião ou Crença, destacamos os atos de intolerância e violência contra comunidades e minorias religiosas ao redor do mundo. Como cônsul geral dos EUA no Rio de Janeiro, reconheço os desafios que o meu país e o Brasil enfrentam ao se tornarem sociedades mais inclusivas. Nossa caminhada em direção ao futuro demandará o apoio às vítimas da intolerância religiosa e a reprovação aos responsáveis por atos contra comunidades de fé.  

No início deste ano, os EUA fizeram uma parceria com o Brasil e outros países para lançar a Aliança Internacional de Liberdade Religiosa. Temos prazer em trabalhar juntos para promover liberdade religiosa e o entendimento entre comunidades de fé. Em 2019, os EUA premiaram o sacerdote de Candomblé Ivanir dos Santos com o Prêmio Internacional de Liberdade Religiosa por seu vasto trabalho de apoio ao diálogo inter-religioso e de combate à discriminação e à proteção de grupos vulneráveis. 

No Rio de Janeiro, nós concedemos um patrocínio de US$ 500.000 do Fundo de Preservação Cultural do Embaixador para restaurar o Cais do Valongo. Esse patrimônio histórico declarado pela UNESCO serve como um importante local espiritual para adeptos de religiões de matriz africana no Brasil e como um memorial das contribuições extraordinárias que afrodescendentes deram para a construção desse país.   

Recentemente discursei na abertura da exibição Alguns Eram Vizinhos no Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, 75 anos após a libertação de Auschwitz-Birkenau. Em 2018, visitei o templo de Candomblé Casa de Oxumaré em Salvador e aprendi mais sobre a fé com a jornalista baiana Tia Má. Em reuniões com pastores evangélicos, aprendi sobre o crescimento de suas comunidades.  

A Missão Diplomática dos Estados Unidos tem o compromisso de se unir ao Brasil na promoção da liberdade religiosa. Ninguém deveria enfrentar perseguição por causa de sua fé. Com persistência, nossos dois paíese podem garantir um futuro no qual fiéis poderão expressar sua fé sem medo. Nossas sociedades não são perfeitas, mas nossos esforços para proteger a liberdade religiosa são parte essencial de quem somos como americanos e brasileiros.

Scott Hamilton é Cônsul Geral dos EUA no Rio de Janeiro

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Fonte: Correio