Pesquisa da Fiocruz e da UFMG analisa como pandemia afetou adolescentes

Sem aulas presenciais e com a rotina com os amigos alterada, a vida dos adolescentes brasileiros mudou durante a pandemia. Agora, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizam um estudo para entender como os últimos meses têm afetado a saúde e o comportamento nessa faixa etária. O estudo, iniciado em julho, vai levantar dados até o dia 31 de agosto, por meio de um questionário online.

O objetivo dos estudiosos é alcançar pelo menos 12 mil pessoas de 12 a 17 anos em todo o Brasil. Desde julho, cerca de 11 mil pessoas responderam ao questionário, 650 a 700 deles em Minas Gerais. Ele pode ser acessado a partir deste link até o final deste mês, e todas as respostas são registradas de forma anônima. É preciso que o responsável assinale que autoriza a participação do adolescente. 

A pesquisa é um complemento a um estudo já realizado pelo grupo de pesquisadores com cerca de 45 mil brasileiros maiores de 18 anos. Nessa análise, os adultos mais jovens, de até 29 anos, apresentaram níveis mais altos de ansiedade, sedentarismo, consumo de álcool e cigarro, segundo a professora da Escola de Enfermagem da UFMG e uma das coordenadoras do levantamento, Deborah Malta.

Uma das hipóteses da nova pesquisa é que esses aspectos sejam ainda mais realçados em adolescentes. “Com base no que tivemos das respostas dos adultos jovens, verificamos que eles alteraram mais os seus comportamentos que a média dos adultos em termos de alimentação, na redução de atividades físicas e no tempo sedentário, em frente ao computador. Também vimos isso acontecendo com adolescentes em pesquisas internacionais”, explica Malta. 

Ela lembra que a rotina dos mais jovens foi, em geral, mais afetada pela pandemia do que a dos demais: “A pandemia é uma novidade para todo mundo, mas os adolescentes e adultos jovens têm uma vida social muito intensa, as relações foram suspensas e houve suspensão de aulas”. 

O questionário para os adolescentes também inclui perguntas sobre aulas a distância e relações familiares. “Queremos saber as diferenças entre escolas públicas e privadas durante a pandemia. Algumas famílias nos relataram que as conversas dentro de casa melhoraram, devido ao tempo mais voltado ao ambiente familiar, e queremos ter mais certeza sobre o nível em que isso aconteceu”, detalha a pesquisadora. Os resultados preliminares do estudo devem ser divulgados no começo de setembro.

Fonte: Agencia Brasil