Black Friday fora de época: lojas dão descontos de até 80% em setembro 

Para quem estava esperando a Black Friday, que só acontece na última semana de novembro, para comprar algum produto na promoção, pode ficar despreocupado. Algumas lojas baianas já darão descontos de 20% a 80% em seus produtos a partir da quinta-feira da semana que vem (3). O período de promoções, chamado de Semana Brasil, vai durar até o dia 13 de setembro e faz parte de uma campanha nacional criada pelo Governo Federal, para aquecer as vendas no comércio de varejo. Segundo o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas), a ação vai impulsionar 10% das vendas do setor. 

“A tendência é que as lojas aproveitem a oportunidade de fazer a promoção e nossa expectativa de adesão é muito forte”, comenta o presidente do Sindilojas, Paulo Motta. Contudo, como o momento ainda é de restrições por conta da pandemia do novo coronavírus, o presidente pondera que o lucro não será como foi na primeira edição, que ocorreu no ano passado. “A semana vai gerar capacidade de crescimento de venda, mas nada expressivo, porque um dos grandes problemas é gerar aglomerações. Nossa estimativa é cautelosa. Como nas promoções você diminui o preço do produto, você sacrifica o lucro, então você tem que vender mais produtos para atingir o valor econômico de crescimento, que acredito que será de 10%”, prevê Motta. 

A Fecomércio-BA (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia) acredita que as promoções  servirão também para dar mais visibilidade ao comércio, que esteve fechado de março a julho deste ano. “A perspectiva é boa mesmo neste contexto de pandemia. Estamos saindo de uma fase recessiva, com o comércio todo fechado por mais de três meses. Essa semana é para mostrar ao público que o comércio está vivo e que nós estamos dando segurança para o cliente vir comprar. Muita gente ainda está com o pé atrás”, avalia o presidente da Fecomércio-BA, Carlos Andrade. 

Ponderações
No caso das lojas em shopping centers, há receio em aderir à campanha, por conta principalmente das aglomerações que podem ser geradas, já que o horário está restrito. No protocolo da Prefeitura, o horário de funcionamento dos centros comerciais é de 12h às 20h, de segunda a sábado. “A dificuldade nossa é que temos horários restritos, então estamos sujeitos a aglomeração. Estamos fazendo um apelo à Prefeitura para pelo menos abrir aos domingos ou voltar aos horários normais. Se a grande preocupação é não ter aglomeração, quanto mais horas o shopping estiver aberto, menos chances de ter”, pontua o coordenador estadual da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Edson Piaggio. 

A presidente da Associação de Llojistas do Shopping da Bahia, Leise Scabrini, que também é da Câmara da Fecomércio que representa todas as associações de lojistas, disse ao CORREIO que o movimento ainda é muito fraco, com alguns shoppings e lojas fechados e ainda com funcionários retonando de suspensões ou redução de contratos.

Outra adversidade levantada pelo coordenador da Abrasce é a proibição de se fazer publicidades até o início da fase 3 da retomada econômica em Salvador, como consta no protocolo municipal. Com isso, ele acredita que não haverá tantos clientes.

“Sem liberar a terceira fase, a gente não vai poder fazer publicidade e sem publicidade a gente não tem como fazer um movimento mais amplo de adesão, fica limitado”, argumenta Piaggio. 

Humberto Paiva, que é dono da loja de calçados infantis Cambalhota do Salvador Shopping, disse que não irá participar do evento, pois pode ficar sem estoque para o final do ano, em que as vendas estarão melhores, como ele acredita. Hoje, as vendas em sua loja estão entre 25% e 30%. “Como lojista, não vejo com bons olhos uma liquidação dessa porque acho que não terá uma boa adesão, não é promoção que as pessoas estão procurando. Eu particularmente não tenho o que liquidar e estou com dificuldade para comprar produtos, porque as fábricas estão com sérios problemas de falta de matéria prima e redução da mão de obra. Não vou vender agora para ficar sem mercadoria no final do ano”, pondera Paiva. 

Contudo, como presidente da associação de lojistas do Salvador Shopping, Paiva apoia o movimento.

“Toda liquidação a nível nacional é bem vista para se fomentar o comércio, desde que tenha quem consumir, o que eu acho que no momento não tem, porque as pessoas estão sem querer gastar e sem poder de compra, porque o desemprego está grande. Mas a gente precisa desse impulso e muitos segmentos vão se aproveitar disso”, explica o empresário.

Para ele, os principais beneficiados com os descontos serão as lojas de eletrodomésticos e eletro eletrônico. 

Em nota, o Shopping Paralela disse que vai participar da Semana Brasil com adesão, a princípio, de 50% dos lojistas, que vão praticar descontos de até 70% do valor dos produtos. O Itaigara também inormou que vai participar, com descontos de até 70% em vários segmentos. É o mesmo percentual de desconto apontado pelo Shopping Barra, que disse que terá adesão de 80% das lojas. Já o Salvador Shopping e o Salvador Norte Shopping informaram, em nota, que vão concentrar suas campanhas, em setembro, no Dia do Cliente e na Liquida Bahia.

Já o Shopping Bela Vista informou que os lojistas ainda estão decidindo se vão participar do evento.

Vendas em queda
De acordo com os dados mais recentes da Superintendência de Estudos Sociais e Econômicos da Bahia (SEI), as vendas do comércio varejista caíram 12,6% em junho deste ano em comparação a junho de 2019. Porém, na análise sazonal, houve um crescimento de 7%. Se comparado aos outros meses da pandemia, há uma leve recuperação do varejo baiano: em abril, a queda foi de 25,6% e, em maio, de 20,8%.  

Os únicos três segmentos que tiveram um saldo positivo no mês de junho foram o de móveis e eletrodomésticos (23,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (6,0%), além de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%). A maior queda foi registrada nos setores de tecidos, vestuário e calçados, onde as vendas reduziram em 79,4%. 

A Semana Brasil é uma iniciativa é da Secretaria Especial de Comunicação Social do Ministério das Comunicações, com o apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e coordenada pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Os lojistas que quiserem ter acesso às peças de comunicação podem acessar o site da campanha. 

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio