Paralamas do Sucesso mostra show inédito em live

Uma certa expectativa tem girado em torno de algumas lives. Seja pela demora em acontecer, pela produção caprichada ou pelo frisson dos fãs. Ou pela mistura disso tudo, como em relação a primeira apresentação ao vivo e online da banda Paralamas do Sucesso, que acontece neste sábado, às 20h, no YouTube.  O grupo formado por Herbert Vianna (guitarra e voz), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) mata a saudades dos fãs com o show inédito Paralamas Clássicos, que eles estavam ensaiando antes da quarentena começar. 

A demora, explica Bi, era em função dos cuidados com a saúde de Herbert. “A família dele, prudentemente, o isolou completamente”, conta Bi, acrescentando que ficaram esperando um pouco para ver o rumo que as coisas tomariam. Depois de muita ponderação e com todo o cuidado, o show vai reunir o grupo pela primeira vez desde março. “Algumas pessoas brincam dizendo que agora que as lives estão acabando a gente resolveu fazer, mas foi quando deu. Agora é a nossa e vai ser o nosso melhor”, promete.

O show Paralamas Clássicos seria apresentado no dia 13 de março, no Circo Voador, no Rio, mas o avanço no novo coronavírus fez a apresentação ser cancelada. Desde então, os músicos não se encontram. Nem ensaio fizeram, o que não chega a ser problema para quem toca junto há 38 anos. 

“A expectativa é grande, mas apostamos na espontaneidade”, diz Bi, detalhando que o show foca no início da carreira , com  clássicos como Aonde Quer Que Eu Vá, Meu Erro, Óculos, Lanterna dos Afogados, Alagados, e Cuide Bem do seu Amor, entre outros. Além de Herbert, Bi e Barone, a apresentação conta com os músicos Monteiro Jr. (saxofone) e Bidu Cordeiro (trombone) e João Fera (teclados) , que estão em um círculo. 

A live será um momento para a própria banda martar saudades dos shows. “Somos uma banda de estrada”, resume Bi, acrescentando que só ficaram tanto tempo sem tocar após o acidente de Herbert, em 2001, que o deixou paraplégico. Para espantar o “vazio” instalado nesta situação “impensável”, Bi diz que está quitando sua dívida com o agricultor que mora nele, passando a maior parte do tempo em um sítio que tem próximo do Rio. “Enche a cabeça e cansa o corpo”, diz o baixista, que encerra o papo reafirmando sua ligação com a Bahia, onde os Paralamas já fizeram grandes shows e les têm “grandes amigos e muitas influências”. 

Três álbuns dos Paralamas para conhecer ou revisitar

Aproveitando o clima da live dos Paralamas, o jornalista Roberto Midlej, jornalista da equipe de cultura do CORREIO e  grande fã da banda, indica três álbuns que vale a pena conhecer ou ouvir de novo. 

Passo do Lui (1984) – Embora Cinema Mudo (1983), disco de estreia da banda, tivesse feito algum sucesso com Vital e sua Moto nas rádios, foi este álbum que consolidou o trio como uma das mais populares do país e foi graças ao sucesso dele que o Paralamas foi escalado para o primeiro Rock in Rio. Tinha o hit Meu Erro, que não se tornou um clássico da banda, mas da música brasileira. Uma curiosidade: Lulu Santos, amigo da trupe, sugeriu que colocassem um refrão para que funcionasse melhor nas rádios. Mas Herbert e os amigos não deram bola e bateram pé. Tem ainda Óculos, outro clássico do rock brasileiro e a bonita balada Me Liga.

 

Os Grãos (1991) – Representa o início de uma nova fase do Paralamas, que, até ali, era muito próximo do reggae e do som caribenho. Começa aí uma fase mais “experimental” e menos pop, o que já dava sinais do que seria o próximo disco. Tem uma das baladas mais bonitas da banda, que, curiosamente, não fez tanto sucesso como outras, bem inferiores a ela: Tendo a Lua. Já vale pelo belíssimo verso: “Tendo a lua /aquela gravidade aonde o homem flutua/ merecia a visita não de militares/ Mas de bailarinos/ E de você e Eu”. 

Severino (1994) – Certamente o disco mais “difícil” e incompreendido do grupo e, paradoxalmente, o mais surpreendente e ousado, puramente experimental. A qualidade se revela logo na bonita capa, inspirada nos desenhos do artista plástico Arthur Bispo do Rosário. A canção Navegar Impreciso, com participação de Tom Zé, resume bem a estranheza que o disco causou. Se não conheça, ouça. Se conheceu e não gostou, dê uma segunda chance. E se gostou, ouça de novo, pois 26 anos depois está ainda melhor. 

 

Documentários são destaque na televisão

Lady Di e os bastidores da realeza inglesa – O canal National Geographic traz uma programação especial neste domingo (30) sobre a princesa Diana,  que morreu há 23 anos, no dia 31 de agosto. Serão quatro documentários, que mostram aspectos poucos conhecidos da vida de Lady Di e da realeza, alimentando a curiosidade mundial sobre a família. A programação começa às 16h20, com  Lady Di: Suas Últimas Palavras, que reúne uma série de entrevistas secretas gravadas por ela em 1991 e que revelam o que Diana estava pensando e sentindo naquele momento conturbado de sua vida. às 17h10, será  exibido A História de Harry: Quatro Casamentos e Um Funeral, que mostra cinco eventos reais recentes,  que coincidem com mudanças na sociedade e na cultura britânicas e é focado na história de Harry. Em seguida, às 18h, é a vez de  Bastidores da Realeza, que traz dois  episódios de 60 minutos sobre o príncipe Charles. Por fim, tem a estreiada A Madrasta da Lady Di , às 19h30. O documentário apresenta a biografia  de duas mulheres da sociedade e sua evolução através do casamento, divórcio e tragédia: Diana e sua madrasta, Raine Spencer.Na segunda-feira (31) o canal exibe uma maratona com dois episódios de Bastidores da Realeza e A Madrasta da Lady Di a partir das 15h35.

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A princesa Diana no documentário Suas Últimas Palavras (Foto:Keystone Pictures USA Alamy Stock Photo)

Adoniran Barbosa ganha especial na TV Cultura – Neste sábado (29/8), a TV Cultura exibe duas produções inéditas na TV aberta, que fazem parte da programação especial de comemoração dos  110 anos de Adoniran Barbosa. A partir das 22h15, o público pode conferir o documentário Adoniran – Meu Nome é João Rubinato; e à 0h,  o curta Dá Licença de Contar, com o ator Paulo Miklos interpretando o cantor e compositor paulista. Ambos tem direção de Pedro Serrano. Adoniran – Meu Nome é João Rubinato (2018) acompanha a vida e a obra do autor de clássicos como Trem das Onze e Saudosa Maloca. O doc traça um paralelo entre a metrópole de hoje e a vivida por Adoniran, que faleceu em 1982. Já  Dá Licença de Contar (2015) recria o universo das canções do cantor e compositor, inserindo o artista dentro de sua própria obra. Em um boteco no Bixiga, ele relembra uma inocente época que já não existe mais, um tempo em que fora feliz ao lado de seus companheiros de maloca.

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Paulo Miklos no curta Dá Licença de Contar (Foto: Divulgação)

 

Fonte: Correio