Cimatec dá pistas sobre oportunidades de empreender na pandemia

“Eu agora sou avô! Minha filha me mandou a foto do meu neto. Vejam vocês mesmos”, disse Marcus Araújo, CO de uma empresa que trabalha com pesquisas que apontam tendências para o mercado imobiliário. “Isso mesmo. Eu sou avô de um Husk Siberiano. Meu neto é um cachorro. O que você, engenheiro, está fazendo para suprir as necessidades da família de minha filha com o filho dela?”, perguntou Marcus, mostrando a foto do celular pela webcam para cerca de 65 estudantes. “Pois é. As famílias estão reduzindo há muito tempo. A pandemia veio realçar isso. Quem vai querer colocar um filho no mundo nesse momento?”, disse o consultor da Ademi-BA.   

Há esperança nesse caos? É possível enxergar oportunidades para empreender em plena pandemia? O que ela traz como tendência? Algumas pistas para essas perguntas puderam ser encontradas durante o 1º Desafio Empreendedor Cimatec, que começou neste sábado (29).  A live foi o primeiro passo para que os participantes possam analisar problemas, chegar a uma boa ideia e empreender. Durante 10 semanas, os estudantes dos cursos de Engenharia Civil, Engenharia de Produção e Arquitetura do centro universitário vão ter contato com o mundo do empreendedorismo ao desenvolver um projeto inovador pensando nas tendências de mercado lançadas pela pandemia do coronavírus.

Após criar suas soluções, conversar com o mercado e receber feedbacks, os alunos que participam do desafio vão refinar suas ideias para construir um protótipo de negócio que será avaliado por uma banca de especialistas. Todas as equipes levarão um projeto para a análise. Neste sábado, foram lançados três desafios para os estudantes, cada um proposto por uma entidade parceira. O Sindicato da Indústria da Construção da Bahia (Sinduscon-BA) abordou a digitalização das construções. Diante da escassez de recursos financeiros para se aplicar em construção e infra-estrutura, o diretor do Sinduscon, Marcos Galindo, disse que o desafio é aumentar a produtividade com menos recursos.

Uma das saídas, disse Galindo, é apostar nas ferramentas digitais. “A digitalização permite a agilidade e integração entre as diversas disciplinas e projetistas, além de uma colaboração simultânea e a solução de problemas”. Ele afirma que automatizar a obra é promover uma melhor gestão dos insumos. “Isso também ajuda na produtividade da construção. Somos um setor ávido por inovações. Produtividade, sustentabilidade, gerenciamento, logística e automação. A digitalização é fundamental para tomar posições definitivas relacionadas com esses desafios”.

Já a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA) sugeriu novos modelos de domicílio. “Tem que analisar o comportamento das pessoas desde lá atrás. Avaliar com uma larga lacuna de tempo. Só existe imóvel porque tem gente. O ser humano ocupou grutas, cavernas e encostas. Foi a nossa fragilidade que nos fez criar imóveis. Estamos agora em casa porque somos frágeis ao vírus. Não importa se você vai comprar uma unidade habitacional ou uma mansão, tem que ter segurança”, disse Marcus Araújo.  

“As famílias estão reduzindo. A pandemia vai reduzir as famílias ainda mais. Minha dica é olhar para as pessoas. Como usar as novas tecnologias para a tendência de maior permanência na habitação? As pessoas já estavam mais em casa. A varanda gourmet é o produto da década. Os imóveis têm que promover a socialização digital segura das pessoas. Se for possível, entregue o iFood por drone, para não precisar nem descer para pegar a encomenda”, provocou o consultor da Ademi, autor do livro Meu Imóvel, Meu Mundo. 

A Solaria Lab,um laboratório mundial de inovação que prospecta oportunidades de futuro, fez provocações sobre o uso de dados para a gestão dos domicílios. Synesio Neto, líder de tendências e prospecção da Solaria Lab, acredita, por exemplo, que as pessoas não devem deixar as cidades por conta do coronavírus ou do trabalho home-office.  “É um momento único em toda a história da humanidade. Mas temos recursos tecnológicos. A tecnologia que a Nasa usou para levar o homem a lua é milhares de vezes inferior aos celulares de hoje. A pandemia do coronavírus evidencia ainda mais essa transformação acelerada. Ela mudaria essa urbanização crescente? Acredito que as mega cidades vão aumentar e as cidades médias, por sua vez, podem se transformar em grandes polos. Podem ser criadas cidades corporativas. A Toyota está criando uma cidade totalmente conectada”, apontou Synesio.

Reflexão
O primeiro passo do desafio, portanto, serviu como reflexão. O objetivo era analisar a pandemia para compreender as oportunidades que foram lançadas neste período e, assim, empreender com o foco nos próximos anos. “Um ponto importante da reunião de hoje é que as peças têm que ter competências complementares. Tem que fazer acontecer. Estamos muito satisfeitos com esse primeiro passo. Ainda não sabemos quais os resultados disso, afinal de contas é uma construção coletiva. As pessoas que participaram ascrescentaram muito. Uma oportunidade de transformar essa situação adversa em uma perspectiva otimista. É transformar o limão em limonada”, afirmou Flávio Marinho, gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Senai Cimatec.

Não há limites para os modelos de empreendimento que serão propostos pelos participantes, explica Flávio. “Não há algo restritivo à engenharia ou à arquitetura. O empreendedor deve saber entender o problema do outro, que é de onde surge o negócio. Pode ser que essa solução venha da formação ou não, mas pedimos que ela tenha, pelo menos, uma relação com a área de formação”. Para aprender mais sobre o mundo dos negócios, os estudantes a partir do 3º semestre que fazem parte da trilha empreendedora dos cursos,  podem focar em um perfil profissional durante a graduação. Eles serão apresentados a novos desafios para buscar propor soluções para o mercado.

Além do caminho empreendedor, os cursos oferecem também foco nos perfis pesquisador e técnico-gestor.Os encontros do desafio serão todos realizados por meio da internet. Esse aspecto já aproximou o evento do Fórum Agenda Bahia 2020, uma realização do CORREIO, que é parceiro do projeto. Além disso, o interesse no uso de dados e seus desafios é outro ponto de interseção entre as duas iniciativas. 

“Nós temos duas convergências com o Agenda Bahia. A primeira foi a necessidade de se virtualizar. Além disso, também temos interesses em comum, como o tema do uso dos dados e a possibilidade de transformar um negócio a partir disto. É uma convergência oportuna que vai complementar a discussão sobre o tema”, afirma Flávio Marinho. O Fórum Agenda Bahia 2020 é uma realização do CORREIO, com patrocínio do Hapvida, parceria do Sebrae, apoio da Claro e Sistema FIEB e apoio institucional da Rede Bahia.

Fonte: Correio