O que aconteceu na Bahia? Geólogo explica por que terra tremeu

A Bahia inteira foi pega de surpresa na manhã deste domingo (30), após um terremoto atingir várias cidades do estado, inclusive Salvador. Pode até parecer um acontecimento isolado, mas os tremorres de terra no estado não “são tão incomuns como se pensa”, pontua o geólogo e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Carlos Uchôa. A maioria, no entanto, é fraca demais para ser percebida.

O geólogo explica que os terremotos são causados pela liberação de energias acumuladas. É como se existissem profundas cicatrizes abaixo da terra que, de tempos em tempos, irradiam para a superfície. 

“A causa mais provável é a reativação das falhas geológicas, que acumulam tensão, ou seja, energia, que precisa, em algum momento, ser liberada. É um pequeno deslocamento de terra”, explica Uchôa.

Os tremores principais também podem ocasionar tremores secundários, numa margem de dias ou de horas. Em Salvador, onde o abalo foi mais fraco, ressalta Uchôa, pode ter ocorrido um “reflexo”. “As ondas sísmicas viajam até se arrefecer, enquanto estiver campo para viajar, mas a partir do momento que vai ficando mais distante, via perdendo força”, diz.  Por isso, não é descartado que novos abalos sísmicos sejam registrados pelos sismógrafos. 

Como o Brasil está no meio de uma placa tectônica – a Sul-americana -, os tremores são mais fracos. O maior abalo foi registrado em Mutuípe, com magnitude 4,6. Em seguida, veio Amargosa – ainda assim, são tremores considerados baixos pelos especialistas, se comparados aos que ocorrem em demais países. É possível que, neste domingo, tenha acontecido uma “enxame de sísmicos”, quando ocorre uma sequência de tremores em diferentes locais. 

No século passado, no Recôncavo Baiano, tremores e relatos parecidos foram registrados. A área é considerada uma “região sismogênica”, ou seja, mais propensa a apresentar tremores devido a falhas geológicas. Um  outro exemplo de falha geológica é a divisão geográfica da cidade de Salvador em Cidade Baixa e Cidade Alta.

“Os mais fortes abalos aconteceram há mais ou menos um século. Pode ser que sejam um intervalo secular e por isso essa sequência. Mas não estou confirmando isso, apenas levantando uma possibilidade”, explica Uchôa.

Ele reforça, no entanto, que não é preciso entrar em pânico, pois, pelas caracterísitcas geológicas, os tremores são insuficientes para causarem estragos.

Fonte: Correio