Roger Abdelmassih retorna ao cárcere após quatro meses em prisão domiciliar

Após expedição da Justiça para que ele deixe a prisão domiciliar, o ex-médico Roger Abdelmassih saiu de sua residência, em São Paulo, no início da tarde desta segunda-feira (31), rumo ao presídio de Tremembé. As informações são da TV Globo.

Os policiais que acompanharam chegaram ao local às 11h30. Ele foi encaminhado ao IML, procedimento de praxe, antes de ir para o presídio. 

Abdelmassih foi condenado a 181 anos de reclusão por esturpro de dez pacientes . Ele cumpria prisão domiciliar desde 19 de abril em função da pandemia do novo coronavírus. 

Entenda

O retorno do ex-médico à Tremembé foi determinado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na sexta (28), após recurso do Ministério Público do Estado.

O relator da decisão, o desembargador José Raul Gavião de Almeida, argumentou que o cumprimento de uma pena em regime domiciliar não é possível a condenados ao regime fechado, caso de Abdelmassih.

O ex-médico foi inicialmente condenado a 278 anos de reclusão pelo estupro de dezenas de pacientes, mas a pena foi reduzida para 181 anos em 2014. O primeiro caso foi denunciado em 2008.

O relator também avaliou que não há recomendação médica ou provas de que o condenado corra risco de saúde na prisão e que não havia justificativas para uma progressão de regime, mesmo diante da pandemia do novo coronavírus.

“Quanto à prisão domiciliar de natureza humanitária, que estaria autorizada pela pandemia do coronavírus, este fenômeno não acarreta ao automático e imediato esvaziamento dos cárceres”, escreveu.

A prisão domiciliar de Abdelmassih já foi contestada e revogada em 2019, mas, em abril deste ano, a Justiça autorizou novamente que ele deixasse a penitenciária. Em 2017, o ex-médico também saiu e voltou da cadeia algumas vezes antes de conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Abdelmassih ficou conhecido como “médico das estrelas” e chegou a ser considerado um dos principais especialistas em reprodução assistida do país, antes de ser acusado por dezenas de pacientes por abuso sexual.

As mulheres afirmam que foram surpreendidas por investidas do ex-médico quando estavam sozinhas. Os casos teriam ocorrido durante a entrevista médica ou nos quartos particulares de recuperação. Três dizem ter sido molestadas após sedação.

Abdelmassih ficou foragido por três anos antes de ser preso e chegou a liderar a lista de procurados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Ele foi localizado em agosto de 2014, em Assunção, no Paraguai, de onde foi deportado.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP) iniciou um processo contra o médico em 2009, logo após as denúncias, e a cassação definitiva do registro profissional saiu em maio de 2011.

 

 

Fonte: Agencia Brasil