Rainha do Carnaval de BH é vítima de racismo após dar fora em homem em app

Eleita Rainha do Carnaval de Belo Horizonte neste ano, a mineira Laís Lima foi vítima de injúria racial e denunciou o crime nessa terça-feira (1º). Há uma semana ela recebeu uma mensagem em um aplicativo com um convite para um encontro. Ao ignorar a mensagem, ela conta ter sido agredida verbalmente. 

“Você é uma macaca, arrogante, idiota. Olha pra você, no máximo o que você serve é pra poder saciar o fetiche de alguém”, diz o agressor, que não foi identificado, em um áudio. A polícia vai investigar o caso.

Segundo o jornal Extra, a mudança de tom nas mensagens, que começaram com elogios à beleza da moça e pedidos para conhecê-la, veio após Laís não responder. 

Do outro lado do celular, estava um homem desconhecido, que, segundo a modelo, encontrou seu número na aba “contatos” em outra rede social.

“Tudo começou com um ‘bom dia’, dizendo que viu meu perfil e que tinha gostado. Começou a fazer perguntas sobre a minha vida, onde eu trabalhava, o que fazia, etc. Como estava ocupada trabalhando, nem respondi. Logo ocorreram as primeiras ofensas, me chamando de ‘burra’, ‘vadia’, que eu estava ‘me achando’ e que ‘tinha que ser preta’. Em seguida, bloqueei o número”, relembra a enfermeira, que também atua como modelo e atriz.

No dia seguinte, ainda sem ter se recuperado do choque das primeiras mensagens racistas e misóginas, Laís foi novamente procurada pelo criminoso. Desta vez, o contato foi feito através de um outro número de celular.

“A princípio, não identifiquei que era a mesma pessoa. Por áudio, ele continuou as ofensas: ‘Você é uma macaca, arrogante, idiota. Olha pra você. Você, no máximo, serve para saciar o fetiche de alguém’, dizia a mensagem”, conta a modelo, que destaca que esta foi apenas uma parte das ofensas. Segundo ela, o restante é muito pior.

Em uma das mensagens, o interlocutor escreve “rainha de bateria, enfermeira. Todos os fetiches numa mulher só.” Ela conta que também já foi vítima de racismo por parte de um ex-namorado.

Investigação
Laís Lima contou que que pensou duas vezes antes de levar o caso à polícia pelo fato de se sentir culpada (mesmo sem motivo) e envergonhada após sofrer as ofensas.

Verbalizar novamente tudo o que ouviu e leu seria difícil, explica a jovem. Porém, percebeu que, se mantendo calada, acabaria facilitando a continuidade destes crimes por parte do agressor.

Após registrar boletim de ocorrência na terça por injúria racial em uma delegacia de Belo Horizonte, Laís apresentará nos próximos dias o restante das provas – incluindo os números pelos quais o agressor fez contato –, a investigadoras em uma delegacia especializada.

Fonte: Correio