Caso Isabele: adolescente assumiu risco de matar amiga, diz polícia

A adolescente de 14 anos que matou a amiga Isabela Guimarães Ramos, da mesma idade, tinha consciência dos riscos de apontar a arma para a vítima e os assumiu, concluiu a Polícia Civil do Mato Grosso. O caso foi em Cuiabá no mês de julho.

Com a conclusão, a menor vai responder por ato infracional análogo a homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. A defesa diz que essa versão não se sustenta.

O delegado Wagner Bassi, da Delegacia Especializada no Adolescente, disse que a garota treinava tiro com o pai e tinha conhecimento técnico sobre o manuseio da arma.

“Era uma adolescente treinada, capacitada. Quando fazemos treinamento de tiro, antes de pegar na arma, aprendemos uma situação que chama segurança. Aprendemos a desmuniciar e olhar se a arma está carregada. Ela tinha capacitação de segurança”, considera o delegado.

Para ele, é o mínimo que ela tenha considerado os riscos ao manusear a arma carregada dentro de um banheiro, perto do rosto da amiga. Isso significa que ela assumiu o risco de causar a morte de Isabela, diz.

O adolescente de 16 anos, namorado da suspeita, vai responder por ato infracional análogo a porte ilegal de arma de fogo. Ele levou armas, incluindo a que foi usada no disparo contra Isabela, para a casa da família.

“O ECA fala que adolescente não comete crime. Ato infracional são condutas que podem ser criminosas, mas, para deixar claro, não há crime. A consequência máxima é internação. O adolescente nunca é preso, pode apenas ser internado em estabelecimento educacional. Pode até ser fechado, mas é educacional, e não prisional”, destacou o delegado.

Pais indiciados
Já os adultos envolvidos no crime serão indiciados. O empresário pai da suspeita vai responder por homicídio culposo – quando não há intenção de matar -, posse ilegal de arma de fogo, entregar arma para adolescente e fraude processual. Ele pode pegar 11 anos de prisão, além de pagar multas.

Para o delegado, o pai foi negligente ao permitir que a filha pegasse a arma. 

“Ele, em nenhum momento, podia ter permitido que a filha pegasse a arma, essa atitude foi negligente e gerou o resultado, que foi a morte da vítima. [Ele também será indiciado por] Fraude processual, já que ele teve algumas condutas que entendemos que podem ter atrapalhado a investigação. Logo após a chegada do Samu haviam apetrechos de arma de fogo na mesa, ele falou para a esposa guardar. Esses objetos deviam ter ficado ali para passarem por perícia”, explica.

Outro ponto é a ligação para o Samu. O empresário diz inicialmente que Isabele havia caído no banheiro e batido a cabeça, sem revelar que ela havia levado um tiro.

“O disparo foi muito claro, vimos no áudio do Samu que ele disse que não foi tiro. Achamos que isso atrapalhou e entendemos que pode caracterizar fraude processual”, diz o delegado.

O pai do namorado da menor que atirou foi indiciado por omissão na cautela na guarda de arma de fogo. A pena prevista é dois anos de prisão e pagamento de multas.

Fonte: Correio