Semana Brasil: Lojistas acreditam que campanha é oportunidade para reconquistar clientes

Com a pandemia do novo coronavírus e a recessão econômica que o Brasil atravessa, comerciantes estão dando seus pulos para atrair os clientes de volta às compras. O medo de contaminação e o bolso vazio dos brasileiros são fatores enfrentados pelas lojas, que aderem a campanhas como a Semana Brasil, que começa nesta quinta-feira (3) e termina no outro domingo (13) e vai oferecer preços atrativos para consumidores de todo país. Em Salvador, lojistas e vendedores garantem que não vai faltar produto no precinho para quem está procurando pechincha pela cidade.

A Semana Brasil é parte de uma campanha nacional, que tem o objetivo de engajar lojistas na oferta de preços baixos para aquecer as vendas no comércio de varejo. Chegando em sua segunda edição, o projeto, que foi criado pelo Governo Federal, vai unir boa parte do comércio numa tentativa de retomada da economia, através da movimentação das vendas, que ainda não voltaram ao normal desde a reabertura das lojas.

Apesar de recente, neste ano, a campanha ganhou mais notoriedade e expectativa entre os lojistas já que é a primeira ação promocional desde o retorno. Isso é o que garante Vaneilton Almeida, superintendente do Shopping Bela Vista. “Por ser a primeira ação voltada a venda depois da reabertura do comércio, a semana ganhou uma notoriedade que talvez ela não tivesse neste ano em condições normais. Então, estamos com uma expectativa positiva. Desde quando reabriu, nos preparamos para este momento que pode significar uma guinada nas vendas para os lojistas que passaram por momentos tão complicados em 2020”, afirma o superintendente.

Carlos Andrade, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), elogiou a iniciativa que, para ele, chega em boa hora. “A Semana Brasil tem a louvável iniciativa de aquecer as vendas no mês de setembro. Estamos numa fase em que as iniciativas promocionais para ajudar o varejo a sair dessa crise são fundamentais. Na capital baiana, que atravessa a fase 2 da retomada econômica, a ação chega em momento apropriado, com os shoppings centers em funcionamento”, salienta.

Lojistas e vendedores

Para lojistas e vendedores, é óbvio que a Semana Brasil representa uma oportunidade não só de receber mais clientes como de voltar a fidelizar os que deixaram de frequentar as lojas depois que a pandemia chegou por aqui. Com vendas bem abaixo do normal desde o retorno, comerciantes e atendentes, que muitas vezes têm nas comissões oriundas das vendas parte significativa de sua renda, estão ansiosos para que a promoção comece logo. 

Monique Santos, 29 anos, gerente da Esteem Plus, que fica no Shopping Bela Vista, vê na semana o momento perfeito para reconquistar os clientes que estão ausentes das lojas e que podem retornar ao saber das ofertas. “Na verdade, voltamos com um fluxo muito baixo. Só na semana passada começou a melhorar. A ação tem tudo pra potencializar essa volta das pessoas. Pra nós, acho que é a hora ideal e prosseguir com esse processo de retorno dos clientes. Tudo sendo realizado com segurança, claro”, declara.

Monique crê que pode reconquistar clientes durante campanha (Foto: Wendel de Novais/CORREIO)

Quem também está com a expectativa positiva para a campanha é a atendente Nairan Carvalho, 26, que acredita em uma venda considerável durante a oferta de promoções. “A expectativa é bem grande. Queremos logo acelerar as vendas e quem sabe soltar logo tudo que está previsto para o mês inteiro. Com essas condições, toda oportunidade tem que ser aproveitada. Para mim, que tenho na comissão um quantitativo interessante para minha renda, uma resposta dos clientes seria fundamental pra pintar um dinheiro mais considerável nos meus ganhos”, relata a funcionária da Esteem.

A opinião de Nairan é endossada por Kelly Pires, 29, que tem fé que vai ganhar mais do que os últimos meses em comissão pro conta da iniciativa  “Tenho a expectativa de vender uma quantidade a mais do que estava previsto para o mês. Acho que os preços amigáveis que estamos colocando podem fazer com que o movimento e a procura pelos nossos produtos melhorem. Com certeza isso vai afetar positivamente no que eu ganho aqui”, diz a vendedora da Zinzane do Shopping Bela Vista.

Zinzane já anuncia liquidação de produtos (Foto: Wendel de Novais/CORREIO)

Outros lojistas também colocaram a expectativa no alto para a arrecadação da Semana Brasil e capricharam nos preços. “Estamos com 50% de desconto em toda a loja, e tem desconto progressivo. A partir de três peças, o cliente ganha mais 10%. Vejo a campanha como uma oportunidade. Nos preparamos com todo o cuidado para proteger nossos funcionários e clientes”, afirma Angelo Campos, proprietário da Loja MOB, que fica no Shopping Barra.

Ana Berenguer, sócia da Cambodja, que fica no Shopping Barra, disse que, com a campanha, virão novidades para os clientes. “Vamos dar continuidade aos descontos que estávamos oferecendo em um bazar virtual e traremos novos produtos para garantir inovação aliada aos preços que serão ofertados”, conta.

Segurança sanitária

Se tem um negócio que chama gente, é promoção. Não pode aparecer uma redução aqui ou uma queima de estoque ali, que aparece gente do Oiapoque ao Chuí – ou da Barra a Periperi, em uma expressão adaptada às características geográficas de Salvador. Fato é que preço baixo corresponde, normalmente, a uma quantidade alta de pessoas por metro quadrado, tudo que não se pode ter em uma cidade que ainda luta contra uma a pandemia. Para lidar com isso, os shoppings prometem uma rigidez ainda maior na fiscalização das normas de funcionamento delimitadas pelo protocolo da prefeitura.

Com péssimos exemplos de promoções que viralizaram no meio da quarentena por fazer com que clientes se aglomerassem, facilitando a disseminação do novo coronavírus, o Shopping Bela Vista tem como prioridade a manutenção das regras de higiene e isolamento social. Vaneilton garante que não acontecerão ações desalinhadas com as regras de funcionamento dos shoppings em uma Salvador ainda pandêmica. “Precisamos cumprir ainda sim todos os protocolos da prefeitura e proporcionar a maior segurança sanitária possível. Ainda mais nessa semana, que a tendência é que o número de pessoas no shopping aumente. Não vamos descuidar das regras necessárias para oferecer uma ambiente seguro para as pessoas. Vamos intensificar o trabalho de fiscalização e, se necessário, notificar as lojas se algum limite for desrespeitado”, informa.

Paulo Motta, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas), classificou a iniciativa como positiva, mas mostrou preocupação com o que a promoção pode causar. “É um movimento oportuno e que apoiamos porque os lojistas estão precisando disso. Mas tem esse contraponto que é a possibilidade de aglomeração que seria uma situação prejudicial para todos. Por isso, a segurança das pessoas deve ser tratada como prioridade no processo e essa é a principal orientação do Sindilojas. A semana não pode ofuscar a necessidade dos cuidados e ainda é preciso seguir a cartilha de boas práticas contra o vírus a risca”, adverte o presidente.

O Shopping Barra está ciente da importância de não afrouxar os cuidados que evitam a disseminação do vírus. Porém, Karina Brito, gerente de marketing do local, acredita que a Semana Brasil não vai levar risco para execução correta do protocolo. “Estamos cientes da responsabilidade de manter o nosso ambiente um lugar seguro e que siga todas as recomendações sanitárias. A fiscalização continua e ganhará ainda mais força com a concentração de mais pessoas. A semana não vai ser um momento de facilitação de aglomerações. As regras serão mantidas. E até acho que não teremos dificuldade em realizar isso. Com a recessão econômica que vivemos, não devemos ter uma demanda que dificulte a execução do protocolo”, diz.

Atenção ao direito do consumidor

Além do cuidado com as aglomerações e a higiene sanitária, quem pretende ir conferir os preços da semana deve ficar atento aos direitos do consumidor e recusar condições que representem abusos da loja em relação aos interessados. De acordo com o advogado Paulo André Rocha, neste tipo de campanha, é necessário que o cliente esteja de olhos ainda mais aberto para que todos os seus direitos sejam respeitados.

“Naturalmente, as empresas vão tentar apresentar preços atrativos e interessantes para os consumidores, mas que, às vezes, podem se tratar de armadilha. É necessário estar atento e ter cuidado com as principais práticas abusivas como a venda casada e a possibilidade de um risco na informação. O produto, quando colocado à venda, precisa conter as informações para que o cliente saiba exatamente qual é a sua função. Porque só assim você pode saber se está adquirindo um produto dentro das normas técnicas”, alerta.

Sobre as compras realizadas pela internet, o advogado especializado em direito do consumidor também deu dicas e salientou a existência do direito de arrependimento em compras não presenciais. “É importante evitar sites que não são confiáveis e têm uma série de reclamações. No caso de compras que não responderam a expectativa, o consumidor tem direito ao arrependimento, que é previsto no código de defesa do consumidor. Você tem a possibilidade de fazer a restituição do produto ou serviço só pelo fato da sua compra não ter sido feita de maneira presencial. Para ter acesso à este direito, o consumidor tem um prazo de sete dias para solicitar a restituição”, garante.

Confira dicas de Paulo sobre direito do consumidor:

  • Estabelecimento comercial não pode impor valor mínimo para compras com cartão de crédito.
  • Antes de comprar um produto, você deve ser avisado sobre os possíveis riscos que ele pode oferecer à saúde ou a sua segurança. 
  • Se, depois da compra, você perceber que o produto não corresponde àquilo que foi prometido no anúncio, você tem o direito de cancelar a compra ou o contrato e receber o dinheiro de volta. A publicidade enganosa e abusiva é proibida.
  • O consumidor terá de 30 a 90 dias para reclamar (de bem durável ou não, respectivamente) e a loja, 30 dias para consertar. Caso o produto seja essencial, como uma geladeira ou um fogão, a empresa deverá fazer a troca da mercadoria assim que o defeito for confirmado.
  • Produto usado, de mostruário ou reembalado também tem garantia. Se o vendedor informar os vícios aparentes no momento da compra e incluir esses vícios na nota fiscal, o consumidor não poderá buscar a reparação. 
  • Em compras pela internet, o consumidor tem o direito de exigir a troca ou cancelamento de compra no prazo de 7 dias, contados a partir da assinatura do contrato de prestação de serviços ou do recebimento do produto, sem apresentar qualquer justificativa (exceto em casos de medicamentos, produtos perecíveis ou de consumo imediato, que estão fora das hipóteses do chamado arrependimento imotivado até 30/10/2020, conforme lei nº 14.010/2020).

*Sob orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

Fonte: Correio