Nada de cilindros: saiba o que realmente importa na hora de decidir qual o melhor motor pra você

Se você, assim como este repórter que vos escreve, achava que só um carro de motor 1.8 ou 2.0 responderia bem a situações mais adversas com alto desempenho, se prepare para o choque de realidade: está tudo errado nessa linha de pensamento. O senso comum de que o veículo 1.0 não tem os atributos necessários para enfrentar situações de maior exigência é coisa do passado. Ao CORREIO, especialistas afirmaram que carros com menos cilindradas podem oferecer um desempenho positivo nestas situações enquanto seguem sendo referência em baixo consumo de combustível.

Com a evolução e o aperfeiçoamento da indústria mecânica, hoje, outros fatores são mais importantes do que a numeração ciìndrica do motor, que vem plotada em todo automóvel. Pensando nisso, a reportagem do CORREIO entrou em contato com quem mais sabe do assunto para saber o que deve ser considerado na hora de optar pelo motor ideal para o seu tipo de uso.

De acordo com Antônio Roque, gerente de pós venda da Indiana, concessionária da Ford, os modelos de menos cilindradas que são turbo dão conta do recado e chegam a superar modelos antigos com 1.8 de motor. “Essa mística do carro precisar de muitas cilindradas para ter um bom motor é antiga e não é mais válida. Os primeiros motores 1.0 não tinham tecnologia e nem aparatos como turbinas e bicos injetores pra ajudar e, por isso, eram fracos. Mas, hoje, a tecnologia faz com que o 1.0 seja muito melhor e supere facilmente motores 1.6 da década de 80, por exemplo”, declara Roque.

Carros 1.0 podem oferecer potência superior aos veículos 1.6 da década de 80 ((Foto: Arisson Marinho/CORREIO))

Tem gente que já sabe da realidade citada por Antônio e aproveita pra optar por veículos com menos cilindradas que apresentam bom desempenho e, de quebra, economizam bastante quando o assunto é combustível. É o caso de Odair Nascimento, 45, que é gerente de paisagismo e já teve na garagem modelos de diferente cilindradas. “Eu já tive outros e hoje tenho um 1.4, que tem um consumo de combustível baixo, uma manutenção mais barata e uma potência que me permite usá-lo tanto para passeio como para trabalho em atividades mais exigentes como o transporte, por estradas de terra, para fazendas, por exemplo. Não tenho o que reclamar. Independente do uso, nunca me deixou na mão”, conta.  

O que, de fato, importa

Com a saga dos cilindros desmistificada, é importante saber o que, realmente, tem que ser observado na hora de entender qual motor pode apresentar um desempenho mais interessante para o seu tipo de uso. E um dos pontos mais importantes que você precisa estar atento no momento da escolha é o torque do motor, elemento fundamental para a geração de força do veículo.

Antônio Meira, jornalista especializado em automóveis, afirma que o número de cilindradas não define se um carro é capaz de oferecer ou não um bom desempenho em determinadas situações e que o torque, por exemplo, é um elemento que merece mais atenção. “No trânsito urbano, o motorista precisa de força para ganhar agilidade. O que vai propiciar isso é o torque. Por isso, os veículos turbo estão em alta. Neles, graças à turbina, a força é oferecida em rotações mais baixas”, conta.

Torque é elemento fundamental para potência do veículo ((Foto: Arisson Marinho/CORREIO))

Já Roque, focou na quantidade de cavalos e no consumo de combustível na hora de orientar o que se deve buscar no motor do carro desejado. Elementos que têm pesos diferentes e variáveis de acordo com o tipo de consumidor conforme informa o gerente. “Para quem é iniciante e vai utilizar o carro de maneira comum, os dois elementos são importantes, mas o fator de consumo é com certeza o que é preciso ficar atento. Quem usa carro apenas pra se deslocar tem que optar pelo mais rentável, que são carros de baixo consumo. Já quem trabalha como motorista de aplicativo vai focar na potência do carro que está diretamente relacionada a quantidade de cavalos. Fora os acessórios dos carros que variam tanto a potência como o consumo e que o cliente também precisa conhecer para não cometer erros”, salienta.

Modelos 

Como o ideal mesmo é um carro com uma potência considerável e um baixo consumo de combustível, o CORREIO  pediu indicações de veículos que estivessem dentro desses critérios para os especialistas que podem ser boas dicas de qual carro comprar pra quem está pensando em adquirir um veículo.

Meira, que explicou a importância do torque para o desempenho de um veículo, citou carros da Caoa Cherry, que são veículos motores turbo, que são capazes de ter aceleração e retomadas parecidas com as de um 1.6. “A Caoa Chery é uma das empresas tem apostado neste tipo de propulsão. Seus últimos lançamentos como o sedã Arrizo 6 e o Tiggo 8 utilizam turbo e são exemplos interessantes de carros com um torque interessante”, afirma.

O Arizzo 6 é um sedã médio que tem 4,71 m de comprimento, 1,82 m de largura e entre-eixos de 2,67 m. O porta-malas, de 570 l, é o maior do segmento. Ele tem motor 1.5 turbo de 150 cavalos, que é movido por um câmbio de nove marchas com duas formas de condução: eco e sport. De acordo com informações da Cherry, aceleração faz com que o veículo vá de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos. Já o Tiggo 8 é um SUV de sete lugares com motor turbo 1.6 e 187 cavalos de potência.

Ao indicar veículos que cumprissem o critério de menos cilindros e boa potência, Roque recomendou dois carros da Ford: o Territory e o Ka. “O Territory tem um motor turbo 1.5 com injeção direta e 150 cavalos. Um carro de consumo baixo e uma potência muito interessante. Esse motor é compacto, pequeno, potente e econômico. O Ford Ka, que tá sempre como o segundo mais vendido do Brasil, é bastante econômico e tem uma potência bem satisfatória. O modelo do Ka 1.0 produz 80 cavalos na gasolina e 80 no álcool. São dois exemplos campeões!”, diz.

Todos modelos citados acima não chegam perto dos veículos com mais cilindros no mercado, mas oferecem um desempenho suficiente para situações mais adversas e aliam a potência do motor com o baixo consumo de combustível, elemento que todos consideram na hora de escolher o veículo que irão adquirir.

*Sob orientação da sub-editora Clarissa Pacheco

Fonte: Correio