Você sabe usar o câmbio automático do seu carro? Veja guia para iniciantes

A previsão para este ano é que mais da metade dos modelos novos sejam equipados com transmissão automática. Em algumas categorias, como a dos sedãs médios, que inclui modelos como Honda Civic e Toyota Corolla, o câmbio manual nem é oferecido mais.

O equipamento, que serve para transferir para as rodas a potência gerada pelo motor, está presente de forma automática também em modelos mais acessíveis, como os três modelos mais vendidos do país: Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Ford Ka. Entre os dez mais emplacados em agosto, apenas a Fiat Strada não possui essa facilidade para o motorista – que precisa utilizar a embreagem para engatar as machas. 

Mas é preciso ter cuidados específicos com o sistema, que é mais complexo e caro que o manual. No geral ele costuma dar menos despesas, mas quando quebra o custo é maior. Por isso, preparamos dicas para que o equipamento tenha sua vida útil prolongada e não traga prejuízos para o usuário.

O primeiro passo, neste caso para quem nunca teve um veículo sem o pedal de embreagem, é conhecer as principais siglas da alavanca:

P: “parking” ou estacionamento, deve ser usada quando o veículo estiver parado ou estacionado;

N: neutro, que simboliza o ponto morto;

D: drive, a posição para dirigir;

R: utilizado para quando for necessário colocar a marcha ré.

Alguns modelos podem conter letras extras, como S, que ativa a função esportiva. É como se fosse o D, mas nesse caso as marchas serão trocadas em rotações mais altas. O consumo, consequentemente, será maior.

Outros contam com a letra L, de low (baixo, em português). Vai servir para subir ou descer uma ladeira inclinada, por exemplo. Essa posição do câmbio irá impedir que a transmissão, em rotações mais elevadas, troque de marcha no meio do caminho, a rotação do motor caia e o veículo perca torque.

A mesma lógica vale para as numerações 1, 2 e 3 ou L, 2 e 3. Ou seja, a marcha não será trocada automaticamente. Você pode utilizar esse recurso em pisos de baixa aderência.

Cuidados

Para ampliar a vida útil é preciso ter alguns cuidados. Usar a banguela, colocando o câmbio em neutro é prejudicial, além de comprometer a segurança e não trazer economia de combustível. A injeção de combustível recebe uma calibração para entrar em modo de baixo consumo assim que o condutor tirar o pé do acelerador, com a transmissão em “D”. Isso faz com que o motor receba apenas a quantidade necessária de combustível para mantê-lo girando. Ou seja, tanto faz estar nas posições D ou N.

A segurança é comprometida pois na frenagem todo o esforço para parar o carro é transferido para os freios, que podem superaquecer e apresentar uma fadiga. Com o D engatado, o freio motor seria acionado. Além disso, a movimentação da manopla entre essas posições com o carro em movimento pode danificar as engrenagens.

Em alguns veículos, o fabricante não recomenda a troca de óleo da transmissão, mas ela será necessária em caso de vazamento. Isso pode acontecer por uma falha em um retentor ou acidente, por exemplo.

Nos modelos em que a montadora recomenda a troca é necessário acompanhar no manual qual é o intervalo. Se houver uso severo, como em veículos de trabalho, pode ser preciso antecipação.

Em um engarrafamento ou sinaleira mantenha o veículo em D, não há motivos para colocar em N. Em alguns modelos, é oferecida uma tecla chamada Auto Hold (ou Brake Hold, a depender do fabricante), com ela acionada, basta o motorista pisar no freio e deixar a alavanca em D. Depois pode tirar o pé do freio. Para sair, basta acelerar. Modelos como Honda Civic e Volkswagen Tiguan oferecem esse item.

Com a tecla Brake Hold acionada não é preciso segurar o carro no freio no engarrafamento (Foto: Honda)

Outra situação, que não é indicada em nenhuma situação: alterar a performance mudando o software ou instalando um chip. Todo fabricante tem interesse em oferecer o máximo de rendimento de um veículo, se ele é limitado, há um motivo. Aumentar o rendimento pode sobrecarregar todo o conjunto, que foi dimensionado para uma determinada performance. Além disso, essa atitude pode quebrar o contrato de garantia.

Na hora do guincho

Em caso de acidente ou pane elétrica você pode não conseguir dar a partida no motor. Consequentemente, a alavanca ficará imobilizada em P. A solução para empurrar o carro ou para que ele seja guinchado é simples:  tire uma tampinha que fica próxima à manopla e use a chave do carro para empurrar um botão que fica embutido lá para desbloquear a alavanca e colocá-la na posição N.

A tampinha para destravar o câmbio fica próxima da alavanca, como nessa Nissan Frontier (Foto: Nissan)

História

Em 1940, chegaram ao mercado americano os primeiros modelos com transmissão automática, os Hydra-matic, como eram conhecidos naquela época. O nome vem do acionamento hidráulico da caixa, que contava com duas marchas à frente e a ré. No Brasil, virou hidramático e até alguns anos atrás era comum escutar esse termo.

Legislação
 
A proposta de uma CNH exclusiva para dirigir carros com câmbio automático foi aprovada em dezembro por uma comissão do Congresso Nacional, mas ainda deverá ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e em sessão plenária. Caso seja aprovada, pessoas com esse tipo de CNH poderão ser multadas se estiverem dirigindo um carro manual.

Fonte: Correio