Esperança de medalha olímpica, promessa do BMX vai a Portugal

Com o sonho de chegar a Tóquio adiado por causa da pandemia, a ciclista baiana de BMX, Paola Reis, de 21 anos, embarca para a Europa na quinta-feira (10) para retomar os treinos e se preparar para a reta final do ciclo olímpico. Líder do ranking brasileiro na modalidade Elite Women – principal categoria do país -, Paola ficará pouco mais de um mês na cidade de Sangalhos, em Portugal, junto com outros quatro atletas que integram a seleção brasileira de BMX.

A viagem faz parte da Missão Europa, organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) em parceria com a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) – e de outras modalidades. Paola está com boas expectativas para a viagem internacional, principalmente por ter mais tempo de treinamento em condições positivas, com uma estrutura similar à que é encontrada nas competições mundiais, como a Olimpíada. “A grande diferença vai ser mesmo a estrutura, já que aqui não tenho condições ideais. Será mais uma experiência boa, como a que tive em Bordeaux, na França, quando passei três meses treinando lá em 2019”, comenta. 

A falta de estrutura, inclusive, foi tema abordado por Paola em entrevista ao CORREIO em setembro do ano passado, quando havia retornado de Lima, no Peru, com uma inédita medalha de prata no Pan-Americano. Ela lembra que a rampa de largada – chamada de gate – na pista do Corsário, onde treina, é totalmente diferente da que é encontrada fora do Brasil. “Enquanto aqui tem 1,5 metro, o gate oficial tem 8 metros”, compara. Por isso, a ida para Portugal se torna ainda mais valiosa.

Na Europa, Paola conta que os ciclistas brasileiros encontrarão uma estrutura de elite, no complexo que abriga os treinos dos portugueses. “Vamos ficar num alojamento, de onde vamos direto para o treino, e temos todas as refeições inclusas nessa viagem”, conta. 

Paola Reis tem 21 anos e desponta como grande nome do BMX brasileiro
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Superação

O retorno aos treinos marca um recomeço na carreira de Paola, tida como grande promessa da modalidade a nível mundial. Mas, como já foi dito, a estrutura de preparação surge como principal empecilho. 

“Não tem muito tempo que parei de treinar e fui pensar na minha carreira. Eu chegava da competição em outro país, vinha para Salvador e não tinha estrutura nenhuma. Eu só competia. Eu e Leonardo sempre fizemos de tudo para criar condições, dávamos um jeito de treinar aqui e íamos para a sede do campeonato 20 dias antes, só para me adaptar à pista”, desabafa, citando o treinador Leonardo Gonçalves, que a acompanha desde suas primeiras pedaladas, aos 11 anos de idade.

Ela lembra do momento que chegou a interferir no seu psicológico: “Teve um momento que eu parei total. Cheguei num ponto que estava com depressão e pensava: ‘não adianta viajar, me arriscar, e depois chegar no Brasil e não ter como continuar treinando’. Cancelei viagens, não tinha condições de competir”, completa a ciclista. 

Como parte dessa preparação, a dupla chegou a improvisar uma descida de 8 metros, como a da pista oficial. “Eu amarrava a bicicleta dela na minha moto e descia uma ladeira aqui em Stella Maris. Esse era o jeito de treinar”, revela o técnico.

O adiamento obrigatório da Olimpíada de Tóquio por causa da pandemia do coronavírus fez Paola se dar “uma segunda chance no esporte”, como ela define. “Lutei por 10 anos, não fazia sentido parar”.

As contas para chegar a Tóquio

As contas de pontuação são simples para entender o caminho de Paola para a Olimpíada de Tóquio-2020 – que será disputada em 2021. Ela “só” precisa ficar mais bem colocada que Priscilla Stevaux, segunda do ranking nacional e sua principal concorrente na modalidade. 

“A vaga para o Brasil nas Olimpíadas já estava garantida, agora o que falta é saber quem vai representar”, explica o treinador Leonardo Gonçalves. Por enquanto a vantagem de Paola é mínima, apenas 30 pontos. Então, independentemente de qual posição finalize as provas, ela precisa se manter na frente de Priscila.

Com o vírus espalhado, diversas competições foram adiadas, entre elas duas importantíssimas, como o Mundial, que seria disputado em Houston, nos EUA, e o Campeonato Pan-Americano, que seria em Lima, mesmo local do Pan. Agora, as quatro Copas do Mundo em 2021 serão os únicos métodos de classificação. Em dois fins de semana, ainda sem data e local definidos, serão quatro etapas para, enfim, consagrar a representante brasileira em Tóquio.

Leonardo cobra melhores condições de preparação para a atleta no Brasil: “Não adianta ter só talento, precisa de estrutura para atingir resultado e pensar em medalha. Para não ser uma atleta que quase conseguiu, que foi sempre uma promessa”.

Pista de bicicross do Corsário passa por melhorias
(Foto: Sudesb/Divulgação)

Pista do Corsário em reforma

Uma boa notícia para Paola Reis é que a pista Tertuliano Torres, no Corsário, passa por reformas no momento. Entre as ações projetadas estão a requalificação do platô de largada, drenagem da água de chuva, iluminação, além de peças de sinalização visual. As obras são executadas pela Associação de Bicicross de Salvador (ABS) em parceria com a Sudesb e a Conder. 

“O objetivo é oferecer uma melhor estrutura para os atletas que treinam e disputam provas no complexo, para que os mesmos possam desenvolver suas atividades com melhor segurança e conforto, além da retomada do desenvolvimento das atividades do Projeto Pedal desenvolvido nesta pista”, afirmou o diretor geral da Sudesb, Vicente Neto.

O Projeto Pedal, citado por ele, foi onde Paola Reis iniciou a carreira como ciclista. Envolve aulas de iniciação esportiva para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos.

Fonte: Correio