Busca por testamentos em cartórios baianos aumenta 223% na pandemia 

Os baianos estão mais precavidos nesses tempos de pandemia. De acordo com um uma pesquisa, a procura por cartórios para fazer e registrar testamentos cresceu 223% desde a chega do novo coronavírus.

O levantamento feito pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB-CF), por meio da Central Notarial de Serviços Eletrônicos Compartilhados (CENSEC), analisou o número de pessoas em busca do serviço entre abril e julho de 2020.

Os dados mostram que o crescimento começou em abril, um mês após o início da pandemia, e continuaram progressivamente mês a mês. Na Bahia, os números saltaram de 13 testamentos em abril para 42 em julho.

O testamento é um documento que visa garantir que os bens de uma pessoa sejam distribuídos conforme o desejo dela, em caso de morte. Isso evita disputas entre familiares e briga judiciais. Para realizar o ato é necessária a presença de duas testemunhas, que não podem ser herdeiras ou beneficiadas pelo testamento, além dos documentos de identidade de todas as partes, requerentes e testemunhas. A presença de um advogado é opcional.

O documento pode ser alterado e revogado a qualquer momento enquanto o testador estover vivo e lúcido, e terá validade e publicidade somente após a morte do testador.

Durante a pesquisa, tabeliães também relataram que a maioria das pessoas que buscam informações por testamento são idosos, profissionais de saúde e jovens que fazem parte do grupo de risco da covid-19.

O crescimento também foi notado em outros estados: Amazonas (1000%), Ceará (933%), Roraima (400%), Distrito Federal (339%), Maranhão (300%), Mato Grosso (300%), Sergipe (260%), Pernambuco (225%), Espirito Santo (175%), Minas Gerais (170%), Rio Grande do Sul (187%), Alagoas (167%) e Santa Catarina (108%). Já outras unidades da Federação, como Tocantins (150%), Roraima (100%), Paraíba (45%), Goiás (31%), Espirito Santo (22%), Paraná (17%), Mato Grosso do Sul (7%) e Pernambuco (6%).

De acordo com o presidente do CNB/BA, Giovani Gianellini, o aumento na busca pelos testamentos não surpreende. “Diante dos desafios impostos pela Covid-19, as pessoas ficaram preocupadas com a possibilidade de se contaminarem e decidiram procurar os Cartórios de Notas para assegurar a partilha do seu patrimônio em caso de falecimento. Essa preocupação tem alterado a cultura do brasileiro, que começou a enxergar no testamento uma ferramenta adequada para que, na eventualidade do falecimento do testador, seus bens sejam distribuídos conforme a sua vontade”. 

Fonte: Correio