Paulo Guedes terá que pagar R$ 50 mil por comparar servidores com 'parasitas'

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi condenado pela Justiça Federal a pagar uma indenização de R$ 50 mil ao Sindicato dos Policiais Federais do Estado da Bahia (Sindipol-BA) por comparar os servidores com “parasitas”. A decisão, tomada pela juíza da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária da Bahia (SJBA), Claudia da Costa Tourinho Scarpa, ainda cabe recurso.

A declaração infeliz de Guedes foi feita durante palestra no seminário Pacto Federativo, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em fevereiro deste ano. Na ocasião, ele disse que o governo brasileiro está quebrado porque gasta 90% da sua receita com o funcionalismo público, classificado como “parasita”.

“O funcionalismo teve aumento de 50% acima da inflação, tem estabilidade de emprego, tem aposentadoria generosa, tem tudo. O hospedeiro está morrendo. O cara funcionário público virou um parasita e o dinheiro não está chegando no povo”, afirmou.

Na época, a fala gerou polêmica. Na decisão judicial, a magistrada reconheceu que o ministro insultou a categoria. “Na situação em epígrafe, o ministro de Estado da Economia, no exercício do seu direito à liberdade de expressão, insultou os servidores públicos. Ele os comparou a ‘parasitas’, pediu que eles ‘não assaltem o Brasil, quando o gigante está de joelhos’ e afirmou que eles ficam em casa ‘com geladeira cheia'”. Por isso, o pagamento no valor de R$ 50 mil, “em virtude da violação aos direitos da personalidade dos integrantes da categoria profissional representada por este ente sindical, por meio dos seus pronunciamentos”, escreveu.

Segundo o Sindipol-BA, o dinheiro pago pelo ministro será doado ao Hospital Santo Antônio, que pertence às Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), e ao Hospital Aristides Maltez, “que são organizações sem fins lucrativos de Salvador e que estão à frente no combate à pandemia do novo coronavírus. Ainda cabe recurso da sentença”, informou a entidade.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a Advocacia-Geral da União (AGU) para se posicionar sobre o assunto. Em nota, a assessoria de imprensa informou que o órgão irá apresentar o recurso cabível.

Fonte: Agencia Brasil