Damares Alves agiu para impedir que menina de 10 anos abortasse, diz jornal

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, agiu nos bastidores para impedir que a menina de 10 anos do Espírito Santo, que engravidou após ser estuprada pelo próprio tio, fosse submetida ao processo de aborto. Objetivo era fazer com que a criança fosse transferida de São Mateus, onde morava, para um hospital em Jacareí, em São Paulo, onde ela evoluiria na gestão e teria o bebê.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a ministra enviou à cidade capixaba representantes do governo e aliados políticos para pressionar e retardar o aborto até ele não ser mais possível. Ela mesmo chegou a participar de uma dessas reuniões por videochamada.

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No dia 13 de agosto, Damares disse no Twitter: “Estamos acompanhando o caso. Durante a semana, várias reuniões virtuais. Hoje, representantes do ministério, acompanhados do deputado Lorenzo Pazzolini [sic], estiveram na cidade para acompanhar de perto as investigações”. No entanto, em nenhum momento, ela afirmou que o intuito era evitar e muito menos impedir o aborto.

Além disso, teriam sido oferecidos bens ao conselho tutelar da cidade, como um carro e televisões.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos respondeu à Folha que a equipe se deslocou para “acompanhar a atuação da rede de proteção à criança vítima e oferecer suporte do MMFDH e da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), no sentido de fortalecimento da rede de apoio às crianças vítimas de violência”.

Assim, afirma ter cumprido as competências fixadas nos artigos 21 e 22 do decreto nº 10.174/2019, “especialmente quanto à articulação e implementação de ações voltadas ao fortalecimento de políticas, programas e serviços de atendimentos à criança e ao adolescente com direitos violados ou ameaçados por meio da integração das instâncias intersetoriais, interinstitucionais e interfederativas”.

Fonte: Agencia Brasil