'Já pensei em desistir', desabafa Xanddy, do Harmonia do Samba

Ao contrário do que muita gente pensa, vida de músico e dos profissionais ligados ao entretenimento não se resume a festa ou brincadeira. Os profissionais que trabalham onde os outros se diverte também têm contas para pagar, aluguel para honrar e precisam colocar comida na mesa da família. O sucesso almejado por muitos só vem depois de trabalho duro e estratégia para entender onde o sonho precisa se profissionalizar e virar um negócio.

O vocalista do Harmonia do Samba aproveitou a oportunidade para pedir que os poderes públicos olhem para o setor e pensem em protocolos de retomada (Reprodução/Instagram)

O segredo da longevidade e da estabilidade do Harmonia do Samba como produtora, empresa e banda foi objeto da live Empregos e Soluções desta quarta-feira (23), no Instagram do CORREIO, quando a consultora e administradora Flávia Paixão conversou com o empresário e vocalista da banda Xanddy. Durante uma hora, o líder da banda fez questão de contar os percalços do início da carreira e fez um apelo para os poderes públicos para a criação de protocolos que possibilitem que esses profissionais possam voltar a trabalhar e garantir o sustento das famílias. 

“Alimentava o sonho de ser cantor desde criança, quando troquei, com uma irmã de criação, um caminhãozinho por um violão”, conta. Para concretizar o sonho, Xanddy precisou amadurecer como pessoa e profissional.

“Cometi muitos vacilos por conta da música. No curso profissionalizante, deixava os professores loucos porque só queria saber das aulas de artes, mais especificamente, as aulas de música”, contou, lembrando que chegou a abandonar um emprego com carteira assinada em nome da aposta na música. “Naquela época, ganhava R$50,00 por show, só que trabalhar durante o dia e ainda pegar show à noite, me deixava destruído, mas achava que já dava para me manter. Pedi para sair do emprego e, pouco tempo depois, a banda acabou também. Passamos um bom tempo só com ovo em casa até poder me organizar”, relembra.

Trabalho pesado
Nesse período, ele já conhecia o pessoal do Harmonia do Samba e começou a tocar com o grupo. “No início, é muita ‘ralação’ porque você ainda não tem valor artístico por mais talentoso que seja, os cachês são baixos, quando não se toca de graça e, por vezes, até o som é preciso que você alugue para garantir a apresentação”, pontua.  Nessa época, o Harmonia do Samba contou dois apoiadores, que garantiam algum suporte para a banda, mas que, em contrapartida, terminaram lesando o grupo, que era muito inexperiente. “Ouvi muita crítica, muita pressão por deixar o certo de empregos com carteira assinada pelo campo duvidoso que era a música”, disse. 

Por fim, a situação começou a mudar e a banda estourou junto com o avanço da pirataria de CDs, quando o Harmonia do Samba era tocado nos porta-malas abertos pela orla de Salvador. “Essa situação não foi uma iniciativa da banda, mas serviu para divulgar o nosso trabalho de uma forma impressionante”, diz o empresário e cantor, lembrando que enquanto se preparava para as apresentações, também se despia de qualquer vaidade e saía com a fita cassete da banda apresentando aos radialistas e a qualquer pessoa que pudesse ajudar na divulgação. 

Num episódio que ele chamou de ‘choro mais feio da sua vida’, no estúdio, Xanddy conta que teve vontade de desistir e chegou a conversar com a banda que abandonaria a carreira musical, pois havia o dilema entre colocar comida em casa ou perseguia o sonho de infância. “Depois do choro e da comoção toda, parei, refleti e chamei o pessoal para fazer mais uma tentativa e, depois disso, não paramos mais”, narrou para Flávia.  

Xanddy conta que precisou aprender na marra como cuidar dos negócios para evitar que a banda fosse lesada e tivesse perdas maiores
(Reprodução/Instagram)

Louros da fama
O trabalho cresceu e o Harmonia do Samba ganhou visibilidade nacional. Durante dois anos, o cantor conta que a banda viveu num êxtase da fama e do reconhecimento pelo trabalho. O pé no chão chegou com o primeiro fracasso da banda em termos comerciais, com o álbum Meu e Seu. Sem a repercussão anterior, com o cachê em baixa, a banda precisou parar, reavaliar a essência e voltar para as origens. 

Um pouco antes, Xanddy conta que começou a perceber que precisava conhecer mais do próprio negócio, conhecer os desejos do público, entender de todo os detalhes que cercavam a carreira pessoal e da banda se quisesse viver a vida da própria música e manter o sonho dos outros companheiros. “Voltamos para as nossas origens e compreendemos onde estávamos, quais eram os nosso erros e acertos e como deveríamos nos comportar à partir daquele momento”, disse durante a live. 

Depois da experiência com o primeiro fracasso, o grupo começou a planejar melhor tudo, cada detalhe, dos shows, aos álbuns e os projetos especiais. “Nossos fãs são muito fiéis e atentos a tudo que fazemos, assim como são os timbaleiros e chicleteiros, por isso chamamos de torcedores, são os nossos torcedores”, destaca. 

Para quem quer viver da arte ou entretenimento, o cantor e empresário deixou um recado: “não desista do seu sonho, se você acredita que tem um potencial, vá em frente!”, enfatizou. A live Empregos e Soluções é realizada todas as quartas-feiras, às 18h, no perfil do Correio no Instagram. 

Harmonia nos negócios
O cantor fez questão de enfatizar alguns aspectos considerados fundamentais para crescer no campo do entretenimento cultura e artes. Confira.

1.    Tenha um propósito e acredite nele;

2.    Tenha determinação porque o sucesso é o resultado de muito esforço;

3.    Para ser reconhecido, é preciso deixar a vaidade de lado e batalhar por visibilidade;

4.    Aprenda sobre o negócio para não ser lesado;

5.    Mesmo que haja pessoas cuidando dos detalhes, não terceirize a responsabilidade com a sua carreira, com o seu negócio;

6.    Estabeleça e cumpra metas;

7.    Não deixe de escutar o seu público. É ele quem sustenta sua carreira. 

Fonte: Correio