Polícia consegue diploma que Cátia Raulino entregou em contratação, que pode ser falso

Responsável por investigar o caso da suposta jurista Cátia Raulino, a 9ª Delegacia Territorial (Boca do Rio) conseguiu um documento que deve ajudar a encerrar o inquérito policial. Titular da unidade, o delegado ACM Santos recebeu um dos diplomas que ela apresentou no processo de contratação para ser professora do curso de Direito da UniRuy e há indícios de que o papel é falso. Ouvida na delegacia nesta quinta-feira (24), ela permaneceu calada e preferiu só se manifestar em juízo sobre a tal documentação.

Segundo o delegado, o ponto-chave do processo era saber se ela tinha ou não formação em Direito. A Universidade Federal do Maranhão (Ufma), onde ela dizia ter se graduado, enviou um ofício à delegacia em que negou qualquer vínculo dela com a instituição. Não há registro nem de que ela tenha trancado ou cancelado o curso. 

O diploma que ela apresentou à UniRuy e que agora está no inquérito da delegacia foi de pós-doutorado e, portanto, há inconsistência. “Ela não tem diplomas, não tem nem a graduação. A base da pirâmide é o título de bacharel. Se ela não tem esse, todos os outros, por si só, são inválidos, não têm valor nenhum. Estou me apegando a isso e vou encerrar minha investigação com base nisso”, explica o delegado. 

Em seu currículo Lattes — principal plataforma de dados curriculares do país, administrada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — Cátia dizia ter graduação, mestrado e doutorado em universidades federais. Procuradas pelo CORREIO, todas as instituições, Ufma, Ufsc e Ufba, negaram a existência desses títulos.

O delegado diz que a coleta de informações sobre o caso já foi finalizada, mas o caso ainda não foi encerrado. Falta terminar de documentar tudo em papel para submeter os arquivos, possivelmente já na próxima semana para o Ministério Público da Bahia (MP-BA), que deve apresentar denúncia contra ela. 

Trata-se de um inquérito único, com cinco representações em desfavor dela. Ao todo, foram investigados os crimes de plágio por uso dos TCC’s de ex-alunos, exercício irregular da profissão, estelionato por causa da indução ao erro, falsidade ideológica devido ao currículo com dados inverídicos e fraude em documento público.
 

Fonte: Correio