Um mundo doente

Cada vez mais preocupante. Quando pensamos que estamos tendo um refresco, uma brisa favorável, a covid-19 vem e volta e nos surpreender. O planeta passou dos mais de 30 milhões de pessoas afligidas pelo novo coronavírus. Não existe sinal de desaceleração. E a Índia demorou, mas entrou firme e forte como epicentro da crise. As Américas representando ainda, infelizmente, um grande problema combinado. Uma bomba latente, ainda mais com a omissão de governantes como o do Brasil que acaba de dizer que o país vem sofrendo pouco com a pandemia, embora tenhamos alcançado mais de 135 mil casos de mortos.

São recordes os números globais de novos casos diários e os mortos já chegam a mais de um milhão. Só nos resta mesmo torcer por uma vacina, seja russa, chinesa, inglesa ou do Gabão, tanto faz, contanto que salve vidas, dê um adjutório. Imagine que os números atuais estão defasados pelo menos 14 dias. Isso significa que nas próximas semanas a pandemia terá uma cara pior do que foi vista nesses últimos tempos. É um filme de terror acompanhado de uma distopia.

Voltando a falar na Índia, o país registrou mais de mil mortes diárias por dia há duas semanas. A boa notícia, ou a notícia que dá um alento, ou seja: uma news mais ou menos,  é que os casos de covid-19 no Brasil caíram 30% na semana epidemiológica 37 em relação à semana anterior. Já as mortes registraram diminuição de 13% no mesmo intervalo. Foi a primeira vez em que as duas curvas apresentaram uma redução acima de 10% juntas desde o início da pandemia, segundo dados publicados via Ministério da Saúde, na Agência Brasil.

A semana epidemiológica (SE) 37 compreende o intervalo de 6 a 12 de setembro. A SE é uma medida empregada por autoridades de saúde para analisar o desenvolvimento de uma determinada epidemia. O Brasil vinha com platô e desde a 29ª semana epidemiológica começou a ter uma tendência de queda. 

>kern0.1pt<Com tudo isso, o que tem de certo mesmo é a continuação do isolamento social. Está certo, é uma experiência para muitos dolorosa, ainda mais em se tratando de mudança de hábitos. Mas, melhor avaliar isso do que virar índice da Organização Mundial da Saúde. Essa é a realidade que vamos vivenciar no tempo atual e naqueles que virão. A pandemia vai passar? Quem sabe. O isolamento será cada vez necessário? Vá saber. Mas sabemos que temos de dar um novo sentido ao mundo. Torcendo de casa para que caiam ainda mais os índices da pandemia no mundo inteiro. Que os semideuses Fleming, Pasteur e Hipócrates ajudem.

Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista

Fonte: Correio