Chega uma fase da nossa vida que assistimos o tempo passar e bate um desespero, não é verdade? Achamos que o tempo tem passado rápido e que não estamos tendo a agilidade suficiente para alcançá-lo. Aquela pessoa que antes do 25 anos já casou, se formou, teve filhos e vive aparentemente feliz. Ou o vizinho que aos 30 já conheceu mais da metade desse mundo tão grande.

Por muito tempo eu acreditei que existia um tempo certo para cada momento da minha vida. E isso me fez ter pressa. Pressa para me formar, para fazer tudo em tempo recorde nas minhas atividades profissionais. Pressa pra sair de casa. Pressa para ter um relacionamento equilibrado. Pressa para casar. Para fazer todos os cursos que eu queria fazer. Para viajar para todos os lugares que sonho. Mas depois eu descobri que não adianta se apressar nessa vida. Nós temos o nosso próprio tempo e não o tempo que nos tem. Por isso, por muitas vezes, eu me atrapalhei ao querer adiantar coisas que ainda não estavam amadurecidas e, no final, eu não sabia lidar com aquilo que não tinha me preparado o suficiente.

É que a vida é tão mágica que nos torna únicos. Não é saudável atropelar as coisas. Sair correndo como se o mundo fosse acabar e ser inconsequente. Talvez por isso digam que a pressa é inimiga da perfeição e ela talvez seja, mesmo. Por isso tem tanta gente formada em graduações apenas para suprir uma necessidade dos outros. Por isso tem tanta gente infeliz em seus empregos. Por isso tem tanta gente infeliz nos seus casamentos.

É preciso dar tempo ao tempo. Saber que não precisamos correr. Não é deixar de viver as coisas sentando em uma varanda esperando, de mãos beijadas, tudo chegar até você, sabe? É viver. Sem pressa. Sem se afobar e se desesperar pois estamos ficando ‘velhos’ e a sociedade cobra uma resposta de uma vida que, no final das contas, só você sabe como viver bem, em paz e feliz. Feito a poesia do Chico Buarque: Não se afobe não, que nada é pra já 

 

*Edgard Abbehusen é escritor, compositor, redator, baiano, criador de conteúdo afetivo e  autor de livros; Ele  publica textos exclusivos aos domingos no site do CORREIO e redes sociais Acompanhe Edgard no Twitter e Instagram

Fonte: Correio