Pandemia adia sonhos de alunos que estão no fim da faculdade e ensino médio

“Todos os meus planos para 2020 foram adiados”. Em tempos de pandemia, essa é uma afirmação comum entre as pessoas. Quando falamos de alunos, encontramos sonhos interrompidos por causa do novo coronavírus. Quem estava planejando a sua festa de formatura ou sonhava em comemorar o fim de um ciclo acadêmico, se deparou com o isolamento social e até adaptações às aulas online em seu último ano.

Esse é o caso do estudante Victor Zanussi, da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Ele se preparava para concluir o curso de enfermagem em dezembro deste ano, mas agora só poderá pegar o diploma no primeiro semestre de 2021. “É frustrante. Nós, alunos em geral, andamos conversando sobre isso e o sentimento é mútuo. Afinal de contas, ninguém estava preparado para uma situação nessa escala. Eu, particularmente, já tinha traçado todo um caminho para este ano e frustração é o que resume o que eu sinto”, conta em entrevista ao Estadão.

Por escolher atuar na área da saúde, o universitário de 27 anos tinha o desejo de estar na linha de frente do combate à covid-19. Mas, ao invés de ter a sua formatura antecipada, ele não foi liberado ao mercado de trabalho e ainda contou com um atraso de seis meses no seu estágio obrigatório.

“O meu desejo era uma formatura antecipada”, diz Victor. “Nenhum aluno é treinado para o enfrentamento de pandemias, ninguém conta com isso, e segurar a gente até o ano que vem vai causar um atraso muito grande nos nossos planos. Conheço pessoas que se inscreveram para residência em enfermagem no ano que vem e agora isso vai coincidir com as aulas. O que eles vão fazer? Terão de desistir? E quem queria já ingressar em uma pós-graduação?”, questiona.

Em nota, a Anhembi Morumbi afirma que “vem empenhando todos os esforços para cumprir o calendário acadêmico previsto para que seus alunos possam alcançar a formação profissional no tempo planejado e que para alguns cursos que exigem competências complementares, o impacto pelo período de suspensão das atividades presenciais pode gerar algum atraso na conclusão da formação.”

Além dos planos profissionais, ele acreditava que poderia de despedir da turma que o acompanhou durante os últimos quatro anos em clima de festa. Mas a pandemia acabou também acabou com os planos de diversão. “Eu sou bolsista, então ia ganhar a festa de formatura de presente da minha família. Chegamos a dar entrada na papelada, mas assim que iniciou a pandemia todas as datas do nosso calendário acadêmico foram alteradas, algumas ficaram em branco, como a do último dia de aula. Então, tive de cancelar o contrato e vou ficar sem essa festa.”

Ao contrário de Victor, a sua noiva, a enfermeira Vanessa Tiné, conseguiu encerrar a faculdade no primeiro semestre de 2020, mas viu a sua turma abrir mão da tão sonhada formatura. Para ela, o último ano também foi de mudanças e adaptações.

“Tivemos a colação de grau em março, pouco antes de anunciarem o isolamento social. Naquele momento, não imaginávamos a gravidade da pandemia, então o evento aconteceu”, conta Vanessa, que se formou na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). “Foi um momento único e importante para mim, foi quando percebi que todos os anos de sacrifício e dedicação valeram a pena, ainda mais por minha família estar presente. Ele tiveram uma grande participação na minha conquista e ter a presença deles era essencial para mim.”

A recém-formada conta que a tradicional festa de formatura aconteceria algumas semanas depois da colação de grau, mas, com a chegada das regras de isolamento social, ela foi adiada por tempo indeterminado. “Felizmente pudemos nos despedir e, por causa do estágio, tivemos a oportunidade de nos ver uma última vez na faculdade, respeitando as normas do isolamento.”

“A faculdade apenas adiou a festa para um futuro momento mais propício, pensando na segurança e proteção de todos, pois para eles um momento tão importante como a formatura não pode deixar de ser celebrado. É um ciclo que se encerra, para outro dar início, é aceitável não deixar passar em branco”, explica Vanessa.

O estudante Leonardo Martins, do oitavo semestre de Ciências da Computação da Universidade Nove de Julho (Uninove), não pretende fazer nenhuma comemoração online. “Hoje, eu posso afirmar que as aulas online dificultaram muito o aprendizado por conta das distrações que temos em casa e não teria em uma sala de aula. Além disso, a minha relação com os colegas de classe está bem distante, hoje só conversamos por mensagens ou chamadas de vídeo.”, diz Leonardo. Para ele, não existe clima de comemoração no encerramento de um ano onde todos os seus planos tiveram de mudar por causa da pandemia.

E não foi apenas a vida dos universitários que mudou. Isabela Siqueira, 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio, também conta que não se adaptou às aulas online e precisou mudar a data da sua viagem de formatura.

“Eu não tenho computador, então foi bem difícil fazer as atividades da escola pelo celular. Além disso, eu era uma pessoa muito extrovertida na escola, gostava de brincar com os professores e colegas. Hoje, sinto falta de ter esse contato e posso dizer que estou muito triste por ter colocado tanta expectativa no meu último ano. A pandemia, obviamente, quebrou todas elas”, conta a aluna da Escola Estadual Prof. João Borges, em São Paulo.

Isabela estava com viagem marcada para Porto Seguro, um pacote feito no próprio colégio para os formandos. Com tudo pago, a única opção da estudante foi adiar os planos para 2021. Ela também não deve ter colação de grau ou evento online para comemorar a formatura.

Fonte: Agencia Brasil