Estudo da Embasa demonstra potencial do reúso de efluentes para agricultura e indústria

Levantar o potencial de reúso de efluentes sanitários nos municípios baianos com foco no uso intensivo em agricultura, desenvolvimento do Semiárido e utilização industrial na Região Metropolitana de Salvador. Este é o principal objetivo de um estudo pioneiro contratado recentemente pela Embasa para avaliar as possibilidades de aproveitamento do esgoto tratado em sua área de atuação.

Previsto para ser concluído em novembro, o “Estudo de Avaliação das Potencialidades de Reúso de Efluentes Sanitários Tratados no Estado da Bahia” foi contratado por meio de cooperação técnica internacional entre a Embasa, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores.

Segundo os resultados preliminares da pesquisa, somente na Bahia, em um cenário conservador, o potencial de reúso apontado pelo estudo é de 1.391,2 l/s (litros por segundo), sendo 916 l/s para uso na agricultura e 475 l/s na indústria. O destaque é para o Polo Industrial de Camaçari, com potencial misto para reúso de 250 l/s (190 l/s na indústria e 42 l/s em usos agrícolas). Caso se considere um cenário ideal, o potencial no estado sobe para 3.693 l/s no total, dos quais 3.104 l/s para uso agrícola e 589 l/s para o uso industrial.

Há vários níveis de tratamento de águas residuais, a depender da finalidade de uso. A água de reúso pode ser utilizada para diferentes aplicações, como irrigação, usos urbanos não potáveis, usos industriais ou recarga de aquífero.

“O reúso é importante porque responde à necessidade de atender com segurança às demandas hídricas ao mesmo tempo em que permite o aperfeiçoamento dos serviços de esgotamento sanitário”, destaca a engenheira civil e ambiental Helene Kluber, coordenadora do estudo pela empresa Worley (Brasil/EUA).

Segurança hídrica
De acordo com o balanço hídrico de 2016 da Agência Nacional de Águas (ANA), a Bahia é um dos estados com maior criticidade hídrica. Também se trata de uma das unidades federativas que possuem maior área inserida no Semiárido (278 municípios) e detém a quinta maior área irrigada do País. Estes dados reforçam a importância de se buscar alternativas sustentáveis para a escassez de água.

Também engenheiro da Worley, André Margutti observa que já há parâmetros para a presença de metais em resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).  “Se há presença de coronavírus, por exemplo, a desinfecção pode remover, desde que consiga manter os níveis de coliformes exigidos.” No quesito regulação, o estado da Bahia é um dos mais adiantados do País, pois é o único que já possui critérios definidos em resolução para o reúso agrícola.

Tratativas avançam
Mas e quanto a aplicação prática? O coordenador do estudo pela Embasa, Júlio Mota, adianta que para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Luís Eduardo Magalhães há tratativas para aplicação da água de reúso em projeto de irrigação de mudas para recuperação de áreas degradadas.

A ETE de Vitória da Conquista tem o maior potencial de reúso, em termos de volume. A ETE de Iraquara, em fase de projeto, possui aplicação da água de reúso para o plantio de bananeiras e a estação de Guanambi também prevê projeto de reúso agrícola.

Embora o foco do estudo não seja o uso urbano, a inclusão no levantamento das operações de reúso da ETE do grupo de hotéis e resort Iberostar, em Praia do Forte, confirma o potencial da prática para este fim. Atualmente, a experiência de reúso em operação da ETE Iberostar, no litoral norte da Bahia, opera com vazão média de 35 l/s de reúso para irrigação dos campos de golfe.

Tendência mundial
Existem poucos dados sistematizados e disponíveis sobre o cenário mundial de reuso de água. Segundo o relatório Global Water Market (2011), da Global Water Intelligence, o percentual de reuso em relação à produção total de efluentes domésticos é de 91% no Kuwait, 85% em Israel, 35% em Singapura, 32% no Egito, 15% na Austrália, 14% nos Estados Unidos e na China, 12% na Síria, 11% na Espanha e 4% no México.

A utilização do reúso de efluentes tem sinergia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, conjunto de 17 indicadores socioeconômicos estabelecido em 2015, que tem o Brasil como um dos mais de 190 países signatários. O ODS 6, por exemplo, determina a necessidade de assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e do saneamento para todos até 2030.

A água de reúso pode ser utilizada para diferentes aplicações:

  • Irrigação;
  • Usos urbanos não potáveis;
  • Usos industriais;
  • Recarga de aquífero.

Resultados do estudo – potencial de reúso na Bahia (cenário conservador):

  • 1.391,2 l/s (litros por segundo);
  • Agricultura: 916 l/s;
  • Indústria: 475 l/s.

Resultados do estudo – potencial de reúso (cenário ideal):

  • 3.693 l/s;
  • Agricultura: 3.104 l/s;
  • Indústria: 589 l/s.

Conteúdo integrante do projeto de Infraestrutura Hídrica e Saneamento. Uma realização do Jornal Correio com o apoio institucional da Embasa, Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, WWI e o apoio da FIEB e Abapa.


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Fonte: Correio